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Fidel: "A Juventude é como o termômetro que aponta para a justiça"



Esta é a terceira ocasião em que nos reunimos depois do fim da campanha de alfabetização, há menos de um ano. Neste caso nos reúne a culminação feliz de um importante esforço e de um passo de avanço revolucionário na organização da massa estudantil: o Congresso da União dos Estudantes Secundaristas que acaba de ser efetuado (APLAUSOS).


Para nós não é nada estranho o entusiasmo de vocês; não é nada estranha a presença verdadeiramente multitudinária, entusiástica e revolucionária de nossos estudantes, de nossos jovens. E apesar de ser jovens, contudo, já vocês têm história nesta Revolução (EXCLAMAÇÕES E APLAUSOS)


Dizia-lhes que apesar de ser jovens, nossos estudantes já têm história em nossa Revolução, já adquiriram o respeito e a consideração, além do reconhecimento e da admiração do nosso povo, porque foram vocês precisamente os que tornaram possível o sucesso de uma das maiores empresas revolucionárias que se empreendeu nunca. A liquidação do analfabetismo em nosso país no término de um ano (APLAUSOS).


Nós sabemos que a Revolução conta com algo seu muito seu, com o calor e o entusiasmo dos jovens; nós sabemos que toda a fé e toda a confiança que depositemos nos nossos jovens nunca será muita; nós sabemos que o que a Revolução peça a vocês, que o que a Revolução exija de vocês, sempre o terá de vocês. Por isso não duvidou o Governo Revolucionário quando projetava a campanha de alfabetização, ao solicitar os alfabetizadores voluntários; não duvidou ao reunir aquele extraordinário número de 100 mil brigadistas, que foi superado em mais 3 mil, daquela meta tão alta (APLAUSOS).


E quando a Revolução solicitou a presença dos estudantes, quando a Revolução deu ou assinalou aquela meta, nós estávamos certos de que seria cumprida, nós estávamos certos de que os jovens responderiam, porque estávamos certos de que aquela empresa com a ajuda deles sairia na frente. E estávamos certos porque sabemos que uma causa tão extraordinariamente justa como é uma revolução, que uma empresa tão extraordinariamente nobre como é uma revolução, que uma batalha tão extraordinariamente heroica como é uma revolução, não teria, naturalmente, nunca o respaldo dos acomodados, dos cobardes, dos fracos, dos envelhecidos, dos privilegiados, mas teria sempre, sempre, infalivelmente, o respaldo do mais puro, do mais virgem, do mais vivo, do mais promissório do nosso povo. E isso são vocês, nossos jovens (APLAUSOS PROLONGADOS), que olham a vida como algo que está por diante, que olham a vida como algo por fazer e por criar, que olham a vida com otimismo, com esperança, porque da vida esperam muito e porque a vida da nossa pátria também espera muito de vocês.


Jovens temos sido todos, como vocês temos sido nós todos, e momentos diferentes temos vivido nós todos. Vivemos o passado, sofremos o passado, sabemos o que é ser jovem, ser estudante naquele passado, naquele mundo. E por isso sabemos também, calculamo-lo, o que é ser jovem, ser estudante neste momento.


Poderíamos dizer como aquele operário exemplar de uma usina açucareira, premiado por seu esforço, apesar dos seus mais de 60 anos, que na hora de receber seu diploma nos disse, com palavras que saíam realmente da sua alma: “Gostaria de ser jovem para ver marchar a Revolução”. Aquele idoso queria ser jovem e não por outra coisa que para poder acompanhar a Revolução; não por voltar a viver, não por ter ambição alguma, mas simplesmente para ver a Revolução.


(PRODUZ-SE UMA BREVE ALTERAÇÃO NO PÚBLICO). É que eles não têm outra coisa que fazer. Acham que estamos em um comício da época da politiquice (APLAUSOS E LEMAS REVOLUCIONÁRIOS).


Para que vocês vejam, companheiros, que apesar de tudo o que a Revolução modifica e muda o povo e o ensina, ainda há pessoal idiota (EXCLAMAÇÕES). Nós nos deparamos com eles todos os dias. Vamos ver se as gerações futuras têm os parafusos um pouco melhor ajustados (EXCLAMAÇÕES).


Cada minuto da vida nos ensina sempre algo, cada dia, Assim, com a Revolução, nós todos vamos aprendendo.


