"Imperialismo e a Classe Trabalhadora no Século XXI"
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- há 4 dias
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Agradeço a oportunidade de contribuir com algumas reflexões sobre o estado do mundo e o que fazer a respeito.
Karl Marx ensinou que o papel da classe trabalhadora não era apenas compreender o mundo, mas transformá-lo.
Karl Marx e Frederick Engels foram duas das mentes mais brilhantes e cientistas mais notáveis da história humana. Por meio do desenvolvimento histórico do materialismo histórico, demonstraram que a sociedade humana avança por etapas, começando pelo comunismo primitivo, passando pela escravidão, pelo feudalismo, pelo capitalismo, chegando ao socialismo e, por fim, a uma sociedade comunista avançada.
Cada transição foi impulsionada pela luta de classes: escravos contra senhores de escravos, camponeses contra senhores feudais e, em nosso tempo, a classe trabalhadora contra a classe capitalista.
O Desenvolvimento do Imperialismo
O capitalismo evoluiu para o capitalismo monopolista — o imperialismo — no final do século XIX e início do século XX. Lenin, líder da primeira revolução socialista bem-sucedida, na Rússia, e discípulo de Marx, descreveu o imperialismo como um capitalismo parasitário, decadente, violento e moribundo. É a etapa mais elevada e final do desenvolvimento capitalista, marcando a era da revolução socialista.
A decadência do imperialismo, especialmente o dos Estados Unidos, é hoje mais evidente do que nunca. Caracteriza-se por uma crise econômica global crescente, dominação do mundo por monopólios, guerras de agressão sem fim, destruição ambiental, aprofundamento da desigualdade, corrupção desenfreada e o uso crescente do fascismo para suprimir os direitos democráticos e humanos dos povos.
A Luta Global
O capitalismo monopolista — o imperialismo — será finalmente encerrado pelas lutas combinadas da classe trabalhadora, dos camponeses e de outros trabalhadores do mundo. A história já nos deu exemplos: as duas guerras mundiais e a Grande Depressão do século passado levaram à derrubada do capitalismo e à ascensão do socialismo na Rússia, a partir de 1917, depois na China, na Europa Oriental, em Cuba, na Coreia do Norte e no Vietnã, abrangendo à época mais de um terço da população mundial. No mesmo período, muitas outras nações, como as Filipinas, conquistaram independência nominal ou real do imperialismo. Como escreveu Lenin: "O imperialismo é o capitalismo moribundo, a véspera da revolução socialista”.
Socialismo e Contrarrevolução
Desde o início da construção socialista na União Soviética, travou-se uma intensa luta entre o povo revolucionário e aqueles que, internamente, buscavam restaurar o capitalismo. Esses "seguidores do caminho capitalista", apoiados pelo imperialismo, acabaram triunfando sob figuras como Gorbachev, a despeito das enormes conquistas do socialismo — pleno emprego, educação e saúde gratuitas, e a derrota decisiva do fascismo alemão. A restauração do capitalismo na URSS e em partes da Europa Oriental foi um grande retrocesso, mas não encerrou a luta. A Rússia e a China, em vez de se tornarem colônias do imperialismo norte-americano como se pretendia, tornaram-se seus concorrentes capitalistas. Por meio de mecanismos como os BRICS, constroem um arcabouço global alternativo que desafia a dominação dos EUA e o sistema imperialista, atualmente centrado em Washington, Bretton e Bruxelas.
Contradições do Sistema Imperialista
As principais contradições do imperialismo moderno incluem: o conflito entre a classe capitalista monopolista e a classe trabalhadora nos países imperialistas; os conflitos entre as próprias potências imperialistas; a luta entre o imperialismo e as nações e povos oprimidos do Sul Global; o conflito entre o imperialismo e as nações que afirmam sua independência ou buscam o socialismo.
Essas contradições se intensificam sob o peso da crise econômica, política e ecológica. A crise econômica de 2008 expôs a fragilidade do sistema; hoje, a dívida global supera em muito o PIB total. A globalização neoliberal apenas agravou a desigualdade, concentrando o capital em cada vez menos mãos e empobrecendo bilhões de pessoas. O próprio planeta arde sob a lógica do lucro do capital fóssil.
