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"Trabalhadores, defendam seus Sindicatos!"

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    NOVACULTURA.info
  • 10 de jun.
  • 9 min de leitura

 

Trabalhadores, defendam seus sindicatos! Os sindicatos dos Estados Unidos estão agora sob o mais pesado ataque legislativo de toda a sua história. Segundo os últimos levantamentos, havia nada menos que 212 projetos de lei no Congresso destinados a prejudicar os sindicatos de uma forma ou de outra. Muitas legislaturas estaduais também estão abarrotadas de legislação antitrabalhista. Essa barragem antissindical constitui um golpe não apenas contra os sindicatos, mas também contra os próprios fundamentos da democracia americana. Enfraquecer o movimento operário, como faria a adoção de toda ou de uma parte considerável dessa legislação, seria um grande passo em direção ao fascismo. O ataque aos sindicatos, juntamente com a orgia de caça aos comunistas e de incitação à guerra atualmente em curso, são sinais sinistros do crescimento do movimento fascista nos Estados Unidos.

 

As forças por trás da atual ofensiva antissindical no Congresso, nos jornais e no rádio são as grandes corporações de Wall Street, os saqueadores de lucros, os inflacionistas, os opressores do povo negro e os instigadores de toda forma de reação. Seus principais instrumentos políticos são Hoover, Taft, Dewey e Vandenberg. Suas principais organizações são o Partido Republicano e a Associação Nacional dos Fabricantes (National Association of Manufacturers).

 

Esses reacionários querem arrancar o coração do movimento operário, que é a principal proteção dos trabalhadores contra os altos preços, contra os exploradores dos alugueis, contra a superexploração e contra a tirania política. O objetivo dos grandes capitalistas e de seus agentes no Congresso é restabelecer a oficina aberta (open shop), para ditar salários e condições de trabalho conforme lhes convier. Eles anseiam pelo retorno dos “bons velhos tempos”, antes de Roosevelt, quando podiam fazer o que quisessem nas indústrias, no governo e no país em geral.

 

Os empregadores querem destruir os sindicatos para poderem se apropriar de lucros ainda mais fabulosos, assegurar um controle mais rígido sobre nosso país, militarizar mais facilmente os Estados Unidos e impulsionar de forma mais eficaz seu programa imperialista de dominação mundial.

 

Os trabalhadores devem despertar para os perigos contidos nos numerosos projetos antitrabalhistas atualmente diante do Congresso. Isso fica claro ao examinar apenas alguns dos mais perigosos projetos de lei:

 

A proposta do senador Ball de abolir todas as formas de sindicato fechado (union shop), incluindo o desconto sindical em folha, as cláusulas de manutenção da filiação e o sindicato preferencial, reintroduziria a oficina aberta semelhante à escravidão e os contratos “yellow-dog”. Ball pretende lançar o movimento operário de volta uma geração inteira.

 

O projeto do senador Ferguson para criar tribunais do trabalho destinados a tratar disputas salariais acabaria com a negociação coletiva, tornaria os sindicatos impotentes e colocaria os trabalhadores à mercê de juízes tendenciosos. Longos anos de experiência ensinaram aos trabalhadores que os tribunais, tal como são compostos atualmente, não são seus amigos.

 

O projeto O’Daniel, para revogar a Lei Wagner, devolveria aos empregadores o poder de fazer campanha contra os sindicatos dentro de suas fábricas e de aterrorizar os trabalhadores para que não ingressassem em organizações trabalhistas. Esse projeto privaria o trabalho organizado da maior conquista obtida durante o governo Roosevelt.

 

O projeto Smith, para incorporar legalmente os sindicatos sob a legislação federal, daria a políticos corruptos o direito legal de controlar os dirigentes, as políticas e a filiação do trabalho organizado. Seria um longo passo em direção aos sindicatos controlados pelo governo, ao estilo de Mussolini. Desde o início do sindicalismo neste país, os trabalhadores têm lutado resolutamente contra essa incorporação legal.

 

O Projeto Case, entre suas muitas características perigosas, golpearia a Lei Norris-LaGuardia e reintroduziria o uso de liminares judiciais em disputas trabalhistas. Isso teria consequências trágicas para o trabalho organizado e anularia 50 anos de luta operária.

 

A proposta do senador Ball de abolir a negociação coletiva em toda a indústria, se transformada em lei, reduziria os sindicatos à condição de impotentes sindicatos locais de empresa.

 

Vários outros projetos que pretendem submeter os sindicatos às leis antitrustes anulariam a legislação trabalhista conquistada ao longo de gerações e destruiriam os sindicatos como organizações livres.

 

Outros projetos ainda limitariam ou proibiriam a ação política dos sindicatos. Eles constituem uma tentativa de privar os trabalhadores de seus direitos políticos e mantê-los presos aos dois partidos capitalistas. Sua aprovação seria extremamente prejudicial ao movimento operário.

 

O recente apelo do presidente Truman ao Congresso por legislação que proibisse boicotes secundários e greves jurisdicionais seria uma perigosa invasão do governo na vida dos sindicatos. O boicote é uma arma legítima do trabalho, usada há muito tempo; e, quanto às greves jurisdicionais, que são no máximo um mal menor, sua eliminação é tarefa dos sindicatos, não do governo.