O que é que nós queremos dos nossos jovens? Dos nossos jovens queremos muito, dos nossos jovens queremos tudo e esperamos tudo; dos nossos jovens esperamos ter o que o país não pôde ter dos nossos jovens no passado. São como dois mundos muito diferentes.


Quando nós éramos estudantes… Bem, quando nós fomos estudantes? Em que era investida a energia do jovem naquele tempo? Boa parte da energia dos jovens era empregada na luta contra os vícios e as mazelas daquele passado, como hoje empregam noutros povos irmãos da América suas melhores energias os jovens estudantes na luta contra as mazelas sociais que lhes coube viver. Nessa luta não só desgastavam suas energias, mas também, muitas vezes, sacrificavam inclusive a vida. Porém, além do mais, era um mundo onde o jovem não contava para nada; era um mundo onde o jovem estava condenado às piores vicissitudes, era um mundo onde a palavra amanhã não existia, a palavra porvir não fazia sentido.


Que é que ia ser da vida de cada um? Ninguém sabia ao certo. Para que o preparavam? Ninguém teria podido dar resposta. Por que se preparavam? Era difícil de responder. E como o ensinavam? Da única maneira que aquele mundo podia ensinar. Aquele mundo ensinava o que dava de si, o que era a essência do seu modo de vida social, o egoísmo, as ambições pessoais, as tendências acomodatícias, a sede de privilégios sociais, os preconceitos, o ódio entre os seres humanos, a luta sem trégua de todos contra todos. Nem nos ensinavam nem nos orientavam, não sabíamos do nosso futuro, nem aquele mundo era capaz de canalizar isso que todo jovem leva dentro, que é força vital, que é entusiasmo, que é sede de futuro, sede de luta, sede de vida; não podia ensinar-nos nada generoso, nem nada nobre, nem podia desenvolver os melhores instintos dos jovens, nem nos davam exemplo, porque o que víamos por todo lado era injustiça, era abuso, era corrupção, era egoísmo, era privilégio.


Aquela sociedade que prestava culto ao dinheiro, à riqueza, que desprezava todo valor moral, aquela sociedade tentava acordar em cada um de nós a ambição de ser rico, a esperança de ser rico; porque o ouro era a medida da consideração social de qualquer cidadão, do poder de qualquer cidadão, da influência de qualquer cidadão, das relações de qualquer cidadão.

Aquela sociedade defendia-se com a mentira, com a mentira de que a todos por igual oferecia a oportunidade de ser ricos. E tentava despertar essa ilusão, quer dizer, tentava despertar em qualquer homem ou mulher a esperança de ser um parasito, a esperança de ser um explorador, a esperança de ser um privilegiado, a esperança de ser um vadio, a esperança de ser um folgazão, a esperança de não trabalhar e de viver do trabalho dos demais.


E naquela sociedade — onde só os mais audaciosos nas suas ambições, ou os mais inescrupulosos, ou os que por seu berço recebiam determinadas condições de vida — uma minoria insignificante da população conseguia atingir essas posições, enquanto a grande massa, a imensa maioria numérica da população nascia, crescia, vivia e morria trabalhando duramente, sofrendo, passando todo o tipo de miséria para sustentar nas suas costas a maioria socialmente privilegiada, a maioria parasitária.


Naquela sociedade os jovens não tinham outro exemplo que a corrupção reinante, a roubalheira desenfreada e todos os vícios que um modo de vida como aquele e só um modo de vida como aquele podia gerar.


Era lógico que os jovens sentissem rejeição por tudo aquilo, era lógico que os jovens se chocassem com aquele mundo, era lógico que os jovens fossem sensíveis àquela situação e tivessem que sofrer as consequências.


Dói aos contrarrevolucionários, dói aos exploradores de ontem, dói aos antigos privilegiados, e ressentem-se do fato de que uma juventude nova se esteja desenvolvendo em meio do processo revolucionário; dói-lhes o enorme, o tremendo apoio que nas massas juvenis tem a causa revolucionária.


Custa-lhes entender isso. Nos seus ódios cegos de clase, para eles o pior que no mundo se poderia ter inventado são as revoluções, a maior catástrofe que podia ter ocorrido é uma revolução. Não concibem como é que os jovens não sentem contra a Revolução o ódio que eles sentem, nem o concibem nem o conseguem explicar; então inventam, inventam a explicação e então dizem que a Revolução doutrina, lava o cérebro dos jovens.