Enquanto isso, o imperialismo norte-americano, outrora aparentemente incontestável, perdeu ou fracassou em praticamente todas as grandes guerras que iniciou desde 1950. Sua dependência de representantes como Israel, Ucrânia e redes terroristas armadas reflete a crescente fraqueza do imperialismo.
O Caminho à Frente: Construindo a Frente Unida Anti-Imperialista
Diante dessa realidade, as condições são cada vez mais favoráveis ao crescimento das lutas anti-imperialistas, democráticas e socialistas. Em todo o mundo — das Filipinas, da Índia e da Turquia ao Curdistão e à Palestina — os povos lutam pela libertação nacional e pelo socialismo.
Nossa tarefa histórica permanece: construir a mais ampla frente unida possível contra o imperialismo norte-americano e seus aliados, exigir a dissolução da OTAN e fortalecer a solidariedade global entre os povos do mundo.
Esse trabalho é desenvolvido pela ILPS, que eu e outros representamos nesta conferência. A ILPS tornou-se uma das maiores e mais significativas organizações populares democráticas e anti-imperialistas do mundo.
A ILPS foi fundada em 2001 e cresceu para mais de 400 organizações populares de massa, distribuídas por todos os continentes, em aproximadamente 50 países da Ásia, América Latina, África, Oriente Médio, América do Norte, Canadá e Europa.
Parte de nossa resistência e da construção de uma ampla frente unida anti-imperialista é a restauração e o fortalecimento das organizações da classe trabalhadora e a reconstrução de sindicatos militantes e anti-imperialistas.
ORGANIZANDO PARA O FUTURO: O SINDICALISMO EM DECLÍNIO E A LUTA PELA RECONSTRUÇÃO
Introdução: A Crise Global do Sindicalismo
O sindicalismo, outrora o coração pulsante da luta da classe trabalhadora, enfrenta uma crise profunda. Das fábricas da Europa aos call centers da Austrália, a densidade sindical caiu, as greves tornaram-se raras e a ação coletiva perdeu sua ressonância cultural. Nas chamadas "democracias avançadas", a erosão foi particularmente acentuada.
Na Austrália, a densidade sindical no setor privado caiu abaixo de 9%. Setores outrora poderosos, como telecomunicações e manufatura, foram destruídos. No setor de TIC, a transição de grandes empregadores públicos para empresas transnacionais fragmentadas destruiu a base industrial da qual os sindicatos dependiam.
O LONGO DECLÍNIO: FALHAS ESTRUTURAIS E ESTRATÉGICAS
Neoliberalismo e o Ataque ao Trabalho
A ofensiva neoliberal das décadas de 1970 e 1980 provocou um ataque ideológico e político total ao trabalho organizado. Figuras como Thatcher, Reagan e, na Austrália, Hawke e Keating defenderam a desregulamentação, a privatização e a supremacia do mercado.
Na Austrália, o Acordo de Preços e Rendimentos de 1983, entre o Conselho Australiano de Sindicatos (ACTU) e o governo trabalhista de Hawke, embora apresentado como progressista, efetivamente disciplinou os sindicatos e centralizou as negociações coletivas — onde salários e condições de trabalho passaram a ser negociados em nível nacional ou setorial, frequentemente envolvendo sindicatos, empregadores e representantes do governo. Seus objetivos eram garantir padrões uniformes entre os setores e reduzir as disparidades salariais, institucionalizando a contenção salarial. Essa política de "consenso" trocou a luta de classes pela consulta, abrindo caminho para décadas de recuo.
