"O tratamento do movimento revolucionário para a Saúde Mental da sociedade"
- NOVACULTURA.info

- 9 de jun.
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Há mais de 150 anos, Karl Marx e Friedrich Engels já criticavam o sistema capitalista por prejudicar não apenas os salários e as condições de vida da classe trabalhadora, mas também seu bem-estar físico e mental. As características inerentes do capitalismo foram descritas por Engels, no livro A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra, como alienação do trabalho — os trabalhadores separados do produto de seu trabalho, que se transforma em mercadoria capitalista —, isolamento social e desespero. Esses fenômenos são marcados pela brutal indiferença e pelo sentimento de isolamento de cada indivíduo em seu interesse privado, o que enfraquece a solidariedade social e aumenta o sofrimento psicossocial.
Com a chegada do século XXI, à medida que a ordem social se deteriora e o capitalismo alcança seu auge de autodestruição, as condições da saúde mental dos povos em todo o mundo também pioram. O imperialismo já está em plena ofensiva contra a humanidade para mantê-la passiva, acrítica, dividida e distraída.
Posteriormente, a imposição de políticas neoliberais — desregulamentação, privatização e liberalização — facilitada pelo rápido desenvolvimento tecnológico e popularizada por diversas plataformas tradicionais e digitais de mídia, agravou ainda mais os problemas de saúde mental já existentes. O individualismo e o comercialismo tornaram-se as narrativas dominantes. Não é surpreendente, portanto, que a Organização Mundial da Saúde tenha informado que as estatísticas globais de 2023 mostravam que uma em cada oito pessoas sofria de algum transtorno mental.
Nas Filipinas, um estudo realizado pela Câmara dos Representantes, também em 2023, apontou que a incidência de doenças mentais estava entre 11,3% e 11,6%, aumentando dois por cento ao ano. Compare-se isso ao número de profissionais de saúde mental no país, segundo a Associação Psiquiátrica Filipina: 651 psiquiatras, 516 enfermeiros psiquiátricos e 133 psicólogos. As Filipinas contam com apenas dois psiquiatras para cada 100 mil habitantes, muito abaixo da recomendação da OMS de dez psiquiatras por 100 mil habitantes.
Reconhecendo essa situação e entendendo que seus membros não estão isentos dos problemas enfrentados pelo restante da população, o Partido Comunista das Filipinas elaborou um manual de saúde mental destinado a seus membros, quadros e revolucionários filipinos em geral, para orientá-los diante de questões relacionadas à saúde mental e garantir que essas sejam tratadas adequadamente.
O manual surge em meio ao aumento dos ataques fascistas contra as massas, ativistas e revolucionários, bem como diante de uma economia falida que degrada os serviços sociais básicos, incluindo a situação geral da saúde no país. Fatores como nutrição, acesso aos serviços de saúde, número de profissionais e médicos disponíveis e orçamento nacional destinado à saúde — todos em condições precárias — refletem a incapacidade do governo reacionário de reconhecer, quanto mais responder, aos problemas de saúde mental do povo. A maioria dos hospitais não está equipada para receber o crescente número de pacientes com transtornos mentais, especialmente os casos de emergência.
Embora existam fatores naturais envolvidos nas doenças mentais — como predisposição hereditária, efeitos de uma família disfuncional, impactos de outras enfermidades físicas ou consequências de desastres graves —, não se pode negar que o extraordinário aumento da morbidade e mortalidade decorrentes de transtornos mentais em todo o mundo tem sido impulsionado pelo aprofundamento da crise econômica, política e cultural provocada pelo imperialismo.
Nesse sentido, o manual identificou que os fatores estressores mais comuns vivenciados pelos filipinos pobres são causados pela exploração das classes dominantes — fome, insegurança no emprego, ausência de terra para trabalhar, entre outros. O manual também esclarece que, embora esses fatores existam, as pessoas lidam com o estresse de maneiras diferentes. Daí a necessidade de compreender melhor sua condição para responder adequadamente a essas situações, especialmente em períodos de crise e de intensificação dos ataques aos direitos democráticos do povo.
O Manual de Saúde Mental tem como base o Curso Básico de Saúde lançado pelo Partido na década de 1980. A seção dedicada à saúde mental naquela época foi escrita para os oficiais médicos das unidades do Novo Exército Popular (NPA) nas áreas rurais, onde não havia psiquiatras. Em 2000, diante do aumento dos casos entre os camaradas, o Partido decidiu produzir o atual manual de saúde mental. O Partido garantiu que o manual fosse de fácil leitura e adaptável a diversos idiomas locais. Atualmente, ele está em sua segunda edição. No entanto, o Departamento Nacional de Saúde do Partido enfatiza que o manual continua sendo um trabalho em desenvolvimento, à medida que mais informações e experiências práticas de sua utilização são coletadas pelas regiões e conforme novas pesquisas e práticas médicas continuam evoluindo.
Enfrentando os problemas de saúde mental entre os camaradas
O Manual de Saúde Mental reconhece que, assim como o corpo físico, a mente também está sujeita a doenças e fadiga. Embora tenham funções diferentes, corpo e mente estão integrados e, portanto, necessitam de cuidados adequados, como alimentação apropriada, exercícios e descanso.
O estresse nem sempre é negativo. Ele pode ser um mecanismo que ajuda os seres humanos a concluir tarefas e desenvolver novas capacidades. Ainda assim, o manual identifica respostas e sintomas que podem indicar a existência de um transtorno mental ou problema de saúde mental. Entretanto, alerta para a necessidade de distinguir cuidadosamente os comportamentos que são sintomas de problemas de saúde mental daqueles que podem decorrer de problemas ideológicos.
O movimento nacional-democrático está em posição de enfrentar os problemas de saúde mental principalmente devido à sua visão de mundo e compreensão da sociedade, ao método científico que utiliza para formular soluções destinadas a transformar o mundo e aos mecanismos organizativos de que dispõe, como seus coletivos.
