"Acabar com os 80 anos de dominação semicolonial do imperialismo dos EUA nas Filipinas"
- NOVACULTURA.info

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Mais do que em qualquer outro momento da história das Filipinas, é extremamente urgente hoje travar uma luta com toda a determinação para conquistar a aspiração há muito acalentada pelo povo filipino: a verdadeira independência em relação ao controle e à dominação semicolonial dos imperialistas norte-americanos.
O mundo inteiro está sendo abalado pelo aprofundamento da crise global do sistema capitalista e pela intensificação dos conflitos entre as potências imperialistas. Diante disso, a agressão militar dos Estados Unidos torna-se cada vez mais feroz, impulsionada pelo plano maligno de impor sua hegemonia em diferentes partes do mundo para controlar as fontes de matérias-primas e os mercados destinados ao escoamento de seu excedente de mercadorias.
Nas Filipinas, o peso do imperialismo norte-americano sobre o povo filipino torna-se cada vez mais opressivo. Há a presença permanente e as amplas operações de milhares de tropas militares dos EUA em diferentes regiões do país, uma demonstração aberta de seu controle e dominação sobre as Filipinas. Os Estados Unidos exibem incessantemente seu poder militar por meio de sucessivos exercícios de guerra. Recentemente, lançaram um míssil Tomahawk de um aeroporto civil na cidade de Tacloban em direção a Nueva Ecija, colocando em risco milhões de filipinos em Manila e em outras áreas sobrevoadas pelo míssil em baixa altitude.
Os EUA utilizam seu controle sobre as Forças Armadas das Filipinas (AFP), particularmente sobre a Marinha Filipina, bem como sobre a Guarda Costeira Filipina, para atuar como escolta ou proteção das forças navais norte-americanas que manobram nos mares ao redor da China. Quase sempre há um gigantesco porta-aviões dos EUA ancorado ou navegando nas águas filipinas. Entre eles está o USS Abraham Lincoln, que atravessou as ilhas filipinas rumo ao Mar do Sul da China antes de seguir para o Oriente Médio para apoiar a agressão dos EUA contra o Irã. Recentemente, a Guarda Costeira dos EUA realizou uma “patrulha” no Banco de Scarborough, a milhares de milhas da costa norte-americana, com o objetivo de provocar e desafiar a China.
O imperialismo estadunidense controla de forma cada vez mais rígida o regime fantoche de Marcos e a política externa do país. Como papagaios, os funcionários pró-EUA do regime Marcos repetem incessantemente a propaganda norte-americana para justificar a estratégia de “cercar” e “conter a expansão” do poder chinês. O regime Marcos também abriu caminho para o retorno das tropas japonesas às Filipinas em apoio aos EUA, em uma afronta direta ao clamor do povo filipino por justiça diante dos vastos crimes cometidos pelos soldados japoneses durante a ocupação das Filipinas na Segunda Guerra Mundial.
Na economia, os EUA impulsionam de maneira ainda mais agressiva o fortalecimento do controle dos capitalistas norte-americanos sobre os recursos naturais do país, dentro da estrutura do chamado Pax Silica. Os Estados Unidos exigem tratamento especial para as empresas norte-americanas que operarão na “zona de segurança econômica” aberta em Pampanga e Tarlac, destinada ao processamento de minerais e à construção de infraestruturas de alto consumo de água para a inteligência artificial (IA). As empresas norte-americanas — incluindo suas associadas do complexo militar israelense — que operarem nessa área não pagarão impostos, não pagarão aluguel de terras e estarão livres do controle e da supervisão do governo filipino. Em conformidade com os objetivos dos EUA, o regime Marcos, sob a liderança das Forças Armadas e do Departamento de Defesa, tem como alvo e está fechando empresas chinesas que possuem fábricas nas Filipinas.
No campo militar, a intervenção dos EUA na guerra contrainsurgente local e no estímulo ao fascismo do Estado reacionário contra o povo em luta está se aprofundando. No âmbito dos exercícios militares Salaknib, tropas estadunidenses realizam treinamentos de “guerra na selva” e “operações de pequenas unidades”, voltados principalmente para operações de contraguerrilha. Os EUA fornecem às Forças Armadas caças a jato, helicópteros, bombas, canhões, drones, sistemas antidrones, rastreadores GPS e outras armas, em uma tentativa desesperada de eliminar o Novo Exército Popular, um dos maiores obstáculos à dominação total do poder norte-americano nas Filipinas. Tropas dos EUA continuam entrando em áreas remotas do interior, incluindo Luzon Central, Bicol e diversas províncias de Mindanao.
O imperialismo dos Estados Unidos alimenta a repressão fascista conduzida pelos instrumentos armados do regime Marcos. Os imperialistas estadunidenses e os oficiais militaristas mais fanáticos sonham acordados que poderão esmagar, por meio da repressão fascista, a resistência armada e não armada das amplas massas populares que lutam pela verdadeira liberdade. A persistência dos esforços e a sólida recuperação das forças do Novo Exército Popular, bem como o amplo apoio popular que recebe em diferentes regiões do país, demonstram que jamais será extinto o desejo do povo filipino por verdadeira liberdade e democracia.
Já se passaram quase oito décadas desde 4 de julho de 1946, quando o imperialismo norte-americano “concedeu” às Filipinas uma falsa independência e estabeleceu um Estado fantoche e fascista. Em conluio com as classes dominantes — a grande burguesia compradora, os grandes proprietários de terras e os burocratas capitalistas — o imperialismo dos EUA lançou as Filipinas na condição semicolonial e semifeudal.
Sob os 80 anos de dominação semicolonial dos Estados Unidos, as Filipinas foram lançadas numa crise econômica sem fim, privadas da oportunidade de se desenvolver com suas próprias forças. Os EUA mantiveram o sistema feudal atrasado e transformaram o país em exportador de matérias-primas baratas. Endividaram o país com empréstimos estrangeiros para promover um crescimento econômico temporário, impondo em troca políticas neoliberais que devastaram florestas, destruíram montanhas, saquearam minerais e se apropriaram de centenas de milhares de hectares de terras. As Filipinas foram utilizadas como uma grande base militar para a imposição do poder norte-americano tanto no país quanto em outras partes do mundo.
No “Dia da Independência”, em 12 de junho, não há razão para comemorar diante da miséria do povo e da opressão exercida pelas forças militares estrangeiras. Durante os 80 anos de dominação semicolonial dos EUA, os monopólios capitalistas norte-americanos apropriaram-se das riquezas do país, enquanto humilhavam e condenavam à fome as amplas massas de trabalhadores e camponeses. Este capítulo da história nacional, que não conduz senão a maiores sofrimentos e privações para o povo, deve chegar ao fim. Todo o povo deve unir-se e impulsionar com determinação a guerra popular pela verdadeira independência, democracia e libertação nacional.
Do Ang Bayan







































































































































