Kalinin: "O ensino dos fundamentos do marxismo-leninismo nas Escolas Superiores"

Camaradas: O papel decisivo desempenhado pela União Soviética na conquista da vitória sobre o fascismo, bem como o poderio militar e econômico demonstrado por nosso país na segunda guerra mundial, como é notório, constituíram uma surpresa para muitas pessoas no estrangeiro. Muitos ficaram assombrados e alguns até desagradavelmente surpreendidos. Mas fatos são fatos. E hoje eles são reconhecidos não só por nossos aliados, mas também por nossos inimigos — por toda a humanidade.
Podemos dizer também que foram reconhecidos em todo o mundo a genialidade do chefe do povo soviético e o talento de seus colaboradores no terreno político, diplomático e militar, econômico, cultural e organizativo.
As grandes vitórias do povo soviético na Guerra Patriótica causaram uma profunda impressão no público estrangeiro e originaram uma verdadeira viragem em sua atitude para com a União Soviética. Hoje, não existe em todo o globo terrestre um país que desperte tão profundo interesse no estrangeiro e que seja observado com tanta atenção como o nosso. Muita gente de além fronteiras, que antes dava crédito a todas as fábulas caluniosas a respeito da União Soviética, renunciou ao conceito que tinha de nosso país como de uma espécie de Estado “totalitário”, isto é, um Estado onde se enclausura toda ideia e toda atividade independente do homem.
O mundo inteiro pôde ver com seus próprios olhos que, nos momentos mais difíceis para nosso país, as forças criadoras, a iniciativa e o engenho de nosso bem dotado povo desdobraram-se com extraordinária amplitude e da maneira mais completa. Pôde-se observar tudo isto não só na direção da guerra, mas também, literalmente, em todos os setores da vida do Estado. Existe um único país, entre os mais democráticos do estrangeiro, que conheça algo parecido? Tudo isto consternou a alguns e despertou em outros um profundo interesse e o desejo de estudar atentamente o sistema soviético, de conhecer suas instituições e seus homens. E o heroísmo de nosso exército, sua luta abnegada e seu inaudito valor na defesa da União Soviética? E o heroísmo revelado no trabalho por nossa retaguarda, o esforço intenso e abnegado das mulheres, dos adolescentes e dos velhos, muitos dos quais já estavam aposentados, mas retornaram voluntariamente ao trabalho nos dias da guerra? Pode haver algo de parecido em qualquer outro país democrático? Pode conceber-se isto em outro país que não seja a encarnação da democracia genuinamente popular? Tudo isto demonstra que nosso povo é absolutamente fiel ao Poder Soviético, que lutou e sempre está disposto a lutar até o fim, até a última gota de sangue, pelo regime soviético. Tudo isto não podia deixar de fixar na União Soviética a atenção do resto do mundo.
Que acontece em nosso pais?
A sangrenta guerra, cheia de mortal perigo para nossa liberdade, independência e existência como Estado, demonstrou ao nosso povo, inclusive aos mais atrasados das províncias remotas, que se não fosse o Poder Soviético, a construção do socialismo na URSS, se não fosse a direção do Partido Comunista e do camarada Stalin, a coisa teria terminado com uma terrível catástrofe. Nosso povo não teve jamais como tem agora tão plena consciência de todas as vantagens e da superioridade desta nova democracia que ele edificou com suas próprias mãos.
Certamente, ainda não surgiram na história circunstâncias mais favoráveis para a assimilação da doutrina marxista pelas vastas massas trabalhadoras. Com efeito, se em momentos de grande adversidade o povo deu provas duma fidelidade tão profunda à União Soviética e se fundiu tão solidamente com o regime soviético (que se baseia ideologicamente na doutrina de Marx, Engels, Lenin e Stalin), compreende-se muito bem que, do ponto de vista histórico, o momento atual é o mais favorável para a propaganda do marxismo-leninismo.
Em linhas gerais, são estas as condições em que nós, propagandistas do marxismo, temos de trabalhar.