O manual apresenta orientações sobre como lidar com camaradas que enfrentam dificuldades para administrar estresse, ansiedade, traumas ou problemas semelhantes. Nos casos em que o coletivo não consiga resolver a situação, recomenda-se procurar um psiquiatra ou médico. Contudo, mesmo quando há acompanhamento profissional, o coletivo deve assumir responsabilidade pela gestão da saúde mental do paciente, especialmente daqueles que passaram por experiências traumáticas.
Houve certa vez o caso de um paciente em uma comunidade indígena remota. Quando um camarada psiquiatra visitou a comunidade, os familiares do paciente solicitaram sua ajuda. O paciente foi diagnosticado com esquizofrenia e depressão. Sabendo que ele não teria dinheiro nem acesso constante aos medicamentos prescritos, o psiquiatra ensinou não apenas o paciente, mas também toda a sua rede de apoio, a administrar sua condição. Essa rede deveria garantir que ele praticasse exercícios adequados, consumisse frutas e verduras, dormisse pelo menos oito horas por dia e, sempre que possível, realizasse consultas com profissionais de saúde.
Esse exemplo destaca a principal diferença entre o tratamento convencional e a abordagem centrada no povo. A maioria dos psiquiatras formados segundo os modelos ocidentais tende a prescrever medicamentos prontamente aos pacientes com problemas de saúde mental. Embora as empresas farmacêuticas certamente se beneficiem disso, os pacientes podem tornar-se altamente dependentes de doses crescentes de medicamentos apenas para conseguir funcionar no cotidiano. Em contraste, a abordagem do movimento revolucionário oferece um tratamento mais completo. Ela busca enfrentar o problema em suas raízes e utilizar os recursos disponíveis na comunidade para encontrar soluções. Essa abordagem integra aconselhamento, medicina alternativa — como fitoterapia e acupuntura —, medicamentos (quando necessários) e métodos organizativos em um plano abrangente de tratamento.
A posição privilegiada do movimento revolucionário para enfrentar a saúde mental
O movimento nacional-democrático está em posição de enfrentar os problemas de saúde mental principalmente por causa de sua visão de mundo e compreensão da sociedade, do método científico que utiliza na elaboração de soluções para transformar o mundo e dos mecanismos organizativos de que dispõe, como seus coletivos.
A adoção dos princípios do marxismo-leninismo-maoismo, uma ideologia científica, ensina a estudar as condições concretas da realidade, tanto do indivíduo na sociedade quanto da sociedade como um todo. Ensina a enfrentar as situações de forma científica, minimizando especulações, ansiedade e medo do desconhecido, fatores frequentemente responsáveis pelo estresse. Mais importante ainda, o marxismo-leninismo-maoismo orienta os revolucionários em seu propósito de vida de perseverar na luta para pôr fim a todas as formas de exploração e opressão contra a classe trabalhadora. Os revolucionários adquirem um sentido mais profundo para a vida, o que lhes dá força para enfrentar dificuldades, sacrifícios e perigos na linha de frente contra o inimigo.
Para um trabalhador sem consciência política, as condições desumanas de trabalho, os baixos salários e os altos preços das necessidades básicas geram desesperança e desespero, sendo frequentemente vistos como fracassos individuais. Mas os marxistas não param aí. Eles vão além e percebem a necessidade e a urgência de transformar essas condições, de organizar e fortalecer suas fileiras e de lutar pela mudança.
A abordagem do movimento revolucionário oferece um tratamento mais completo — buscando as raízes dos problemas e utilizando os recursos disponíveis na comunidade, como aconselhamento, medicina herbal, acupuntura, medicamentos (quando necessários) e métodos organizativos integrados em um plano abrangente de tratamento.
Os revolucionários também possuem coletivos. Eles funcionam como sistemas de apoio durante o trabalho revolucionário e mesmo na vida pessoal. A vida coletiva ajuda os membros a desenvolver atitudes revolucionárias na realização das tarefas e no relacionamento com camaradas e massas. Os coletivos são mecanismos para resolver conflitos e desafios de forma objetiva, afastando-se do subjetivismo. Com uma cultura de cuidado e compreensão, os problemas não são individualizados, mas compartilhados. Juntos, os membros desatam os nós e identificam as causas dos problemas.
Em questões como a saúde mental, o coletivo constitui a primeira linha de defesa. Atua como primeiro respondente para os camaradas ao enfrentarem estresse ou situações difíceis. O coletivo escuta e analisa objetivamente o problema em questão. Em conjunto, são estabelecidos passos concretos e recomendações para resolver as preocupações individuais e coletivas, acompanhando também a implementação dessas soluções.
De modo geral, o trabalho ideológico, político e organizativo aguça a mente dos revolucionários. Seu objetivo não é apenas fazê-los pensar com clareza, mas também utilizar as ferramentas analíticas adquiridas em sua vida cotidiana — na resolução de problemas individuais, no combate ao inimigo e no avanço da revolução. Por meio da investigação social constante e da análise de classe, bem como do planejamento e das avaliações regulares, os camaradas conseguem compreender as causas das vitórias e derrotas e avançar ainda mais rumo à vitória.
A nova edição do manual de saúde mental foi publicada em reconhecimento à necessidade de enfrentar de forma abrangente os desafios de saúde mental entre os camaradas e o povo a quem servem. A vasta força dos revolucionários não é apenas dedicada, mas também saudável, lúcida e firme para que esta prolongada guerra popular alcance a vitória.
Por Mia Andres, no Liberation







































































































