 

Os projetos dos senadores Capeheart, Wiley e outros, destinados a proibir o pagamento “portal a portal” ou a confiscá-lo por meio de impostos especiais, negariam aos trabalhadores o pagamento por trabalho realizado para os patrões.

 

A proposta conjunta de cinco congressistas republicanos para impor arbitragem obrigatória aos trabalhadores privaria o trabalho organizado do direito de greve. Tornaria os sindicatos impotentes sob o controle de árbitros injustos. Esse projeto, como os demais atualmente diante do Congresso, exala hitlerismo.

 

A proposta de proibir greves nos serviços públicos colocaria esses trabalhadores na categoria de cidadãos de segunda classe e os privaria de seu poder econômico.

 

A proposta de proibir as chamadas greves de solidariedade privaria os trabalhadores de um direito vital que desfrutam há cem anos.

 

A proposta de proibir os piquetes de massa pelos reacionários do Congresso retiraria dos trabalhadores uma de suas armas mais poderosas contra a quebra de greves.

 

Esses projetos antissindicais, juntamente com dezenas de outros de natureza semelhante atualmente pendentes no Congresso, constituem uma tentativa dos defensores da oficina aberta de Wall Street de fazer o relógio da história andar para trás. Enquanto os sindicatos em todos os outros países avançam gigantescamente e constituem o principal sustentáculo da democracia em seus respectivos países, as corporações dos Estados Unidos tentam arrogantemente privar os sindicatos americanos de direitos que possuem há gerações. Elas os reduziriam à impotência. E, pior de tudo, ao enfraquecer o movimento operário, empurrariam nosso país na direção do fascismo. A ameaça do Congresso aos sindicatos é uma ameaça à democracia de nossa nação.

 

É uma mentira descarada a acusação capitalista de que os sindicatos neste país são fortes demais e precisam ser contidos. Pelo contrário, quanto mais fortes forem os sindicatos, mais forte também será a democracia americana. O perigo para nosso país não vem dos sindicatos fortes, mas das corporações e monopólios excessivamente poderosos e famintos por lucro, organizadores da atual campanha antissindical. Essas organizações gananciosas também são a fonte envenenada de todo desenvolvimento reacionário em nosso país.

 

Também é uma falsidade flagrante afirmar que os sindicatos foram responsáveis pela recente onda de greves. Essas greves foram causadas pela rápida elevação do custo de vida. Esse aumento foi provocado deliberadamente pelos empregadores e monopolistas exploradores que destruíram a OPA e aboliram os controles de preços. Ao defender seus salários, os trabalhadores lutam pelo bem-estar econômico de todo o povo americano. Altos padrões de vida para as massas significam melhores tempos econômicos em geral. Eles também são a única maneira de minimizar os efeitos devastadores das crises econômicas periódicas.

 

Os sindicatos devem ser fortalecidos, não enfraquecidos. O trabalho organizado, no interesse dos trabalhadores e da democracia americana, deve avançar, não retroceder. Os sindicatos devem fortalecer a si próprios e nossa democracia nacional organizando os milhões de trabalhadores não sindicalizados, curando a divisão entre a AFL e o CIO, formando um grande novo partido popular antimonopolista e antifascista, destruindo a KKK e todos os demais movimentos fascistas do país, transformando em lei a essência da Nova Carta de Direitos Econômicos de Roosevelt, forçando o governo a adotar uma política externa de colaboração pacífica com as Cinco Grandes Potências, preparando uma grande vitória popular nas eleições de 1948 e desenvolvendo uma perspectiva de massas para o socialismo nos Estados Unidos.

 

Os sindicatos custaram aos trabalhadores gerações de luta amarga e sofrimento. Milhares de greves difíceis foram travadas para estabelecê-los. Milhões de trabalhadores e suas famílias passaram fome para conquistar o direito à negociação coletiva. Inúmeros trabalhadores foram presos ou até morreram para construir o movimento operário americano. Os sindicatos não são apenas a principal proteção dos padrões de vida dos trabalhadores e da democracia sob o capitalismo; são também organizações fundamentais para a futura construção do socialismo. Os trabalhadores não ficarão parados enquanto milionários parasitários e seus agentes políticos no Congresso destroem o movimento operário. Que ninguém se engane: a classe trabalhadora americana lutará até o fim por seus sindicatos!

 

Trabalhadores, unam-se na defesa de seus sindicatos! O movimento operário, a classe trabalhadora e todo o povo americano devem despertar para o perigo representado pelo ataque de tipo fascista que está sendo desferido contra os sindicatos pelos reacionários no Congresso, pela imprensa abutre e pelos comentaristas de rádio de tendências fascistas. Os trabalhadores e seus aliados políticos — os agricultores, o povo negro, os veteranos, os profissionais liberais, a juventude e as mulheres — devem, unidos, desferir um golpe esmagador nos reacionários defensores da oficina aberta. Não se deve permitir que a Associação Nacional dos Fabricantes se torne o capataz escravista dos trabalhadores americanos.

