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Estado burguês-latifundiário avança contra os povos originários brasileiros



Enquanto os holofotes da política nacional se reduzem às disputas eleitorais, o latifúndio amplia o ritmo da sua agressão aos povos originários em todo o país. O início do mês de setembro registrou mais 7 vítimas indígenas desse processo genocida que a cada vez mais se intensifica.


Entre 3 e 13 de setembro – indígenas dos povos Pataxó, Guarani Kaiowá e Guajajara morreram nos Estados da Bahia, do Mato Grosso do Sul e do Maranhão, vítimas da ação de grupos de jagunços a mando dos latifundiários com anuência do Poder Público.


Vitorino Sanches, guarani kaiowá de 60 anos morador da aldeia de Amambai, que já havia sobrevivido a uma emboscada no mês anterior, foi assassinado a tiros em seu carro. A sua aldeia é vizinha à Tekoha Gwapo’y Mi Tujury, que está em nome da Fazenda Borda da Mata da empresa VT Brasil Administração, da família Torelli e onde no último 25 de junho, ocorreu o Massacre de Gwapo’y, quando a polícia militar invadiu a área, feriu 15 indígenas e matou Vitor Fernandes.


Janildo Oliveira Guajajara, membro do grupo Guardiões da Floresta, foi morto com tiros nas costas em Amarante (MA), no mesmo atentado que deixou um adolescente de 14 anos ferido. Ele pertencia a Terra Indígena Arariboia, na região da qual mais duas vítimas foram registradas. Jael Carlos Miranda Guajajara foi atropelado em Arame (MA) e Antônio Cafeteiro Sousa Silva Guajajara foi assassinado com seis tiros.


No Extremo Sul da Bahia, o povo Pataxó das TIs Barra Velha e Comexatibá Cahy Pequi denuncia há meses a atuação de uma milícia anti-indígena a soldo dos latifundiários locais que vem realizados ataques e fazendo ameaças sistemáticas. Em mais um desses ataques na primeira semana deste mês, pistoleiros mataram um adolescente de 14 anos chamado Gustavo Silva da Conceição com um tiro na nuca.


Além de explorar a oportunidade do período atual, esta ofensiva não é por acaso. Faz parte de um projeto do latifúndio de tomar as terras indígenas por todo o país e impor um capítulo final no genocídio indígena que sempre caracterizou o Estado burguês brasileiro.


Toda a política do chamado Estado democrático de Direito pretensamente implantado no Brasil e que a esquerda tenta salvar da sua putrefação se encaminha para este objetivo final de eliminar os povos originários como tal e pilhar suas terras.


Seja o julgamento do Marco Temporal em andamento no Judiciário, leis como a PL 490 em tramitação no Legislativo, além da ação ostensiva do Executivo com a paralisação da demarcação dos territórios indígenas (que já vinha se preparando desde governos anteriores), o desmonte dos mecanismos de fiscalização e proteção territorial, e mesmo com o estímulo governamental às invasões de terras por parte de grileiros, fazendeiros e garimpeiros são demonstração clara desse processo.


O relatório Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil – dados de 2021, publicação anual do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), confirma o avanço do plano genocida. Em 2021, “o Cimi registrou a ocorrência de 305 casos do tipo, que atingiram pelo menos 226 Terras Indígenas (TIs) em 22 estados do país. No ano anterior, 263 casos de invasão haviam afetado 201 terras em 19 estados. A quantidade de casos em 2021 é quase três vezes maior do que a registrada em 2018, quando foram contabilizados 109 casos do tipo”.


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