Em primeiro lugar, nenhum cérebro limpo pode ser lavado (APLAUSOS). E se algum cérebro seria preciso lavar, não é o cérebro puro dos nossos jovens, mas sim o cérebro sujo dos parasitos, dos privilegiados, dos retrógrados, dos egoístas (APLAUSOS) que têm a alma endurecida, insensibilizada e suja até a última medula do seu cérebro (APLAUSOS).


É que precisamente o que define a pureza de uma revolução, a formosura de uma revolução e a atração de uma revolução, o brilho como o do Sol de uma revolução, é a atitude dos jovens perante as revoluções, o que define uma revolução é tanto o apoio dos mais sãos, dos setores mais sãos de um país, como o ódio dos setores mais vis e mais corruptos. A juventude é como o termômetro que assinala o rumo da justiça, como a bússola que diz onde está a justiça.

Eles não podem compreender que a juventude esteja com a Revolução, porque os jovens se apaixonam pelo justo, pelo heroico, pelo digno, pelo que tem mérito, pelo que representa sacrifício, por aquilo que é moral e que é limpo (APLAUSOS).


Eles jamais poderão compreender a verdadeira causa do apoio dos jovens a toda causa justa, eles jamais poderão compreender por que 100 mil jovens responderam presente; por que foram para as montanhas, por que foram ensinar os camponeses, por que se afastaram dos seus lares, durante longos meses. Eles jamais poderão compreender por que jovens de 15 e 16 anos manipularam nossos canhões antiaéreos, na altura da histórica batalha de Girón (APLAUSOS).


Eles jamais poderão compreender por que os jovens arvoram, com singular entusiasmo, o lema de irem de novo para as montanhas, desta vez para recolher café. (APLAUSOS).


(OS JOVENS COREIAM LEMAS REVOLUCIONÁRIOS)


Eles nunca poderão compreender por que nossos jovens cantam “Eu não quero uísque, eu não quero chá, eu vou para Oriente recolher café” (APLAUSOS)


(EXCLAMAÇÕES DE: “Que cante! Que cante!”)


Eles nunca poderão compreender… (EXCLAMAÇÕES DE: “Que cante!”)


Não, não. O céu não me deu a mim uma boa voz (EXCLAMAÇÕES).


Os reacionários são culpados de que eu não saiba cantar, porque eu estudei em um colégio de reacionários e não me ensinaram nada disso. Nós agora estamos preparando instrutores de arte e tal, para que ensinem cantar os jovens (APLAUSOS).


A massa sente interesse pelas coisas que temos que discutir aqui, e os problemas que temos que expor aqui, e as coisas sérias, as coisas fundamentais; não as questões engraçadas, não as questões superficiais (APLAUSOS).


Não fiquem agora incômodos os delegados (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”). naturalmente, não se esqueçam de que vocês foram escolhidos pela massa e entre os melhores, de maneira absolutamente democrática. Portanto, têm que responder a essa confiança que a massa depositou em vocês (APLAUSOS) e continuar trabalhando tão bem da mesma forma em que trabalharam durante estes dias: com a mesma seriedade, a mesma responsabilidade e a mesma maturidade com que vocês os delegados ao congresso da UES — UES, não US, mas sim UES, que não é o mesmo (RISOS) —, quer dizer, com a mesma maturidade com que têm trabalhado.

Há muitas coisas sérias… E podemos rir, naturalmente. Não devem abrir mão nunca disso: nunca devem abrir mão da alegria. Mas não misturar as coisas alegres demais com as coisas sérias (EXCLAMAÇÕES).


É necessário que vocês, companheiros, sobretudo vocês, saibam concentrar esse dinamismo todo, e essa força toda que sai dos nossos jovens; que vocês saibam orientá-los, que saibam formá-los ideologicamente, que saibam compreender por que essas mentes virgens e limpas, é preciso ensiná-las a pensar, a raciocinar essas mentes. E isso é o que nós lhes damos. É o que eles chamam de outra forma, eles os da mente suja, que sim estariam precisando de uma lavagem. Mas lá que lhes deem essa lavagem os imperialistas, que nós não temos nenhum interesse nisso.


Já sabemos o que vai acontecer com esse pessoal todo: “Que tolo que eu fui!” (RISOS), “Que idiota que eu fui!”, “Que babaca que eu fui!” (RISOS) “Eles me enganaram!” (RISOS). Já sabemos o que vai acontecer com esse pessoal todo: o tempo vai se encarregar de ir apagando suas ilusões, o tempo vai se encarregar de ir deixando sinais. E já se vê.


