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Eleições no Peru: entre o neoliberalismo e os limites do "socialismo" do século XXI



No dia 11 de abril, “celebrou-se” no Peru o primeiro turno das eleições que elegerão o próximo presidente do país, o quinto em 4 anos. Marcado pelo equilíbrio na distribuição dos votos – onde aproximadamente 1/3 da população apta a votar não compareceu as urnas –, o pleito resultou no avanço para o segundo turno dos candidatos Pedro Castillo, do partido Peru Libre, com 19% dos votos válidos, e de Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, com 13,3% dos votos. O segundo turno está marcado para acontecer no próximo 6 de junho; o vencedor assumirá o cargo no dia 28 do mesmo mês.


O Peru, há mais de 30 anos, segue a mesma agenda econômica neoliberal, impulsionada pelo reacionário Alberto Fujimori entre 1990 e 2000 – que tratou de efetivar a agenda econômica do capital monopolista, além de perseguir, torturar e exterminar trabalhadores e lideranças populares durante os anos de chumbo em que dirigiu o governo nacional. A Constituição Federal de 1993, aprovada sobre a ditadura de Fujimori, que definiu o papel de subordinação do país ao capital monopolista e às oligarquias locais e entregou mais de 220 empresas públicas à iniciativa privada, segue em voga, assim como a partilha da miséria e da violência reacionária entre as classes trabalhadoras. O desemprego no país atinge aproximadamente 16% da população e, segundo o Instituto Nacional de Estadística e Informática (INEI), 75,2% dos trabalhadores empregados são informais. O emprego formal, com garantias trabalhistas, horários estabelecidos e salários definidos, representa apenas 24,8% da população – a cada 10 trabalhadores empregados, apenas dois possuem os direitos as