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Política Neoliberal e Pandemia no Brasil



Depois de mais de 1 ano de pandemia, a situação dos trabalhadores brasileiros só piora. Somos hoje o epicentro da pandemia no mundo, com mais de 360.000 vidas perdidas, uma campanha de vacinação estrangulada e forte pressão de Bolsonaro e diversas camadas das burguesias brasileiras pelo retorno pleno das atividades, ao custo das nossas vidas e apoiados muitas vezes nas mentiras sobre o “tratamento precoce”, ou seja, o uso de cloroquina, ivermectina e outras sandices que têm contribuído para levar várias pessoas a morte.


Ao mesmo tempo, o desemprego atinge 14,3 milhões de brasileiros e o salário mínimo tem o menor poder de compra desde 2005. Se muitos precisam planejar melhor seus gastos com transporte e alimentação, quase 117 milhões de brasileiros conviveram com algum grau de insegurança alimentar, número que pode ser ainda maior. 28% dos que receberam o auxílio emergencial viveram insegurança alimentar grave ou moderada, ou seja, passaram fome, 37,6% viveram insegurança alimentar leve, segundo o estudo da Rede Penssan, e esses dados são relativos a dezembro de 2020, quando o auxílio emergencial estava em 300 reais. A nova rodada do auxílio excluiu um terço dos antigos participantes, não abriu cadastro para quem perdeu o emprego no segundo semestre de 2020 e paga, para a maioria, somente 150 reais. A fila de espera do Bolsa Família em março de 2021 era de 2,1 milhões de famílias, a demanda de inclusão do Cadastro Único só cresce e a verba para socorrer as famílias não é suficiente.


A pandemia se tornou um potente amplificador dos efeitos da mais recente ofensiva política neoliberal que vêm sendo conduzida desde 2015, quando Joaquim Levy, ainda no mandato da presidenta Dilma, começou a impor o “ajuste fiscal” que aprofundou ainda mais o domínio dos especuladores do capital financeiro e dos parasitas exportadores, pilares do atual governo Bolsonaro. Mais recente, já que os interesses estrangeiros que despejam seu capital excedente no Brasil visando lucros assombrosos e as elites brasileiras que estão de mãos dadas nessa cruel exploração do nosso