Mas, naturalmente, não se vê tanto como se verá quando com perucas brancas, com perucas brancas, sejam dentro de muitos anos pedintes e criados dos imperialistas, desprezados e explorados, se é que nessa época haverá imperialismo — porque não haverá (APLAUSOS). Mas pelo menos terão de levar a vida toda por diante o estigma de míopes, de cegos, de desertores, de traidores.


O que nós damos aos jovens são elementos de raciocínio, os que têm diante dos seus olhos; e que são os elementos que integram a obra toda de uma revolução. O que nós damos aos jovens é uma causa digna para defender, uma causa justa, uma causa heróica, uma causa gloriosa. O que damos aos jovens é uma causa bela. O que damos aos jovens é o que o coração de todo jovem pede e precisa: algo pelo qual lutar, um caminho decoroso na vida. O que damos aos jovens é a ideia do amanhã. O que damos aos jovens é isso que ontem não podia ser concebido: o porvir, a imagem do futuro, e de um futuro que será totalmente para eles; não é vício, não é egoísmo, não é sede de privilégio.


Não lhes dizemos: “Ide às montanhas desalojar camponeses, explorá-los, fazer com que trabalhem para vocês.” Não lhes dizemos para ir aos centros de vício e de corrupção. Não lhes dizemos: “Fique ao lado do poderoso, do explorador, contra o operário humilde, contra o camponês.” Não lhe dizemos: “Odeie os humildes.” Não lhes dizemos: “Despreze o negro.” Não lhes dizemos: “Aspire a ser parasito.” Não!


É muito diferente o que lhes pedimos! Pedimo-lhes que vão ensinar, que vão ajudar, que defendam a causa dos humildes com todo o valor e o entusiasmo de que sejam capazes! Dizemo-lhes que trabalhem! Dizemo-lhes que estudem, que se preparem! Dizemo-lhes que lutem! Dizemo-lhes que se sacrifiquem! Isso é o que damos aos jovens: ensinamo-los a pensar, a raciocinar, a analisar.


E essas virtudes ou qualidades, que eram tidas como virtudes de boas famílias, como era a disciplina, o estudo, o sentido da responsabilidade, essas coisas não são hoje qualidades que sejam incutidas ao jovem simplesmente no seu lar, mas sim qualidades que incute a Revolução a todos os jovens.


Muitas famílias burguesas não queriam que seus filhos fossem corrompidos, mas aquela sociedade burguesa indefectivelmente corrompia seus filhos. É possível que não quisessem que fossem uns imorais, e aquela sociedade os tornava imorais; é possível que muitas famílias não quisessem que fossem viciados e, contudo, aquela sociedade os tornava viciados. Eram vítimas do seu próprio meio de vida, eram vítimas do próprio mundo que tinham construído.

Hoje estão partindo os burgueses! Não lhes interessa que seus filhos sejam virtuosos, não lhes interessa que não se corrompam. Ao que parece hoje têm demonstrado que as virtudes burguesas e a moral burguesa eram muito fracas e muito pobres, porque hoje no nosso país os cassinos de jogo fecharam; os vícios — todos aqueles vícios desenfreados — acabaram; no nosso país vão sumindo todas aquelas deformações, desde o jogo até a prostituição e, contudo os burgueses estão levando seus filhos do país que se está limpando de todas essas deformações e de todos esses vícios, do país que fomenta entre os jovens as melhores virtudes, para o país onde todos os vícios do mundo vão buscar refúgio, onde toda a corrupção do mundo encontra seu último esconderijo, onde jogo, vício, drogas, prostituição, estão em pleno auge; delinquência juvenil, em pleno auge; crescentes ondas de crimes, de jovens alucinados, perturbados. E vão embora para lá, não lhes interessa que seus filhos posam ser criminosos ou vítimas do crime, viciados, jogadores, morfinômanos.


Não lhes interessa isso, não lhes interessa que suas filhas sejam corrompidas e até as convertam em prostitutas. Porque lá, junto dos burgueses, partiram todos os donos de cabarés, partiram todos os donos dos cassinos de jogo, partiram todos os contrabandistas de drogas, partiram todos os donos dos prostíbulos, gatunos de todo o tipo, viciados de todo o gênero, consuetudinários morfinômanos, fartamente conhecidos. E, que é que fizeram? Que é que fizeram em Miami? Que é que fizeram na Costa Rica? Que é que fizeram no Panamá? Que é que fizeram na Venezuela?


