Não às tentativas de se calar as vozes democráticas no Brasil!



Uma consequência inevitável da tendência para a fascistização no Brasil tem se manifestado nas tentativas dos reacionários em calar a voz dos defensores das massas oprimidas, das ideias avançadas, e de todos aqueles que ousam denunciar os escândalos do regime criminoso de Jair Bolsonaro e dos militares de pijama.


Um episódio tragicômico que ganhou repercussão em dezembro do ano passado foi o contrato fechado pelo Ministério da Economia com a empresa “BR+ Comunicação” para se produzir uma tal “lista” de personalidades e “influenciadores” das redes sociais que, segundo critérios pelo menos questionáveis, seriam “detratores” do governo Bolsonaro. Incluem-se aí historiadores, youtubers, jornalistas, escritores, e até mesmo parte da intelectualidade reacionária brasileira que possui alguma medida de oposição a Bolsonaro. Houve quem questionasse qual seria o verdadeiro fim deste “contrato” duvidoso, e até mesmo quem apontasse o caso como uma “cortina de fumaça” para acobertar algum esquema de lavagem de dinheiro, ou coisa parecida. Contudo, não podemos deixar de nos atentar – independentemente da veracidade ou não das suspeitas levantadas – para os seguintes fatos: 1) o governo reacionário conhece as pessoas influentes que, em alguma medida, fazem-lhes oposição; 2) o governo reacionário dispõe de recursos materiais para levar adiante uma tentativa de calar as vozes da oposição.


2021 mal começou e já vemos episódios deploráveis semelhantes. Quem acompanha a página NOVACULTURA.info há algum tempo sabe do apreço que temos pela ONG de imprensa Repórter Brasil, importante veículo das vozes democráticas do povo brasileiro e de oposição às classes reacionárias, e que frequentemente utilizamos como fonte para veicular denúncias entre nossos leitores e apoiadores. Entre os dias 6 e 12 de janeiro, a página da Repórter Brasil foi atacada por hackers, que derrubaram o site e causaram instabilidade em seu acesso. No mesmo dia 6 de janeiro, em meio aos ataques, a ONG recebeu um e-mail anônimo com os seguintes dizeres, exigindo que fossem apagadas publicações feitas entre os anos de 2003 e 2005: “Como devem ter percebido vcs passaram por alguns problemas técnicos na ultima data. Para que isso não ocorra novamente removam as materias nas pastas de 2003, 2004, 2005”


No dia seguinte, a sede da ONG sofreu uma tentativa de invasão física. O portão da sede foi arrombado, mas devido à presença de vizinhos, a ação não pôde ser consumada. No dia 8 de janeiro, as ameaças foram feitas em tom de ultimato: “vamos esperar até 11/01 para que atendam nossas solicitações...”. Cinco dias depois, em meio à persistência dos ataques via Internet, as ameaças retornaram, mas feitas desta vez diretamente contra os funcionários da Repórter Brasil, sob formas de intimidação: “Atençao. se não formos atendidos em 48 horas, além do seu site nao ficar no ar, todos os funcionarios que trabalham na sua empresa serao prejudicados. ‘Nobody can be protected from the pass’ [sic]”.


Os ataques recebidos pela Repórter Brasil são muito sérios, e seus funcionários merecem todo nosso apoio. Esta página é uma das mais importantes de nosso país. Faz um trabalho sério de denúncia contra violações ambientais, crimes de grilagem e perseguições contra dirigentes camponeses, violações de direitos trabalhistas e demais.


Outra tentativa de se calar uma voz democrática escolheu como perseguido o advogado popular José Vargas Junior, que, no dia 01 de janeiro de 2021, foi preso no município de Redenção, sudeste paraense, sob a falsa acusação de ter participado do desaparecimento do ex-vereador de Redenção, Cícero José Rodrigues de Souza. Como pretexto para prendê-lo, a polícia utilizou áudios de WhatsApp que ele, em tom irônico e de piada, havia enviado para seu sócio acerca do caso. Este pretexto, porém, não é suficiente para encobrir a verdadeira razão de sua prisão. Trata-se, em verdade, de uma prisão arbitrária contra um defensor do povo, que foi responsável pela defesa dos camponeses da Fazenda Santa Lúcia que, em 2017, foram vítimas do Massacre de Pau D’Arco, que assassinou dez deles em um tiroteio promovido por policiais militares e civis. Vargas esteve à frente da acusação contra os policiais. Porém, quase quatro anos após o massacre, os assassinos dos lavradores permanecem soltos. Enquanto isso, prossegue a prisão arbitrária contra Vargas, cujo pedido de habeas corpus, impetrado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em 4 de janeiro de 2021, fora negado pela Justiça.


Ademais, Vargas não foi responsável apenas pela defesa dos lavradores da Fazenda Santa Lúcia, mas também pela salvaguarda da população indígena Kayapó, cujo território estava sendo invadido por mineradoras. Vargas também esteve à frente de uma vitória emblemática de um processo promovido por lavradores sem-terra contra a grande empresa JBS. Portanto, Vargas é uma referência na luta dos povos oprimidos em uma região marcada pela opressão dos latifundiários e capitalistas, uma das poucas vozes que, corajosamente, denuncia as arbitrariedades dos poderosos. Sua prisão arbitrária, efetuada na frente de sua esposa e filhos, constitui um ataque não apenas contra ele, mas uma ameaça contra todos aqueles que se colocam em defesa das massas trabalhadoras brasileiras.


Em 11 de janeiro de 2021, uma série de organizações e entidades democráticas fizeram um manifesto pela libertação de José Vargas. Pedimos a nossos leitores que convidem suas respectivas entidades, organizações, partidos, associações e demais para assinarem o presente manifesto.



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