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O problema do “amiguismo” no movimento estudantil


Uma questão que percebi ao longo de minha experiência no movimento estudantil em uma universidade pública brasileira e que não é apontada e discutida por qualquer sujeito ou organização política é o que chamo de “amiguismo”: uma conduta que ao meu ver entrava o amadurecimento, o desenvolvimento do movimento estudantil no que se refere à sua politização e atuação prática e efetiva contra a ordem dominante (este fenômeno também, é claro, um reflexo das condições em que se encontra o movimento popular e democrático de modo geral na atualidade, que não pretendo tratar especificamente neste texto).

O “amiguismo” é uma relação que as organizações políticas oportunistas, sejam grupos, partidos, coletivos, etc., mantém com as massas de estudantes que não estão organizadas politicamente, onde estas são próximas daquelas não pela defesa de sua linha política, mas por amizade com os integrantes de tais organizações. O problema em si não está na relação amistosa dos militantes destas organizações com o resto dos estudantes, mas sim em como esta relação acaba sendo utilizada por tais agrupamentos para ganharem força dentro do movimento, entravando-o, seja dando a linha nos estudantes ou trazendo-os para dentro de suas fileiras. Isso explicita não só o caráter oportunista dessas organizações da ordem como também o “amiguismo” no seio destas – seus membros compõem este ou aquele partido ou coletivo não por defenderem com convicção e sem vacilação suas posições, seu prog