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Breves informações sobre o VIII Congresso do Partido do Trabalho da Coreia



Entre 5 e 12 de janeiro de 2021, o Partido do Trabalho da Coreia (PTC) reuniu seu VIII Congresso em meio a difíceis condições externas e internas para a Revolução Coreana. Como se sabe, o país se encontra há mais de um ano em estado de alerta e fechamento, para evitar que a Covid-19 se alastre entre a sua população. Ademais, já se sabe que o recém-eleito presidente estadunidense Joe Biden planeja uma retomada da retórica belicista e agressiva contra a República Popular Democrática da Coreia, colocando sobre o povo coreano e seu Partido dirigente duras tarefas históricas. Não foi à toa a declaração do camarada Kim Jong Un, secretário-geral do PTC, segundo a qual a convocação do VIII Congresso “desferiu um golpe demolidor contra todos os reacionários que sentem aversão por nossa causa e tentam impedi-la.”


Segundo o portal de notícias KCNA (Korean Central News Agency), o VIII Congresso do PTC se baseou nas seguintes pautas: 1) balanço do trabalho do Comitê Central do PTC; 2) balanço do trabalho da Comissão Central de Auditoria do PTC; 3) acerca da revisão das regras (Estatuto) do PTC; 4) eleição do órgão dirigente do Comitê Central do PTC. No que diz respeito à estruturação do Congresso, a regra decidiu pela eleição de um delegado com direito a voto para cada 1,3 mil membros partidários, e um delegado com direito à fala para cada 1,3 mil membros.


Para tratarmos de algumas informações sobre o VIII Congresso do PTC, destacamos algumas declarações feitas pela VI Reunião Plenário do VII CC do PTC, em agosto de 2020, que deliberou a realização do atual VIII Congresso partidário: “Nosso Partido e nosso povo estão levando a cabo a tarefa histórica estabelecida pelo VII Congresso do Partido do Trabalho da Coreia, enquanto derruba todas as barreiras que impedem nosso avanço por meio da organização e mobilização de uma árdua luta revolucionária. Por meio desta inolvidável luta para implementar a decisão tomada no VII Congresso do PTC, a dignidade e a posição de nosso Estado se elevaram expressivamente, a unidade monolítica do Partido e do povo foi ainda mais consolidada, assim como se viu uma grande virada revolucionária na construção do Partido. Por outro lado, a economia não foi melhorada, diante das duras situações interna e externa, e dos severos desafios, fazendo com que os objetivos para a melhoria da economia nacional tenham sido seriamente atrasados e que o padrão de vida do povo não tenha melhorado de forma substancial.”


Logo em seguida a esta declaração, a VI Reunião Plenária do CC decide pela convocação de um congresso em janeiro de 2021. Em seu discurso de abertura do VIII Congresso, o camarada Kim Jong Un fez os seguintes comentários autocríticos, principalmente no que diz respeito às perspectivas econômicas da revolução coreana:


“Porém, durante o período de implementação da Estratégia Quinquenal para o Desenvolvimento Econômico Nacional, que foi concluído no ano passado, quase todos os setores ficaram muito aquém de atingir os objetivos estabelecidos. Ainda há vários desafios externos e internos que minam e dificultam nossos esforços e avanço para vitórias constantes na construção socialista. A chave para superar as grandes dificuldades existentes se assenta na consolidação de nossa própria força interna em todos os aspectos. Partindo do princípio de encontrar a causa dos erros não em condições objetivas, mas nas condições subjetivas, e de resolver todos os problemas por meio do fortalecimento de nossa força motriz, o atual congresso fará uma análise completa e profunda, bem como um julgamento das experiências, lições e erros que cometemos durante o período sob balanço e, com base nisso, definir os objetivos e tarefas científicos da luta, que nós podemos e devemos cumprir sem fracassar.”


Durante o Congresso, o camarada Kim Jong Un fez um informe de cerca de nove horas, no qual fez um balanço detalhado do trabalho do CC do PTC ao longo do último período, discorreu sobre as possíveis causas dos erros, dentre vários outros assuntos.


Os erros verificados na implementação do último Plano Quinquenal da RPDC, contudo, não podem obscurecer os avanços feitos ao longo do último período, conforme podemos ver no informe feito pelo camarada Kim Tok Hun, deputado-premiê do Gabinete da RPDC: “A construção de estações elétricas foi positivamente estimulada para a criação de uma nova capacidade de geração de energia, o sistema Juche de produção de ferro foi estabelecido, e várias outras novas construção e projetos de remodelação em diferentes setores foram dinamicamente estimulados. Portanto, o caráter independente e Juche da economia nacional foi ainda mais consolidado.” Ainda segundo o informe de Kim Tok Hun, uma grande vitória da RPDC ao longo do último período foi a consolidação do país enquanto Estado anti-epidêmico em plena época na qual milhões de pessoas têm morrido no mundo pela doença do coronavírus.


Durante o Congresso, dirigentes de diversos setores econômicos e políticos da Coreia socialista debateram e discutiram questões relacionadas às perspectivas para o próximo período. Em basicamente todos os setores do terreno econômico, não houve dirigente que não tenha colocado ênfase na dedicação à mecanização e à automação das fábricas, minas e cooperativas agrícolas como aspecto importantíssimo para o avanço da construção socialista e superação das dificuldades econômicas. Ademais, todos os setores também enfatizaram a necessidade de se elevar a proporção de matérias-primas e demais insumos obtidos de forma local para o desenvolvimento da industrialização socialista. Para o próximo período, dentre todos os setores da indústria, a ênfase será colocada na alocação de recursos nas indústrias metalúrgica e química, na condição de colunas vertebrais para o desenvolvimento de toda a economia nacional.


O VIII Congresso deliberou o Plano Quinquenal 2021-2025; o camarada Kim Jong Un foi eleito secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia; foi eleito o VIII Comitê Central do PTC e seu corpo dirigente; o VIII Congresso deliberou uma Resolução de caráter interno.


Até então, ainda que careçam acesso a números mais precisos, são estas as informações que possuímos sobre as perspectivas da construção socialista na Coreia do Norte para os próximos cinco anos. Neste sentido, é também de certa importância que acompanhemos como a literatura anticomunista tem se posicionado a respeito das novas movimentações políticas da revolução coreana. O “analista” Andrei Lankov, em um artigo publicado na página North Korea News, lamenta que “reformas econômicas” não estejam avançando no país. Aplaude possíveis rixas (existentes ou não) entre Coreia do norte e China – “Pequim não possui motivo para bancar a recuperação econômica de Pyongyang. Os líderes chineses e seus conselheiros são pessoas espertas que compreendem que injetar dinheiro no anacrônico sistema norte-coreano não é essencialmente diferente de dar adeus ao dinheiro”, ao mesmo tempo em que declara que “economias stalinistas não funcionam”.


Embora estas declarações de ditos analistas sempre tenham algo de ambíguo, é possível que elas guardem, com todas as limitações e proporções devidas, algo do que os reacionários esperam a respeito da RPDC, bem como qual visão têm da economia socialista e da planificação econômica central.


Ficaremos atentos para informações suplementares.

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