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França em chamas contra a Reforma da Previdência



“Protestos são normais, mas nada justifica a violência em uma sociedade democrática”. Dessa forma cínica o presidente da França, Emmanuel Macron, comentou a mobilização dos trabalhadores franceses que lutam desde janeiro contra mais uma Reforma da Previdência imposta pelos governos dessa potência decadente.


Na tão cantada democracia francesa, a qual coleciona fracassos de sua intervenção imperialista na África enquanto alimenta o racismo contra os imigrantes em seu solo, Macron em uma visita pública foi recebido por protestos, no qual duas pessoas foram presas pela violenta ação de erguer um cartaz exigindo a sua renúncia.


Em janeiro, a primeira-ministra Elisabeth Borne apresentou um projeto com mudanças nas regras da Previdência Social, que aumenta a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos, além de impor mais regras para que os trabalhadores franceses possam conseguir sua pensão integral no final da vida e também dificultar o acesso as aposentadorias especiais para algumas categorias.


Mesmo diante dos inúmeros protestos e greves que tiveram início desde o anúncio e as pesquisas de opinião pública que demonstram a condenação do povo francês contra mais esse ataque aos direitos conquistados pelas lutas operárias – 69% dos franceses rejeitam a nova reforma, e 59% apoiam os protestos – a Reforma da Previdência avançou no Senado, e na hora de sua votação na Assembleia Nacional, diante da sua falta de maioria, o governo de Macron usou artifícios para impor goela abaixo a aprovação.


Mesmo sob protestos dos parlamentares, a primeira-ministra Elisabeth Borne utilizou de um dispositivo da Constituição para anunciar a aprovação compulsória da reforma, sem passar pela votação dos deputados eleitos, com o velho discurso de salvar as aposentadorias do futuro, arrancando mais contribuições dos trabalhadores e trabalhadoras.


É a velha hipocrisia das democracias burguesas, enquanto usam da retórica para atacar outros países e seus governos não alinhados aos seus interesses pela falta de democracia e direitos para justificar suas agressões imperialistas, em sua casa atropelam qualquer processo democrático para salvar a sua burguesia da crise capitalista e fazer com que seu povo pague a conta.


Mas evidentemente a classe trabalhadora francesa não aceitará esse ataque às aposentadorias de modo passivo, como infelizmente ocorreu aqui no Brasil. Como o exemplo dos trabalhadores da limpeza urbana de Paris, que cruzaram os braços no último mês em protesto contra a reforma e se recusam a voltar a trabalhar enquanto a proposta não for retirada. E a força da categoria foi demonstrada diante do cenário que a capital francesa se tornou, com toneladas de lixo não recolhidas pelos grevistas.


As manifestações e greves organizadas pelos sindicatos desde o anuncia da Reforma da Previdência foram potencializadas depois da medida autoritária do governo de impor goela abaixo a proposta. Explosões de protestos espontâneos dos trabalhadores franceses tomaram conta de toda a França, se espalhando por mais de 200 cidades. E diversas categorias, como os petroleiros, estão fazendo greves políticas contra as medidas do governo Macron.


E como não poderia deixar de ser, o democrata Macron deixou claro que a única resposta contra a justa reivindicação dos trabalhadores será a dura repressão do Estado burguês. Houve um aumento inédito de milhares de policiais na capital e principais cidades para enfrentar os combativos manifestantes que estão queimando lixeiras, obstruindo vias e reunindo centenas de milhares de pessoas há dias na França. Segundo o governo, cerca de 200 manifestantes já foram presos em confronto com a democrática polícia francesa.


Diante da intransigência de Emmanuel Macron e sua imposição dos ataques, fica mais uma vez clara o verdadeiro caráter da democracia burguesa para os trabalhadores.






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