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"África de novo e de novo e..."

  • Foto do escritor: NOVACULTURA.info
    NOVACULTURA.info
  • há 17 minutos
  • 5 min de leitura

 

As frentes em que o terrorismo opera em nível global, particularmente aquele que atua sob a cobertura do fundamentalismo islâmico, são mais ativas.

 

Na África, há pelo menos uma década e meia, não passa um dia sem que alguma das facções locais associadas à al-Qaeda e ao Daesh realize alguma operação que gere mortos e feridos.

 

Não é necessário fazer um sobrevoo para encontrar o de sempre: na Nigéria, na primeira semana de fevereiro, dois ataques coordenados contra os povoados de Woro e Nuku, no estado de Kwara, no centro-oeste do país, deixaram cerca de 200 mortos, com as práticas habituais: perto das aldeias, entrar e atirar contra todos, para depois saquear e destruir o que tiver ficado de pé e sequestrar mulheres e crianças. Pelo local onde essas duas operações foram realizadas, o mais acertado seria considerar que os atacantes tenham sido bandos criminosos locais, “contratados” por uma das duas grandes khatibas que operam na Nigéria, Boko Haram ou o Estado Islâmico Província da África Ocidental (ISWAP), já que cada vez são mais frequentes esse tipo de joint venture entre bandos do crime organizado e os fundamentalistas no noroeste do país.

 

Algo semelhante ocorreu no sábado passado, dia sete, em uma aldeia do estado de Kaduna (noroeste), onde três pessoas foram assassinadas e outras onze sequestradas, entre elas um sacerdote católico, embora neste caso, pela referência geográfica, sim poderia ter atuado um comando de alguma das organizações wahabitas.

 

No vizinho Níger, pelo menos um episódio “estranho” ocorreu no aeroporto internacional de Diori-Hamani e na base militar 101, nas proximidades de Niamey, em vinte e nove de janeiro, quando a segurança rejeitou, aparentemente, uma tentativa de tomada das instalações, que deixou pelo menos quatro soldados nigerinos feridos, cerca de 20 mortos e onze detidos. Entre eles, um de nacionalidade francesa.

 

Mais tarde, o Estado Islâmico–Província do Sahel (ISSP) assumiria a responsabilidade da ação, embora o presidente da junta militar que governa o país desde 2023, o general Abdourahamane Tiani, tenha responsabilizado diretamente os presidentes da França, Emmanuel Macron, Patrice Talon do Benim e Alassane Ouattara da Costa do Marfim por terem instigado o ataque.

 

Nenhuma novidade se isso for enquadrado nos constantes ataques das operações terroristas contra a Aliança de Estados do Sahel (AES), Burkina Faso, Mali e Níger, onde as milícias do ISSP e os daeshanos do Jamāʿat nuṣrat al-islām wal-muslimīn (JNIM) concentram todo o seu potencial para desestabilizar os governos dessas três nações profundamente anticolonialistas.

 

Há mais de um mês, a capital do Mali, Bamako, suporta o bloqueio do JNIM, que impede a chegada dos caminhões-tanque para o abastecimento de combustível e outros insumos básicos para a cidade, tendo destruído dezenas de caminhões e assassinado seus motoristas e escoltas.

 

Nesse contexto, talvez também tenha que ser anotado o recente magnicídio de Saif al-Islām Gaddafi, o filho do coronel, que estava emergindo como a figura que poderia ter convocado os setores cada vez mais numerosos desiludidos com a Líbia que ficou depois de ter sido “libertada” da opressão gadafista. Embora, neste caso, não esteja claro se as ações encobertas da inteligência ocidental contam como atos terroristas ou não.

 

Na Somália, as ações terroristas do grupo al-Shabab se moderaram, já que, após o reconhecimento da Somalilandia por parte da entidade sionista que ocupa Palestina, Líbano e Síria, o que antecipa uma próxima anexação pelo menos virtual, tanto Mogadíscio e seus aliados Turquia e Egito, entre outros, como o próprio al-Shabab enfrentam uma mudança de paradigma que talvez até os obrigue a se alinhar diante da próxima invasão. Apesar de que os Estados Unidos continuam bombardeando posições terroristas de maneira aleatória.