Na Austrália: Marcos Jurídicos Hostis
A Lei do Trabalho Justo de 2009, introduzida pelo governo trabalhista de Rudd — o chamado "governo trabalhista" —, foi vendida como uma alternativa justa à então chamada Lei WorkChoices. Na prática, entrincheirou restrições às greves, impôs obstáculos processuais e legalizou um modelo estreito de sindicalismo que priorizava a conformidade em detrimento da força coletiva. Quando o Sindicato de Comunicações, Elétrica e Encanamento (liderado pelo Sindicato dos Trabalhadores Elétricos) levou as violações australianas das convenções fundamentais da OIT à Organização Internacional do Trabalho, o Comitê de Peritos decidiu a favor dos sindicatos — confirmando que a legislação australiana não garante o direito de greve e a liberdade de associação. No entanto, o governo Albanese, como seus predecessores, ignorou a decisão. A hostilidade bipartidária a sindicatos fortes permanece uma característica definidora do sistema político australiano.
A Força de Trabalho Fragmentada: De Bastião à Precariedade
O sindicalismo do pós-guerra prosperou em indústrias grandes e centralizadas — manufatura, transporte, construção, telecomunicações — frequentemente de propriedade pública e fortemente regulamentadas. A privatização nas décadas de 1980 e 1990 destruiu esse modelo. As telecomunicações, outrora uma potência do setor público, foram lançadas na bolsa de valores e desmontadas.
O trabalho em TIC tornou-se precário — transferido para o exterior, casualizado ou disfarçado por meio de "emprego por ABN" e plataformas gig. O resultado é uma força de trabalho dispersa, individualizada e difícil de organizar. Para os sindicatos, isso significa que novas estratégias e tecnologias são necessárias para alcançar os trabalhadores onde eles estão — online, móveis e globais.
RECONSTRUINDO O PODER SINDICAL NO SÉCULO XXI
Organização Digital
À medida que o local de trabalho migra para o ambiente online, precisamos nos adaptar. Plataformas de mensagens, transmissões ao vivo e ferramentas de mobilização digital tornaram-se auxílios essenciais para a organização.
Dados, IA e Campanhas Preditivas
A inteligência artificial e a análise de dados podem ajudar a identificar oportunidades de organização, expor a exploração e automatizar tarefas administrativas repetitivas — permitindo que os organizadores se concentrem nas pessoas, não na burocracia.
A campanha preditiva é uma estratégia moderna de campanha política que utiliza análise de dados, inteligência artificial e modelagem preditiva para prever como indivíduos ou grupos tendem a se comportar — por exemplo, como podem votar, fazer doações ou se engajar com mensagens políticas — e então adapta os esforços de campanha de acordo.
Reforma Legal e Campanhas de Massa
Os sindicatos devem continuar lutando pelo direito irrestrito de greve, pelo reconhecimento sindical mais fácil, pela negociação setorial, pela proteção dos trabalhadores gig e pela implementação das convenções da OIT.
Organização no Nível do Local de Trabalho
Os fundamentos permanecem atemporais: identificar líderes orgânicos, construir poder coletivo e conquistar melhorias concretas em salários, segurança e dignidade.
Construindo Amplas Coalizões
O sindicalismo não pode existir isoladamente. Alianças com movimentos ambientais, antirracistas, feministas, anti-imperialistas e de moradia são essenciais. Um movimento pela democracia econômica deve unir as lutas de trabalhadores, inquilinos, estudantes e comunidades.
Conselhos de Trabalhadores e Organização Comunitária
Em países como a Austrália, onde a densidade sindical caiu para cerca de 10%, a classe trabalhadora organizada representa hoje apenas uma fração da força de trabalho do setor privado. Esse declínio sublinha a necessidade de novas formas organizacionais capazes de reconstruir o poder coletivo a partir de baixo. Um possível caminho é a formação de Conselhos de Trabalhadores e cooperativas comunitárias enraizadas na autoajuda, na solidariedade e na participação democrática.
Os Conselhos de Trabalhadores poderiam ser formados em subúrbios, regiões e comunidades locais — espaços onde os trabalhadores já vivem, e não apenas onde trabalham. Esses conselhos não substituiriam os sindicatos, mas os complementariam e reforçariam. Poderiam atuar como comitês de organização, abordando tanto questões pequenas quanto grandes — desde queixas locais de trabalho e lutas contra o custo de vida até campanhas mais amplas sobre moradia, transporte, saúde, guerra anti-imperialista e justiça climática.
