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História das Três Internacionais

"A ilógica lógica daqueles que querem 'salvar' a Pátria transformando-a em cinzas"

  • Foto do escritor: NOVACULTURA.info
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  • há 11 horas
  • 2 min de leitura

 

Como é possível que um cubano, nascido nesta terra de machetes e versos, possa desejar uma intervenção militar dos Estados Unidos contra sua própria pátria?

 

Essa pergunta nem deveria ser formulada. E, no entanto, aí está, incômoda como um espinho cravado no coração da diáspora.

 

Há quem, do conforto relativo do exílio, tenha chegado a acreditar que as bombas têm endereço e que o fogo só queima o vizinho. Deixaram-se seduzir pela fantasia de que uma invasão virá com flores e não com estilhaços.

 

Acreditam, ou querem acreditar, que o ferro norte-americano distinguirá entre revolucionários e desafetos do sistema social, entre pessoas integradas à construção do presente e do futuro e aquelas que não sentem por isso o menor interesse.

 

A história, essa mestra que não diploma os distraídos, sempre mostrou a mesma verdade: os foguetes não levam nome. Não perguntam de que lado você está. Não respeitam a sua dor. Caem, e em sua queda não distinguem entre uma criança que dorme e um soldado que vigia. Entre uma mulher que cozinha e um militar que defende sua pátria. Entre um idoso que olha para o mar e um combatente que olha para o céu e tenta defender-se e defender os seus.

 

Morrerão crianças. Morrerão mulheres. Morrerão idosos. Morrerão combatentes. De forma mais direta, morrerá o povo cubano, o mesmo povo que esses emigrados dizem querer “libertar”.

 

Essa é a ilógica da lógica: que alguém pretenda salvar sua pátria destruindo-a. Como imaginar que alguém se chame cubano e peça a outro país — ao país que bloqueia, que sufoca, que durante seis décadas tentou subjugar a ilha — que invada, que conclua o trabalho com uma guerra que poderia ser nociva para ambos os territórios.

 

Contra isso devem estar todos os cubanos dignos. Estejam com o sistema ou não. Estejam de acordo com o Governo ou não. Sejam revolucionários ou não. A Pátria não é um documento de identidade. A Pátria é a esquina onde você cresceu, é o café da manhã que o vizinho lhe oferece, é o túmulo de seus avós, é a praia que um dia molhou seus pés. E a Pátria, quando é invadida, não pergunta sua ideologia. Apenas o convoca.

 

Um cubano digno, viva em Cuba ou não, jamais pode apontar a mira para o peito de seu próprio povo. Jamais pode assinar com seu silêncio — ou com seu aplauso — um convite à morte dos seus.

 

Os foguetes não trazem nome. Mas os cubanos de verdade, aqueles que carregam a ilha nos ossos, no peito, sim o têm. E esse nome deve estar sempre, em qualquer geografia, do lado da vida, do lado da Pátria. Quando essa decisão é uma lei da vida, não existe outra margem.

 

Do Granma

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