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História das Três Internacionais

"Um fantasma percorre o mundo"

  • Foto do escritor: NOVACULTURA.info
    NOVACULTURA.info
  • 2 de mar.
  • 5 min de leitura

Durante muito tempo, depois de terminada a Segunda Guerra Mundial, as direitas, publicamente, se disfarçavam como de centro, tentando se distanciar, não por diferenças ideológicas, éticas ou morais, mas por mero pragmatismo político, daquilo que seus camaradas, alemães, italianos e japoneses, haviam feito entre 1939 e 1945.

 

Ao que parece, o mundo ainda não estava preparado para digerir aqueles processos que, com diferentes nomes, conduziam ao mesmo lugar: a morte. Com aquela meticulosidade tão teutônica, os nazistas dispuseram estratégias para exterminar tudo o que fosse “não ariano”, como o Generalplan Ost, um plano estratégico com o qual se pretendia a colonização da Europa Oriental e, consequentemente, o extermínio de milhões de eslavos; o Aktion T4, que era um programa de morte assistida para acabar com seus próprios deficientes físicos e mentais; o Pharrajimos, “devoração” em romani, que se concentrava nas tribos ciganas; e, por último, o mais conhecido, a Endlösung der Judenfrage (Solução final da questão judaica). Embora as perseguições também tenham recaído sobre todos aqueles setores sociais que se consideravam ética e esteticamente superiores, tal como se enxerga o atual presidente da Argentina; nas constantes batidas da Gestapo ou da Kriminalpolizei, popularmente Kripo (polícia criminal), também caíram testemunhas de Jeová, homossexuais, religiosos dissidentes, comunistas, socialistas, englobados sob o termo Gemeinschaftsfremde, literalmente “estranhos à sociedade” ou simplesmente associais.

 

Entrar em considerações sobre se existe moderação nas direitas é uma perda de tempo; já está demonstrado ao longo da história que as direitas são sempre moderadas, até o momento exato em que precisam deixar de sê-lo, e então todos estamos em perigo, passando a ser gemeinschaftsfremde.

 

Pensemos, se não, nas execuções da senhora Renée Good, uma perigosa poeta e mãe, ou na do senhor Alex Pretti, teve a ousadia de interromper os membros do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos) quando espancavam no chão uma idosa durante os protestos de janeiro passado na cidade de Minneapolis. A essas duas vítimas é preciso somar outras 14 que morreram esperando suas deportações, já detidas pela Kriminalpolizei de Trump.

 

A pergunta é como se permitiu, desde a vitória do Exército Vermelho sobre o Terceiro Reich, que, nesses 81 anos, aqueles “pudorosos” centristas hoje recuperem seus discursos de ódio, suas mesmas iconografias e, sem a correção que impunham os enquadramentos majestosos de Leni Riefenstahl, se declarem descaradamente fascistas.

 

É verdade, fizeram alguns retoques cosméticos em seus princípios; os inimigos já não são aqueles untermensch (subumano) ou judenschwein (porco judeu). Já que estes últimos finalmente ingressaram no clube dos genocidas depois de terem assassinado milhões de palestinos desde 1947, mas para isso é apenas questão de tempo.

 

Já despojados de sua condição de subumanos, agora os inimigos bodes expiatórios passaram a ser mouros, sudacas ou simplesmente negros. Termo que, talvez, por sua brevidade e sua musicalidade, adquiriu uma contundência linguística que lhe permite cobrir um gigantesco leque de desgraçados ao redor do mundo.

 

Este último adjetivo, que define uma cor, não pode faltar nas mais contundentes diatribes das direitas, não importa onde sejam executadas. Ainda mais se se consegue combiná-las com o substantivo feminino, como diz a IA: malsonante ou malcheiroso?: “merda”. Conceitos que, uma vez harmonizados pela preposição “de”, há muito tempo a frase se converteu em um argumento afiado para desacreditar qualquer adversário do homem branco e da civilização judaico-cristã, seja um originário de Cotacachi, de Sankuru ou do Rajastão.

