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Quanto custa viver?



Segundo matéria publicada no site do Jornal do Comércio em janeiro, o salário mínimo tem o pior poder de compra em 10 anos, comprando 1,58 cestas básicas, estimada, segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) em R$ 696,70.


Mas, como já dizia a letra de uma música muito conhecida “A gente não quer só comida!”, ainda que com R$ 1.100, valor de um salário mínimo, não conseguiríamos sequer comer!


Quem vai ao mercado ou a uma feira livre sabe como o dinheiro perdeu valor. Não compramos hoje as mesmas coisas que comprávamos há um ano atrás.


Como dito acima, o valor do salário mínimo é de R$ 1.100, o DIEESE estipula que o valor mínimo deveria ser de R$ 5.421,84, uma pequena diferença entre o que o governo diz que um trabalhador precisa ganhar e aquilo que a realidade demonstra que seria o mínimo necessário.


Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) o rendimento médio mensal real domiciliar per capita foi de R$ 1.406 na média do país, porém, metade dos brasileiros, cerca de 105 milhões de pessoas, sobreviviam, em 2020, com R$ 438 mensais, enquanto 1% dos brasileiros mais abastados viviam com R$ 17.373, ou seja, na média todos os brasileiros ganham quase R$ 1.500 mensais, mas na realidade metade dos nossos compatriotas sobrevivem com menos de R$ 500 mensais.


Menos de R$ 500 que precisam ser suficientes para comprarem comida, pagar aluguel e garantir o mínimo para a sobrevivência, enfim garantir o abastecimento de água e energia elétrica, itens como assinatura de TV à Cabo, Internet, gás encanado ou férias na praia ou no campo, idas ao cinema ou à parques de diversão, são coisas impensáveis para a maior parcela dos brasileiros.


O Brasil, atualmente, passa pelo que os sucessivos governos chamam de crise hídrica, a energia elétrica teve um aumento de 52% na bandeira vermelha, de R$ 6,24 para R$ 9,49 por 100 kWh, o que representa, segundo dados do governo, um aumento de 5,45% na conta do mês de julho. Já a conta de água nos municípios abastecidos pela SABESP ficou, a partir de maio de 2021, 7,6% mais cara. A cesta básica aumentou em média de 20% a 30%, variando de estado para estado. Em São Paulo, no mês de junho custava R$ 636,40. Em média o trabalhador precisa de 111 horas trabalhadas para adquirir os alimentos da cesta básica, comprometendo 54,84% do salário para adquiri-la.


Enfim, os números indicam aquilo que todo brasileiro sabe na prática: não ganhamos o suficiente para sobrevivermos com o mínimo de dignidade, corremos de dívida em dívida para tentarmos garantir a nossa sobrevivência.


É assim no Brasil, é assim no mundo. Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), em 2/3 dos países que possuíam dados oficiais sobre o salário houve queda e a crise econômica infligirá pressão para que os salários sofram quedas ainda maiores.


Essa é a solução da crise para o capitalismo e seus governos de plantão.


Nós não podemos e nem devemos aceitar isso. Não podemos esperar as eleições de 2022, mesmo porque, tanto quem está no governo, quanto quem já esteve, não representa nenhuma possibilidade de mudança para nós. Precisamos organizar as lutas nas ruas, para exercer cada vez mais pressão sobre os partidos – ainda que saibamos quais as suas motivações políticas –, sindicatos e organizações sociais, para que travem as necessárias lutas em defesa dos interesses dos trabalhadores.


Façamos nós por nossas mãos, tudo o que a nós nos diz respeito!


ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO #05 DO JORNAL RUMOS DA LUTA