Para lá levaram seus negócios da droga, seus prostíbulos, seus cassinos. E o que nos contavam alguns companheiros da Costa Rica, que é extraordinário o auge da prostituição na capital desse país, cujos donos são muito ilustres exilados, emigrantes, “gusanos” (gusanos=vermes: assim eram chamados os contrarrevolucionários. N. do Trad.).


Na Venezuela, em Miami, no Panamá, para muitos desses lugares, esses senhores foram com seus costumes e seus negócios. Os burgueses não se importam com isso. Seus filhos serão vítimas dessa sociedade? Pois é, com alguma diferença.


Aqui, a prostituição era reservada para as filhas dos trabalhadores e dos camponeses. Eles, os burgueses, os da alta sociedade, exploradores, nunca tiveram a terrível necessidade de induzir suas filhas a essa profissão; praticavam-na de uma maneira muito mais requintada: vendiam-nas aos ricos. Procuravam fazendeiros e milionários para suas “meninas”.


Mas agora, agora que eles são lava-loiças e ascensoristas, agora que vivem a custa da esmola dos imperialistas, é possível que para muitas das suas filhas, dolorosamente, esteja reservada naquela sociedade capitalista a sorte que eles reservavam aqui para as filhas dos operários e dos camponeses (APLAUSOS).


Os burgueses levaram com eles até seus colégios de privilegiados, levaram seus rapazes e meninas para Miami. Qual é o destino que lhes espera naquela sociedade? Ah!, ali também terão que continuar com seus hábitos, ali também terão que buscar relacionamento; porque eu nunca esqueço a propaganda de um daqueles colégios na qual dizia: “Seu filho adquirirá magníficas relações”. Seria preciso pensar no relacionamento. O estudante tinha que pensar no relacionamento, ver como se relacionavam com os que tinham dinheiro, com os que tinham influências. Não diziam: “Seu filho se converterá num grande técnico, desenvolverá todas as faculdades, terá assegurado o lugar que lhe cabe na sociedade”. Não. “Adquirirá relações”. Quer dizer, terá que bajular, terá que escalar, terá que contar com a amizade dos influentes.

Inteligência? Não importa! Capacidade técnica? Não importa! Terá relacionamento! A Revolução não diz isso aos seus jovens, diz-lhes: “Estuda, supera-te, forja-te para que sejas útil a tua Pátria, teu lugar está assegurado sem que tenhas que bajular ninguém, sem que tenhas que rebaixar-te diante de ninguém! (APLAUSOS) Sem que tenhas que escalar, sem que tenhas que te enrolar, sem que tenhas que te humilhar, estuda, trabalha, esforça-te, sede disciplinado, aprende a pensar no teu povo, não sejas egoísta, sede generoso!”


A Revolução limpa a mente dos jovens de toda aquela folharada da sociedade burguesa, todas aquelas vaidades, todos aqueles preconceitos, todos aqueles absurdos, e incute no ânimo dos jovens sentimentos generosos, sentimentos nobres, sentimentos dignos.


Enfim, que a Revolução prepara os jovens para uma vida nova, totalmente nova, a anos-luz de distância daquela vida do passado em todas as ordens, para a vida que temos que conseguir, para a vida que teremos que viver, e que há-de ser infinitamente superior àquela, porque os homens não serão vítimas do egoísmo, nem do ódio nem do cruel desprezo, nem da humilhação, nem vítimas da exploração, nem vítimas dos privilégios de ninguém; na qual os homens viverão de maneira muito diferente.


Para essa sociedade que é melhor, que é infinitamente superior, preparamos nossos jovens. E nossos jovens compreendem isso, porque eles sim podem compreender, porque eles estão de face voltada para o amanhã, de face voltada para o porvir, de face voltada para o amanhecer. E os outros — os inimigos do nosso povo, os reacionários — estão de cara voltada para o passado, estão de cara voltada para o escurecer de uma sociedade, de um mundo e de uma vida. Eles não podem ver o sol do amanhã, porque estão de costas a esse amanhã (APLAUSOS) e os jovens sim podem vê-lo. Por isso sua atitude, seu ânimo tão diferente ao deles. E isso, bem, não o poderão compreender, mas o terão que aceitar.