 

Dada a popularidade que adquiriu o “negro de merda” ou qualquer um de seus sinônimos: “esquerdista de merda”, “viado de merda”, “pobre de merda” e um longo rosário de metáforas afins, cabe perguntar em que momento o mundo se fodeu. Como já há 57 anos pergunta, de forma direta, Zavalita, o alter ego do autor de Conversa na Catedral, aquilo de “em que momento o Peru se fodeu?”. Tão enredado ficou Varguitas desde então que tampouco saberemos quando foi que ele mesmo se fodeu, mas isso não importa a ninguém.

 

Ao longo da Guerra Fria, a esquerda foi perdendo terreno, primeiro no semântico e logo no prático: erros próprios, traições dos próprios e, desde já, por ação do inimigo.

 

Nestes longos anos de desinformação, muitos se convenceram de que a bandeira da vitória nas torres do Reichstag foi pendurada por aquele valente sargento Saunders da série Combate, dos anos 60.

 

Inclusive muitos dos que acreditamos estar do lado correto da vida, quando pronunciamos a palavra Stalin, se ela imediatamente não se associa à palavra gulag, sentimos que estamos cometendo um ato criminoso, transgredindo uma lei não escrita, mas imposta há décadas pelos mesmos que conseguiram fazer parecer normal que Israel tenha devorado dois milhões e meio de palestinos e seus territórios sem que ninguém diga nada, ou que o ICE possa revistar à procura de armas e deter uma criança de quatro anos. Quatro anos!

 

A sodomização da Europa

 

A Europa ainda não tomou consciência de que há muito tempo não apenas se dissolveu seu poder colonial, mas que, pouco a pouco, desde 2010, vem se convertendo no quintal dos Estados Unidos e, dependendo de quem seja o mandatário na Casa Branca, essa condição de simples anexo pode transformá-la, como na atualidade com Trump, em objeto de constante sodomização, que faria tremer o próprio Jean Genet.

 

Vítima de seu passado colonial, particularmente a França e o Reino Unido, tiveram de assumir milhões de antigos súditos que as loucuras armamentistas do Departamento de Estado, na África, no Oriente Médio e no continente asiático, para onde também os europeus tiveram de acompanhá-lo, expulsaram cerca de quarenta milhões de pessoas depois de converter seus lugares em focos de conflitos permanentes.

 

Talvez os fenômenos mais emblemáticos dessas operações terroristas dos Estados Unidos tenham sido as invasões ao Iraque (2003), Afeganistão (2001), Líbia (2011) e inclusive a Ucrânia, que desde 2022 deve enfrentar a operação especial russa para conter os avanços contra seu território da OTAN, obviamente articulados pela Casa Branca. E que, há quatro anos, manda para a cama os 750 milhões de europeus com o temor de despertar no dia seguinte em meio a um holocausto nuclear.

 

Sob a sombra das ogivas nucleares do presidente Putin, com o estado de bem-estar perfurado como um queijo gruyère, oito países europeus são governados pela ultradireita, enquanto que, no restante, formações neonazistas crescem eleição após eleição, com um espírito fortemente antieuropeu e obviamente antimigratório.

 

A tímida centro-direita ou social-democracia do final da Segunda Guerra, que na verdade sempre foram a mesma coisa, hoje se declaram abertamente fascistas. Demonstrando que, mais uma vez, Brecht, tragicamente, não se equivocou.

 

O mesmo está se replicando em muitos países da América Latina: Chile, Equador, Bolívia, Venezuela, Paraguai, Costa Rica e Argentina, de onde escrevo e onde essas mudanças se vivem diariamente com milhões de famintos, milhares e milhares de fábricas fechadas e os aparelhos de repressão cada dia melhor preparados. Enquanto a população em geral se encontra mergulhada na mesma confusão mental de seu presidente, ocorre-me parafrasear Karl Marx e suspirar fundo e em silêncio para que meu vizinho não me escute: Um fantasma percorre o mundo: o fantasma do fascismo.

 

Por Guadi Calvo, no Línea Internacional

 

 

Nota dos editores: nem todas as posições expressas neste texto ou pelo autor condizem necessariamente e/ou integralmente com a linha política de nosso site ou da União Reconstrução Comunista.

 

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