 

Embora a guerra no leste da República Democrática do Congo (RDC), ou melhor dizendo, o novo trecho da eterna guerra que se trava, não possa ser atribuída plenamente à ação do fundamentalismo wahabita do grupo Allied Democratic Forces (ADF) ou à franquia do Estado Islâmico na África Central (IS-CAP), que por anos mantiveram em xeque as províncias de Kivu do Norte, do Sul e Ituri, desde que no final de janeiro do ano passado o Movimento 23 de Janeiro (M-23) tomasse a cidade de Goma, capital de Kivu do Norte, iniciando uma guerra proxy por conta e ordem do Burundi, que desde então continua, como continuam todas as guerras no leste da República Democrática do Congo.

 

Sem esquecer nesta lista rápida, o conflito intermitente do norte de Moçambique, onde os mujahidins do Ahlu Sunnah Wa-Jamo (Seguidores do Caminho Tradicional ou Defensores da Tradição), que desde 2017 colocaram de cabeça para baixo o norte do país índico, particularmente a província de Cabo do Norte, onde os ataques e as tomadas momentâneas das principais cidades desmontaram projetos extrativistas das grandes energéticas ocidentais, particularmente os da francesa TotalEnergies SE.

 

Aqui não poderemos anotar novidades sobre o que acontece na Península do Sinai, que desde o início da Operação Sinai 2018, as tropas do presidente Abdel Fattha al-Sisi, que ali combatem o grupo Wilayat Sinai, a franquia da al-Qaeda para o Egito, se mantém fechada a sete chaves, sem sequer se conhecer o destino da população local que, como sempre nesses casos, é a vítima propiciatória de ambos os lados.

 

Sudão, com ponto seguido

 

Pela dimensão que tomou a guerra civil que, desde abril de 2023, travam as Forças Armadas do Sudão (FAS) e o grupo paramilitar Força de Apoio Rápido (FAR), foi produzida a maior crise humanitária que o mundo vive desde a Segunda Guerra Mundial, com cerca de quinze milhões de deslocados, centenas de milhares de mortos e a destruição de praticamente toda a infraestrutura do país, de modo que passarão décadas para levantá-la novamente, se isso algum dia acontecer.

 

As ações de ambos os lados parecem desenhadas mais para definir um vencedor ou chegar a um status quo que os obrigue a negociar pelo menos um cessar-fogo, que nunca pôde ser alcançado desde o começo do conflito.

 

Até poucas semanas atrás, depois da queda da cidade de El-Fasher, a última capital da região de Darfur que não estava sob controle dos paramilitares, muitos acreditamos que com isso o líder das FAR, Mohamed Hemetti Dagalo, se conformaria em se fortalecer nessa região de onde é nativo e de alguma maneira buscar o reconhecimento internacional como uma nação independente de Cartum, a capital federal do país.

 

Mas não: as tropas paramilitares continuaram seu avanço em direção ao Kordofão, aplicando a mesma estratégia que lhes possibilitou a queda de al-Fasher, reforçando o cerco no início de dezembro às cidades de Kadugli e Dilling, duas das mais importantes da região de Kordofão, depois de terem tomado Babanusa e Heglig, um campo petrolífero chave por onde passa o petróleo bombeado do Sudão do Sul para os portos do Sudão, no mar Vermelho.

 

No final de janeiro, o comando do exército sudanês anunciou ter rompido o cerco à cidade de Dilling.

 

Com um rápido avanço a leste de Dilling, as FAS conseguiram desobstruir o caminho para aquela que é a segunda maior cidade do Kordofão do Sul.

 

Com essa vitória, o exército tirou parte do impulso que os paramilitares haviam tomado desde a queda de El-Fasher no final de outubro, voltando a equilibrar as forças em Kordofão, o que permite o reabastecimento da cidade e enviar reforços a Dilling, e aprofundar a ofensiva em direção a Kadougli, a cidade que também se encontra cercada pela RFS e milícias aliadas.

 

Nesse novo contexto, o Kordofão se converte na frente mais ativa da guerra sudanesa, que parece estar desenhada para ser eterna.

 

Por Guadi Calvo, no Línea Internacional

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