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"Vida Longa à luta da juventude indiana contra a educação neoliberal e o Regime Modi-Shah apoiado pelos EUA!"

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  • há 20 minutos
  • 4 min de leitura

A ILPS elogia a juventude indiana por sua militante luta de semanas em Delhi e por todo o país contra a grave crise de desemprego juvenil e o sistema educacional neoliberal na Índia. Embora os protestos tenham conseguido uma de suas principais reivindicações — a renúncia do Ministro da Educação Dharmendra Pradhan — o governo voltou atrás em outras exigências mínimas, como a extinção do exame centralizado NEET (National Eligibility cum Entrance Test), a retirada dos processos contra manifestantes e a indenização às famílias de estudantes que cometeram suicídio. A Liga convoca seus membros a apoiar a juventude anti-imperialista e democrática da Índia, que continua despertando, organizando e mobilizando contra todos os planos neoliberais, como a Nova Política Econômica (NEP) de 2020 da Índia, e contra todas as demais questões que continuam a assolar o país, causadas pelo imperialismo estadunidense em aliança com o regime fascista hindutva de Modi-Shah.

 

Um vazamento governamental das questões do exame anual NEET, feito por funcionários corruptos, levou o Estado a cancelar as provas sem o devido reembolso, forçando os estudantes a pagar uma nova taxa de inscrição. Isso resultou no suicídio de 22 estudantes devido ao estresse e aos altos custos da reaplicação. Desde os anos 90, o sistema educacional indiano tem se tornado cada vez mais privatizado e voltado ao lucro, empurrando os estudantes para uma cultura hipercompetitiva à medida que os custos sobem, a corrupção aumenta e os serviços se deterioram. Com a redução contínua das oportunidades de emprego após a formatura, decorrente do declínio da economia indiana, a juventude ficou presa em uma espiral descendente tanto econômica quanto mental.

 

Em vez de demonstrar solidariedade à condição da juventude indiana, o Presidente do Supremo Tribunal, Surya Kant, referiu-se aos jovens desempregados que criticavam o governo como “baratas” e “parasitas da sociedade”, o que provocou, em resposta, a criação de um amplo movimento sob a bandeira do “Cockroach Janta Party” (“Partido do Povo Barata”) entre os jovens. Pouco depois, o Cockroach Janta Party deu início a seus protestos em 6 de junho, em Delhi. A eles se somaram organizações de massa da juventude, como (mas não somente) a All India Students' Federation, a Students' Federation of India e a All India Students' Association, que ajudaram a dar estrutura às mobilizações espontâneas.

 

As repercussões foram sentidas em todo o país. Jovens de todas as religiões protestaram lado a lado, marcando o primeiro grande protesto juvenil na Índia em oposição direta ao regime fascista hindutva de Modi-Shah desde os protestos de 2019 contra o Registro Nacional de Cidadãos e a Lei de Emenda à Cidadania (NRC-CAA). Em resposta, a polícia desencadeou brutalidade contra os protestos por todo o país, visando desproporcionalmente jovens muçulmanos em estados como Bengala Ocidental e prendendo mais de 100 jovens em todo o país — mas a luta nas ruas persistiu.

 

Em 25 de julho, os protestos conquistaram a reivindicação básica da renúncia do Ministro da Educação Dharmendra Pradhan, além do “compromisso” do governo de retirar os processos contra os manifestantes e indenizar as famílias dos estudantes que cometeram suicídio. Como era de se esperar, o governo voltou atrás nesses compromissos, com a Ministra-Chefe fascista hindutva de Bengala Ocidental chegando a alegar que os protestos foram “feitos por muçulmanos”. Ainda assim, a juventude permanece firme, e lideranças ligadas ao Cockroach Janta Party estão convocando novos protestos em resposta.

 

Segundo o Banco Mundial, o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos na Índia é de impressionantes 17,7%. Retirando-se o véu, é provável que esse número seja muito maior, já que 90% da força de trabalho indiana é informal — algo que instituições imperialistas como o Banco Mundial contabilizam como emprego no dado acima. Outros relatórios indicam que 40% dos graduados universitários indianos entre 15 e 25 anos, e 20% daqueles entre 25 e 29 anos, estão desempregados. 80% das faculdades e universidades são privatizadas, resultando em grandes aumentos nas mensalidades e taxas. Políticas neoliberais como a recente NEP de 2020 foram aprovadas sob o disfarce de “Aatma Nirbhar” (autossuficiência), termo que na prática significa austeridade no financiamento universitário, em favor da promoção de parcerias público-privadas.

 

Essas condições decorrem da dominação econômica e política da Índia pelos Estados Unidos. Desde a crise do balanço de pagamentos de 1991, a Índia passou a aceitar empréstimos do FMI que liberalizaram, privatizaram, desregulamentaram e desnacionalizaram sua economia, agravando sua já subdesenvolvida sociedade semifeudal e semicolonial. À medida que a crise se aprofundava, forças fascistas hindutvas como o Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS) e seu partido eleitoral, o Bharatiya Janata Party (BJP), tomaram o poder nessa sociedade em decomposição. Em estreita aliança com compradores como Mukesh Ambani e Gautam Adani, a exploração, a pilhagem e a exportação do trabalho, da terra e dos recursos do povo indiano cresceram exponencialmente, gerando superlucros para o imperialismo estadunidense e uma fatia para seus lacaios locais.

 

As manifestações de quase dois meses na Índia são as mais recentes de uma onda de protestos juvenis dos últimos dois anos, conhecida como os “Protestos da Geração Z”, nos quais jovens têm se manifestado contra a piora das condições de vida, a corrupção, o avanço do fascismo e por um futuro melhor em países como Quênia, Indonésia, Filipinas, Bangladesh, Nepal e, agora, a Índia.

 

Uma mudança fundamental ainda é necessária na Índia, mais do que nunca. A ILPS Sul da Ásia convoca seus membros e os membros da ILPS em todo o mundo a continuarem oferecendo solidariedade à juventude indiana que corajosamente se organiza e vai às ruas em busca de uma mudança sistêmica ainda maior — como a extinção da Nova Política Educacional (NEP) de 2020 e do NEET, a dissolução da NTA (responsável pelos vazamentos das provas) e a garantia de educação gratuita e emprego para toda a juventude. O movimento por trás dessas reivindicações tem o potencial de se tornar um movimento de massas ainda mais amplo, capaz de pôr fim ao sistema educacional neoliberal na Índia, a caminho de esmagar definitivamente o imperialismo e toda reação, de uma vez por todas.

 

 

Declaração da Liga Internacional das Lutas dos Povos (ILPS)

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