"Trabalhadores e camponeses suportam o peso da guerra ianque-sionista contra o Irã"
- NOVACULTURA.info

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O ataque ianque-sionista ao Irã está resultando em morte e destruição dentro do país e, ao mesmo tempo, devastando vidas e meios de subsistência da classe trabalhadora e dos camponeses, não apenas no Irã, mas em toda a Ásia, no Pacífico e além. No Irã, houve bombardeios massivos por vários dias consecutivos, bem como guerra no Líbano e intensificação de massacres em Gaza e na Cisjordânia. Nessa guerra assimétrica, o Irã tem retaliado atacando bases militares dos EUA e outros ativos nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait e dentro da Palestina ocupada. De acordo com fontes oficiais iranianas, quase 1.400 pessoas foram mortas, das quais mais de 200 são crianças; 27 pessoas foram mortas nos países do Golfo devido aos ataques lançados pelo Irã.
Por um lado, o combate ativo de alta intensidade tem impacto direto na vida social e econômica das pessoas nas zonas de guerra no Irã e em toda a Ásia Ocidental. Por outro lado, o Irã está limitando a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz em retaliação aos ataques das forças ianque-sionistas em seu território. Os choques econômicos dessa ação estão sendo sentidos em todo o mundo, mas os impactos mais severos recaem sobre as massas básicas, especialmente no Sul Global. Antes do início da chamada Guerra do Ramadã, cerca de 20% do petróleo e do gás liquefeito globais passavam pelo Estreito, mas após 28 de fevereiro de 2026, menos de 100 navios passaram nos 18 dias de guerra até agora.
Os impactos sobre trabalhadores imigrantes, trabalhadores em seus países de origem, camponeses e vários setores da sociedade são imensos. Nos Emirados Árabes Unidos, os trabalhadores imigrantes representam mais de 90% da força de trabalho. A maioria está em empregos de baixa qualificação e intensivos em mão de obra, com baixos salários, nos setores de construção, serviços ou ligados ao petróleo, vindos de países da Ásia e da África. Historicamente, trabalhadores migrantes são altamente explorados e abusados, trabalhando em condições semelhantes à escravidão, com pouco espaço para reivindicar seus direitos.
Em tempos de guerra, quando trabalhadores mais qualificados de países imperialistas estão deixando a região, os trabalhadores migrantes têm opções limitadas. Muitos são provedores de suas famílias e não têm escolha a não ser colocar suas vidas em risco e continuar trabalhando. A maioria está em funções de linha de frente e permanece em atividade. Ao mesmo tempo, governos como os das Filipinas, Paquistão e Nepal, entre outros, dependem de remessas externas e fazem pouco esforço para repatriar os trabalhadores migrantes, ignorando sua segurança. Até agora, trabalhadores imigrantes do Paquistão, Filipinas e Bangladesh estão entre os que perderam suas vidas na guerra em curso na Ásia Ocidental.
Nos países fora das zonas diretas de guerra, trabalhadores de aplicativos são os primeiros a sentir o impacto da escassez de combustível e do aumento de preços. Na Índia, devido à escassez e/ou altos preços do gás natural liquefeito (GNL), grandes plataformas fecharam temporariamente restaurantes; cerca de 1 milhão de trabalhadores perderam seus empregos apenas por causa de duas plataformas. Trabalhadores foram instruídos a levar comida de casa. De forma semelhante, no Paquistão, mais de 100 fiações e centenas de descaroçadoras foram fechadas, o que significa que milhares de trabalhadores já perderam seus empregos, e muitos milhões mais enfrentarão a mesma situação se o Estreito de Ormuz permanecer basicamente fechado.
O setor agrícola também é altamente vulnerável em todo o Sul Global. A produção agrícola baseada em agroquímicos, deliberadamente promovida pelo capital monopolista, depende fortemente de fertilizantes como a ureia. Um terço da ureia comercializada globalmente passa pelo Estreito de Ormuz. Os países do Golfo não apenas produzem ureia, mas também são fonte de GNL barato necessário para sua produção. Culturas como trigo, milho e arroz dependem fortemente da ureia para alta produtividade, e os períodos de plantio são limitados no tempo. Assim, os camponeses enfrentarão não apenas altos custos de produção, mas também rendimentos potencialmente muito menores se houver escassez de ureia no mercado. Isso resultará em um círculo vicioso de menor produção agrícola e aumento dos preços dos alimentos. Para as massas, isso significará fome generalizada e desnutrição. Além disso, existem milhares de fábricas de fertilizantes na Ásia e na África, e os trabalhadores dessas fábricas também enfrentam perda de empregos.
A dependência de fertilizantes para a produção agrícola também impactará o Norte Global. A Austrália importa cerca de 85% de suas necessidades de fertilizantes, principalmente dos países do Golfo. No entanto, como a Austrália, países do Norte podem ter estoques de reserva, e o impacto na produção agrícola pode não ser imediato.
Em geral, houve um aumento de cerca de 17–20% no preço dos combustíveis no Sul da Ásia, exceto na Índia, onde o aumento é de cerca de 10–11%. No entanto, em muitos países, os preços da gasolina subiram entre 50% e 68%, como no Vietnã e no Camboja, respectivamente. Na Nigéria, o aumento é de 35%, enquanto em Porto Rico é de quase 13%.