 

Essa luta contra a reação organizada não deve ser deixada simplesmente nas mãos dos principais dirigentes sindicais, especialmente porque Green, Woll, Dubinsky, Lewis e Hutcheson já se renderam à reação. Todo o movimento operário deve entrar imediatamente em ação. Os trabalhadores devem repelir a ofensiva antissindical de Wall Street por meio de um poderoso contra-ataque próprio. Em todo o país, os sindicalistas estão despertando para o perigo que os confronta. Esse movimento em desenvolvimento deve transformar-se numa verdadeira avalanche de resistência. O trabalho organizado, uma vez despertado, pode esmagar todos os ataques dos destruidores de sindicatos no Congresso. Após a Primeira Guerra Mundial, os capitalistas, repudiando suas promessas oportunistas feitas ao trabalho organizado durante a guerra, desferiram golpes devastadores contra os sindicatos. Mas eles não conseguirão repetir esses êxitos reacionários depois desta guerra. O movimento operário de 15 milhões de membros é a maior conquista obtida pela classe trabalhadora durante o período de Roosevelt, e desta vez os trabalhadores saberão como defendê-lo!

 

Que nenhum trabalhador caia vítima da crença ingênua de que os reacionários no Congresso generosamente consideram os sindicatos como algo garantido e que não desejam — ou não ousam — enfraquecer legalmente o grande movimento sindical. Claro que ousarão fazê-lo, se puderem. Não se deixem enganar pelas promessas de Taft e outros de que adotarão apenas supostas restrições moderadas ao trabalho. Eles pretendem infligir uma séria derrota ao trabalho organizado. E a única coisa que pode impedir isso é uma classe trabalhadora mobilizada. Os reacionários avançarão com sua legislação antitrabalhista até o limite que os trabalhadores lhes permitirem. Disso podemos estar certos. Se os trabalhadores e as demais forças democráticas permanecerem passivos, então a maioria formada pelos republicanos e pelos democratas sulistas defensores do imposto eleitoral no Congresso certamente aprovará legislação que causará grandes danos aos trabalhadores, ao movimento operário e à democracia americana. Os destruidores de sindicatos devem ser detidos imediatamente.

 

Não alimentemos ilusões de que o presidente Truman protegerá os sindicatos contra os ataques dos defensores da oficina aberta no Congresso. Truman é um conciliador da reação capitalista. Ele traiu flagrantemente o programa de Roosevelt, tanto em sua política interna quanto externa. As próprias propostas do presidente para uma legislação antitrabalhista, se aprovadas, seriam altamente prejudiciais ao movimento operário. Além disso, seus planos para colocar um freio no trabalho organizado deram sinal verde para que os reacionários mais abertos apresentassem legislação ainda pior. O trabalho organizado, com o apoio de seus aliados, deve portanto derrotar tanto a legislação antitrabalhista de Truman quanto aquela proposta pelo campo republicano e pelos democratas conservadores.

 

A ação unificada de todo o movimento operário é o caminho para derrotar os inimigos dos sindicatos no Congresso. A AFL, o CIO e as Irmandades Ferroviárias, diante desse grande perigo, devem deixar de lado suas disputas mútuas e unir forças numa luta comum contra os defensores da oficina aberta. Em nível municipal, estadual e nacional, deve haver uma ação unificada do trabalho para barrar a avalanche de projetos antitrabalhistas no Congresso. Todos os sindicatos, em todos os lugares, devem aprovar resoluções de protesto; comissões sindicais devem visitar deputados e senadores; delegações de massa devem ser enviadas a Washington; reuniões de protesto devem ser realizadas; comitês de cidadãos devem ser organizados; e, se necessário, devem ser preparados protestos locais de um dia sob a forma de greves. Os trabalhadores e as amplas massas populares devem demonstrar de forma vigorosa aos destruidores de sindicatos no Congresso, que são instrumentos das corporações, que não lhes permitirão arruinar o movimento operário. Os trabalhadores devem desenvolver um amplo movimento popular de todos os sindicatos em defesa das organizações sindicais. Não existe outro caminho além da submissão a uma derrota esmagadora. Para os sindicatos, a questão é: AÇÃO UNITÁRIA DOS TRABALHADORES — OU DERROTA!

 

Trabalhadores, mantenham-se firmes! Seu pão de cada dia, o bem-estar de suas famílias e o futuro democrático de nosso país estão em jogo! Não cedam um centímetro aos destruidores de sindicatos! Que seu lema seja: “Eles não passarão!” Com fileiras unidas, deem aos monopolistas embriagados pelo poder uma lição merecida! Com sua força irresistível, ensinem aos magnatas de Wall Street que a América não está voltando a sindicatos pequenos e impotentes, mas avançando para um movimento operário cada vez mais forte, mais ativo e mais consciente politicamente. Derrotem todos os projetos antitrabalhistas no Congresso! Defendam os sindicatos!

 

Por William Z. Foster, publicado em um folheto em janeiro de 1947


 

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