O que pensaram, que a bota dos seus donos nos esmagaria? O que pensaram, que o “todo-poderoso” império liquidaria a Revolução? O que pensaram, que nos afogaríamos perante as dificuldades, que sucumbiríamos perante o bloqueio, que nos acovardaríamos perante o perigo? Pensaram isso, e se enganaram! Pensaram isso, e cada dia será maior a decepção, o desengano! Nem nos esmagarão, nem nos liquidarão, nem sucumbiremos, nem haverá medo perante as dificuldades! E o que haverá é marcha na frente! (APLAUSOS), o que haverá serão sucessos, sucessos e vitórias!, porque estamos fincados na razão da história, estamos firmes na verdade, estamos firmes no justo.


Pensaram que a Revolução não sairia na frente, pensaram que fracassaríamos, que os revolucionários fracassaríamos, pensaram isso; o desejo que tinham do nosso fracasso era tão grande, que chegaram a acreditar na infalibilidade dos seus desejos.


Contudo, o que se percebe?, o que se vê? Marchamos adiante; estamos certos do nosso triunfo, da nossa força, e sabemos que nossa força cresce, e sabemos que a Revolução se consolida, e sabemos que cada dia que passa, ah!, cada dia que passa as esperanças dos imperialistas vão ficando mais longe.


Pensaram que não nos defenderíamos. Defendemo-nos, e não sabem até que ponto nós estamos determinados em defender-nos! (APLAUSOS). Eles já sofreram muitas derrotas, que não são mais do que o prelúdio das derrotas que ainda hão-de sofrer (APLAUSOS). Têm sofrido muitos descréditos que não são mais que o prelúdio dos descréditos que têm por diante (APLAUSOS).


Nós nos mantemos firmes perante todo seu poderio, todos seus recursos, seu bloqueio, o dilúvio de mentiras vertidas pelo mundo fora pela sua imprensa reacionária e mentirosa! Mantemo-nos firmes!


Cresce a obra da Revolução. Para onde quer que se olhe, pode ser enxergada. Aqui mesmo esta imensa massa, em todos lados, o inusitado auge que ganha, por exemplo, o estudo, o fato de que os alunos matriculados no ensino primário tenham aumentado, de 700 mil para 1,2 milhão (1.250.000) (APLAUSOS); o fato de que os estudantes de níveis médios tenham aumentado, de 120 mil, quando triunfou a revolução, para 250 mil (APLAUSOS); o fato de que os graduados da sexta série, diante do número de uns 35 mil antes do triunfo da Revolução, tenham aumentado para 60 mil (APLAUSOS); que 50 mil novos estudantes secundaristas devem começar este ensino no próximo ano letivo, isso mostra uma ideia de que como marchamos adiante, e de por que temos que ver tudo com otimismo.


Não!, nós não trabalhamos para hoje. O hoje não importa, o que importa é o amanhã! Nós trabalhamos para o amanhã! (APLAUSOS). O hoje, o presente, sabemos que é de trabalho, de luta, de sacrifícios. Contudo, o presente não nos intimida e não nos desalenta, ao mesmo tempo que o futuro nos enche de alento.


Nós não temos queixa alguma acerca das dificuldades de hoje. Hoje não podíamos ter outra coisa que dificuldades perante inimigos tão poderosos querendo nos destruir, perante um império contra o qual de forma desafiante se elevou e se revoltou, se tornou independente um povo, pequeno como o nosso, que determinou andar sozinho hoje, sozinho entre todos os povos da América, mas certo de que em breve não estará sozinho, certo de que amanhã serão todos (APLAUSOS).


Tínhamos que deparar-nos com dificuldades, porque nos deixaram uma economia pobre, um país sem indústrias, deformado na sua produção de bens materiais. Deixaram-nos um país praticamente sem técnicos; deixaram-nos em meio do caos e da anarquia, que é a essência do modo de produção capitalista; deixaram-nos seu esbanjamento. É claro que essas mansões fastuosas, principescas, com cujo custo se teria podido construir centenas de fábricas, não as podemos pôr a produzir, pelo menos as podemos dedicar a produzir técnicos.