Em países como a Austrália, a guerra imperialista contra o Irã afetou amplamente a população; os preços do petróleo e do diesel subiram entre 32% e 39%. O armazenamento especulativo também está ocorrendo, agravando ainda mais a situação; nos EUA e no Canadá, o aumento dos preços da gasolina é de cerca de 20–28%.
A Ásia tem sido a região mais severamente afetada, e governos em todo o continente adotaram diferentes medidas para reduzir o uso de combustível, desde o fechamento de escolas até aulas online, além de diretrizes obrigatórias de trabalho remoto.
O aumento dos preços dos combustíveis teve impacto imediato em todos os setores, já que a gasolina é parte essencial da produção e do transporte. Esses aumentos têm um impacto extremamente severo sobre a classe trabalhadora, que vive de salários diários ou extremamente baixos, mas é forçada a pagar preços mais altos por alimentos, medicamentos, transporte e energia.
Os pescadores são fortemente atingidos pelo aumento dos preços dos combustíveis. Muitos dependem de cilindros de gás liquefeito de petróleo (GLP) para alimentar seus barcos. Nas Filipinas, os preços do GLP devem subir até P30/kg, um aumento de cerca de P330 por cilindro de 11 kg. Na Índia, o governo reduziu o tamanho dos cilindros de 14 kg para 10 kg, enquanto os preços aumentaram em Rs 60, chegando a Rs 115 em Mumbai e quase Rs 200 no interior.
A pesca no Sul da Ásia — abrangendo Índia, Sri Lanka, Bangladesh, Paquistão e Maldivas — depende fortemente do diesel. Desde barcos mecanizados em alto-mar até pequenas embarcações motorizadas usadas por pescadores artesanais, o combustível é um insumo crítico. Qualquer variação nos preços globais do petróleo afeta diretamente os custos das operações de pesca. Em regiões costeiras como Maharashtra, na Índia, pescadores relatam aumentos acentuados no preço do diesel nas últimas semanas, tornando as viagens economicamente inviáveis. Uma única expedição de pesca de vários dias requer milhares de litros de diesel. Mesmo um pequeno aumento por litro resulta em um aumento substancial do custo total. Para muitos pescadores, o custo do combustível agora supera o ganho esperado com a pesca.
As consequências do aumento dos custos são imediatas e severas. Muitos barcos permanecem ancorados porque os pescadores não podem arcar com os custos de ir ao mar. Isso afeta toda a cadeia produtiva, incluindo vendedores de peixe, processadores, transportadores e exportadores. As mulheres, que desempenham papel crucial nas atividades pós-captura, como classificação, secagem e venda, também são desproporcionalmente afetadas à medida que a renda diminui. Em países como Índia, Paquistão, Sri Lanka e Bangladesh, onde a pesca é vital para a segurança alimentar e o emprego, a crise é ainda mais grave. A redução da pesca diminui a oferta de peixe nos mercados locais, elevando os preços e afetando consumidores pobres que dependem do peixe como principal fonte de proteína. Isso tem sérias implicações para a nutrição, especialmente de crianças e populações vulneráveis.
Outra área crítica associada aos petroquímicos é a indústria farmacêutica. A Índia fornece grande volume de ingredientes ativos para medicamentos, mas depende do fluxo de petroquímicos do Golfo. A interrupção dessas cadeias afetará também países do Norte, especialmente os EUA, que obtêm cerca de 47% de seus medicamentos prescritos da Índia. O aumento dos preços dos medicamentos afetará especialmente os mais pobres, como já ocorreu durante a pandemia de Covid.
As dificuldades das massas estão diretamente ligadas ao belicismo deliberado do Estado fascista dos EUA, que mantém a Ásia Ocidental refém de seu desejo de controle absoluto sobre recursos de petróleo e gás e interesses geopolíticos. Após guerras no Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria e Líbano, além do genocídio contínuo em Gaza e décadas de sanções ao Irã, agora atacaram diretamente o país.
Os trabalhadores, camponeses e pescadores já sofreram enormemente com a implementação agressiva das políticas neoliberais do capital monopolista, e o ataque ao Irã apenas intensifica esse sofrimento. O desejo insaciável do imperialismo dos EUA por guerras e por uma nova era de ocupação e colonialismo está agora exposto diante dos povos.
Organizações de trabalhadores e populares já estão nas ruas responsabilizando as forças EUA-sionistas pelas novas dificuldades enfrentadas pelas massas. A luta pelo fim do imperialismo e pela derrubada da ocupação e do colonialismo ganhou novo impulso entre as massas. Este é o momento para que a classe trabalhadora, os camponeses e todas as classes marginalizadas se unam, engajem-se na luta de classes e enfrentem o capital monopolista por uma paz justa e duradoura.
Abaixo o imperialismo dos EUA!
Não ao controle monopolista!
Trabalhadores unidos jamais serão derrotados!
Declaração da ILPS em colaboração com a Comissão de Desenvolvimento Socioeconômico da ILPS



































































































