Ao combinar iniciativas de autoajuda — como cooperativas alimentares, redes de ajuda mútua ou projetos locais de creche — com organização e educação política, os Conselhos de Trabalhadores podem reconstruir confiança, confiança e solidariedade entre trabalhadores há muito isolados pelo atomismo neoliberal.
É importante destacar que tais conselhos podem operar tanto localmente quanto online, conectando trabalhadores dispersos e precários que, de outra forma, jamais encontrariam organizadores sindicais. Com o tempo, poderiam formar a espinha dorsal de uma nova infraestrutura de movimento — uma base social e política capaz de nutrir futuros membros sindicais, desenvolver lideranças e reacender a consciência de classe.
Reconstruir o sindicalismo exigirá imaginação além da luta. Os Conselhos de Trabalhadores representam um possível caminho prático e democrático para revitalizar o poder coletivo da classe trabalhadora.
Mulheres, Direitos Trabalhistas e a Luta pela Igualdade
As mulheres sempre desempenharam papel central nas lutas contra o capitalismo e o imperialismo, tanto na produção quanto nos movimentos populares mais amplos. No entanto, continuam a suportar o peso maior da exploração e da insegurança criadas pelo capitalismo monopolista. A crise da produção globalizada empurrou milhões de mulheres para o trabalho precário, mal remunerado e informal. Em fábricas, fazendas e indústrias de serviços, as mulheres são frequentemente as primeiras a ser contratadas quando se necessita de mão de obra barata e as primeiras a ser demitidas quando as crises chegam.
A reestruturação neoliberal nas últimas quatro décadas minou direitos trabalhistas conquistados duramente ao longo de gerações de luta. A feminização do trabalho — o aumento da participação das mulheres em condições exploradoras — tem sido uma característica central do capitalismo global. Trabalhadoras em zonas de exportação, serviço doméstico e trabalho de cuidado frequentemente enfrentam longas jornadas, roubo de salário, falta de representação sindical e assédio. Em muitos países em desenvolvimento, a ausência de creches, licença-maternidade remunerada e proteção social reforça a dependência e a vulnerabilidade das mulheres.
Mulheres migrantes e refugiadas vivenciam as formas mais severas de exploração. Das empregadas domésticas do Oriente Médio e do Leste Asiático às trabalhadoras sazonais agrícolas e de cuidado na Europa e na Austrália, milhões de mulheres são forçadas a migrar pela pobreza e pelo deslocamento causados por guerras imperialistas e políticas econômicas. Essas trabalhadoras são frequentemente privadas de direitos básicos, excluídas das leis trabalhistas e submetidas a abusos sem praticamente nenhum recurso à justiça.
Conclusão: A Esperança É Organizada
O declínio do sindicalismo não é natural nem inevitável — é produto de políticas deliberadas, hostilidade patronal e, às vezes, complacência dos próprios sindicatos. Mas o espírito de solidariedade persiste. Uma nova geração de trabalhadores, que enfrenta empregos inseguros, moradia inacessível e colapso climático, está pronta para lutar — se formos ao encontro deles onde estão.
A tarefa diante de nós é oferecer não apenas uma carteira de associado, mas um movimento.
O futuro do sindicalismo não se parecerá com o passado — mas pode ser poderoso. E deve ser.
Discurso de Len Cooper, Presidente da Liga Internacional da Luta dos Povos (ILPS) proferido na Conferência Global de Estudos dos Trabalhadores | Katmandu, Nepal | 28 a 30 de outubro



































































































