Quer dizer, eis os sinais do esbanjamento capitalista, por todos lados; não são chaminés ao longo das ruas, ao longo de certas avenidas: são palacetes fastuosos, esbanjamento!; não foram 100 mil tratores, não: uns poucos milhares de tratores e 300 mil carros. Com isso não se produz; com isso se gasta; pneus, peças, gasolina; as riquezas da nação não se multiplicam com esses bens, com isso não temos nem mais leite nem mais carne, não!, não temos mais roupas nem mais sapatos; não os vamos fabricar nos palacetes, nem com os carros de luxo, não os vamos fabricar com o que nos deixaram. Para isso nós temos que fazer as usinas, investir nosso esforço, adquirir os meios de produção que nos permitam multiplicar nossa riqueza. Para isso precisamos de dezenas de milhar de técnicos e é isso que estamos fazendo.


No presente: pobreza — a que nos deixaram —, subdesenvolvimento, carência de uma indústria, hostilidade, bloqueio, agressões, agentes sabotadores, criminosos pagos pelos milionários ianques. Esse é o presente que estamos defrontando sem hesitação, que defrontamos certos de que sairemos vitoriosos; e olhamos para o amanhã, que o amanhã de nós é luminoso, e o amanhã dos imperialistas é sombrio.


Por que se desesperam? Por que não querem paz? Por que não paralisam sua indústria bélica? Por que? Porque estão desesperados? Por que intervêm em todos lados, porque sabotam toda solução pacífica? Por que? Porque estão desesperados! Porque o amanhã para eles é sombrio e eles sabem mesmo!


Povos que acordam dia a dia, nações que se tornam livres, povos colonizados que derrotam exércitos poderosos e conquistam sua liberdade a sangue e fogo. Um mundo que se libera: escravos que quebram suas correntes por todo lado. Essa imagem enche de terror os escravagistas, os exploradores, os piratas, os saqueadores dos povos, porque o amanhã é dos povos, e se percebe por todos lados e não pode pará-lo nada!


Não poderá parar isso nem a corrida armamentista, nem o belicismo; não poderão pará-lo todos os reacionários juntos, porque a humanidade toda, tal como um rio crescido, os arrasta e os leva para as profundidades do abismo que com suas injustiças já cavaram. Nada pode parar isso e eles sabem mesmo! E o pessimismo se apodera deles, e se revela na sua imprensa, nas suas revistas; o derrotismo os enfraquece. Por isso estão desesperados, porque veem o quadro do seu porvir. E o percebem dia a dia, e na América percebem isso com mais clareza que em lado nenhum.


Fracasso após fracasso, revés após revés, descrédito após descrédito, as ilusões imperialistas já estão pulverizadas; fracassada, pois era inevitável, sua última invenção, sua última mentira, sua última manobra que quiseram montar para liquidar nossa Revolução, para isolar-nos, para agredir-nos.


Eis o quadro da Argentina, o quadro do Peru, o quadro da Colômbia, o quadro do Equador, o quadro da Guatemala, o quadro do Paraguai, o quadro da Venezuela. Eis o quadro do caos, do derrubamento, da ruína do imperialismo; eis o beco sem saída, quer dizer, não sem saída, mas sim o beco cuja única saída é a Revolução (APLAUSOS).


Cuba está em pé, o Governo Revolucionário está em pé. Onde está, em troca, o fantoche Frondizi? Onde está o fantoche Prado? Como vão as coisas nos prédios desses governantes servis que obedecendo aos ditados do império romperam conosco e foram cúmplices das agressões contra nós? Vítimas dos golpes militares, como para acabar de dizer ao mundo, como para acabar de gritar aos imperialistas perante o mundo: mentirosos! Onde está a democracia representativa? Embora seja isso, essa folhinha de parreira! Onde está? Porque já não são governos oligárquicos, um produto da fraude, da maquinaria montada para manter as grandes massas na exploração, na ignorância e à margem da vida dos povos. Nem isso sequer, mas sim “gorilas”, “gorilas”, “gorilas” puros. E já sua democracia deixou de lado o fraque! (APLAUSOS.) Já os “instrumentos de fraque” vão cedendo a passagem “democrática-representativa” na Venezuela, no Peru, é possível que na Colômbia, onde há apenas 24 horas o novo fantoche tomou posse da presidência e já estourou uma crise militar. E Betancourt, que viu as barbas dos seus vizinhos ardendo e quis pôr as suas de molho, por isso pediu à OEA que não fosse reconhecido o governo de Prado, como tinha pedido também que não fosse reconhecido o da Argentina, porque segundo parece alguém disse: “Primeiro Frondizi, depois Prado... e depois? E para tentar parar aquilo do que está temendo, ao mesmo tempo que confessa sua falta de segurança, a desconfiança acerca dos militares do seu próprio país, ao ver arder as barbas do seu vizinho, tentou despejar água, mas o Tio Sam disse “não” e lhe negou o sal e a água.