Já que aqui se reuniram pessoas que, por sua especialização, por seu trabalho, estão chamadas precisamente a difundir as ideias comunistas entre as massas, eu quisera expor perante elas quais são as formas e os melhores métodos para propagar com maior eficácia as ideias comunistas entre os operários, os camponeses, os intelectuais e, especialmente, entre a juventude.
O ensino do marxismo-leninismo e das ciências afins é uma obra difícil, mas ao mesmo tempo muito fecunda. Lenin dizia que a doutrina marxista atrai principalmente porque, duma parte, é a mais científica e, de outra, é revolucionária. O ensino do marxismo-leninismo pode realizar-se de duas maneiras: uma criadora e a outra, diria eu, abstrata.
Em que se diferencia o método criador, método singularmente difícil, do abstrato? O ensino abstrato significa tomar o livro, assinalar com a unha “daqui até aqui”, obrigar a ler e em seguida perguntar o que foi lido aos estudantes. Este é o método que dá menos resultados, tanto na escola, como na propaganda e agitação. Quanto mais abstrato é o discurso dum propagandista ou agitador, quanto mais seus pensamentos se distanciam dos objetos concretos, menor é a impressão que produz.
As pessoas podem assimilar a doutrina marxista dum modo simplesmente mecânico ou então de um modo consciente, diria eu, orgânico. Nós, os marxistas, devemos aspirar a que o máximo possível de pessoas aprenda conscienciosamente a doutrina marxista, a compreenda e assimile a fundo.
Por que me detenho aqui no ensino desta ciência? Pela simples razão de que hoje se considera uma tarefa extraordinariamente difícil o estudo do marxismo-leninismo nos centros de ensino superior.
Em certa ocasião estive conversando a respeito com um camarada que ocupa um posto de responsabilidade e lhe fiz a seguinte pergunta: “Que lhe parece? E se tornássemos facultativa em vez de obrigatória esta matéria? Porque, na realidade, o marxismo-leninismo é a matéria mais interessante e necessária para todo homem culto e pode servir de base para as conferências mais amenas. No meu entender, os estudantes devem apinhar as aulas onde se ensina esta matéria”. Meu interlocutor pensou um pouco e logo me respondeu: “De acordo, mas seria necessário esperar um pouco, até que disponhamos de mais conferencistas capazes de tomar esta matéria realmente atraente para os estudantes”. (Risos.)
Esta conversação evidencia que, atualmente, ergue-se diante dos professores de marxismo-leninismo uma ingente tarefa, melhorar o ensino, dominar métodos criadores de ensino desta matéria, uma das mais atraentes.
O marxismo-leninismo é a ciência autêntica que estuda a sociedade e as leis de seu desenvolvimento. É claro que, aparentemente, de modo formal, uma pessoa pode aprendê-la com rapidez. Mas o essencial consiste no modo de fazê-lo.
Em certo sentido, o estudo do marxismo-leninismo se parece ao da matemática. Esta é uma ciência abstrata, senão a mais abstrata de todas. Mas, como se ensina esta ciência? No princípio, os alunos estudam as regras e logo depois se manda que resolvam problemas concretos, puramente práticos. Pois bem, o estudo do marxismo-leninismo também deve ser reforçado com fatos concretos, com exemplos da vida real.
Sabeis, camaradas, que alguns professores de história, por exemplo, repetem simplesmente fatos e datas, enquanto outros trazem novos dados e novos fatos em cada conferência, comparam o velho à realidade atual, destacando a diferença entre o presente e o passado. E somente quando se aborda assim o estudo da história é que a gente pode afeiçoar-se ao estudo desta disciplina e aprofundar-se nela.
O marxismo-leninismo, mais que qualquer outra matéria, exige — permiti-me a expressão — que suas teses fundamentais sejam sempre apoiadas em fatos e problemas concretos. Não basta aprender a doutrina marxista como uma matéria; além disso, é preciso dominar o método, aprender a aplicá-lo ao interpretar os fenômenos sociais. Isto é o mais importante. Um homem pode chegar a conhecer a doutrina, assimilar o marxismo até certo ponto, mas não saber aplicá-lo ao analisar os fenômenos sociais. Isto é muito mais difícil. Mas, na verdadeira acepção da palavra, o marxista é tanto mais valio