Betancourt, o democrata, pede à OEA para não ser reconhecido, e o democrata Betancourt, o mais incondicional, o mais lacaio dos instrumentos do imperialismo, nem a esse imperialismo pode salvar a cara. E o imperialismo já vem dando passos para reconhecer a Junta Militar do Peru.


Eis o destino que se deparou e se depara aos traidores, aos reacionários. Onde estão os estudantes da Venezuela? Na rua, combatendo o governo reacionário e entreguista! (APLAUSOS) Onde estão os estudantes na Guatemala? Na rua, lutando e morrendo contra o fantoche Ydígoras (APLAUSOS) Onde estão os estudantes na Colômbia? Em greve, lutando contra o poder reacionário e as medidas antipopulares! (APLAUSOS) Onde estão os estudantes no Peru? Na rua, lutando contra a Junta Militar! (APLAUSOS) Onde estão os estudantes na Argentina? Na rua, lutando contra os gorilas? (APLAUSOS). Eis o quadro.


Onde estão os estudantes em Cuba? Aqui, na Praça da Revolução! (APLAUSOS PROLONGADOS). Eis a diferença, a singular e definidora diferença.


Para onde estão indo os estudantes na Venezuela, na Guatemala, no Peru? Para as montanhas, mas não para recolher café nem ensinar os camponeses, mas sim para se revoltar com as armas contra os imperialistas, contra os governos mercenários e traidores! (APLAUSOS). Eis a diferença, a singular diferença entre aqueles poderes e o poder revolucionário; entre o porvir sombrio do imperialismo e o futuro luminoso dos povos e das revoluções. Está aí.


Que importam o que escrevam? Que importam as mentiras que em um empenho inútil e debalde de confundir os povos, eles espalham pelo mundo? As realidades são mais teimosas e as realidades se impõem. A realidade é esta e a realidade é a onda revolucionária que avança em todo o continente, sem que os imperialistas possam impedi-lo, sem que os imperialistas possam evitá-lo (APLAUSOS); nem podem, nem poderão, e cada dia menos poderão!


Esse é o quadro, companheiras e companheiros: o amanhã luminoso de vocês. Vamos adiante, alguns anos por diante dos nossos povos irmãos; os anos de revolução decorridos, anos ganhos, os planos que estão sendo implementados, terreno ganho.


Vocês, as escolas onde estudam, passos gigantes rumo ao porvir, esse amanhã da pátria, esse amanhã do mundo, esse amanhã diferente, esse amanhã luminoso, é de vocês, a esse amanhã pertencem, nesse amanhã trabalharão, lutarão, triunfarão (APLAUSOS).


E dentre vocês brilharão grandes inteligências, na ciência, na técnica, em todos os campos. Aí, entre vocês, encontram-se, não sabemos como se chamam, quem é, quem são, mas sabemos que aí, nessa massa, estão os homens e as mulheres que triunfarão, que encherão de orgulho a pátria do amanhã, cujos nomes percorrerão o mundo, em cuja inteligência e em cujas mãos estará um futuro melhor para nosso povo, em cujas mãos e em cuja inteligência está a riqueza do amanhã, a abundância do amanhã, a felicidade do amanhã.


É isso: a estudar!, a lutar!, cada um de vocês, pensando que têm um dever: dar de vocês tudo, dar de vocês o melhor, pensando que têm uma obrigação sagrada: atingir o máximo desenvolvimento no estudo, na cultura; chegar ao máximo que cada um de vocês possa dar de si próprio, como se em cada um de vocês, se de cada um de vocês dependesse a felicidade e o futuro da pátria.


Adiante, companheiros jovens! Adiante, com esse entusiasmo, com essa fé que vence todos os obstáculos! Adiante rumo ao porvir, rumo ao amanhã luminoso!


Pátria, pátria hoje, pátria amanhã e sempre para vocês!


Pátria ou Morte!


Venceremos!

(OVAÇÃO)

VERSÕES ESTENOGRÁFICAS


DISCURSO PRONUNCIADO PELO COMANDANTE-EM-CHEFE FIDEL CASTRO RUZ NO ENCERRAMENTO DO PRIMEIRO CONGRESSO NACIONAL DA UNIÃO DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS EM 10 DE AGOSTO DE 1962