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Camponeses da LCP são presos ilegalmente em Rondônia



Na manhã do último 14 de maio, policiais militares que ilegalmente cercavam o então acampamento Manoel Ribeiro, e atacaram covardemente 10 camponeses, atropelando e levando presos 4 dos acampados: Ezequiel, Luis Carlos, Estefane e Ricardo.


Durante mais uma incursão ilegal na região, ao avistarem um grupo de camponeses, os policiais iniciaram uma perseguição até atropelarem 4 pessoas com a viatura. As “armas” apreendidas com os acampados, eram estilingues, fogos de artifício, bombinhas e materiais de trabalho camponês como botina, facão e canivete. Na tentativa de incriminar os acampados, foram plantados um revólver e cartuchos de espingarda no meio dos objetos apreendidos.


Foi mais um ataque de uma série de investidas da repressão do aparato policial a mando do latifúndio no Estado, que se juntam aos ataques de pistoleiros, que ameaçaram o acampamento Manoel Ribeiro.


A LCP denunciou o papel nefasto da imprensa que tentou justificar a ação arbitrária policial como se os quatro detidos tivessem sido autuados por tentativa de homicídio, dano e depredação, esbulho possessório, associação criminosa e posse irregular de arma de fogo. No mesmo dia, o governador Cel. Marcos Rocha (PSL), aproveitou o caso para seguir a campanha de criminalização das famílias do acampamento, acusando-os de serem terroristas, fazendo coro ao que o presidente Jair Bolsonaro também tem declarado, para validar a repressão.


A Liga dos Camponeses Pobres denuncia que “a polícia guaxeba de latifundiários, está substituindo os pistoleiros a soldo da fazenda, presos a partir de denúncia movida pela Defensoria Pública, e atualmente tem feito a segurança da sede da fazenda Nossa Senhora Aparecida, protegendo os interesses particulares do latifundiário criminoso Toninho Miséria, usando para isso recursos públicos. A polícia está reforçado seus efetivos e já conta com dezenas de viaturas na sede da fazenda, tratores para remover defesas dos camponeses, bem como um avião. Recentemente, deputados estaduais aprovaram o crédito adicional de 500 mil reais (dinheiro público recolhido de impostos) para as tropas criminosas, encobertas pelo cínico nome ‘Operação Paz no Campo’”.


O acampamento Manoel Ribeiro, foi erguido pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP), no município de Chupinguaia (RO), na área de um grande latifúndio conhecido como Fazenda Nossa Senhora, que era parte das terras da antiga Fazenda Santa Elina.


No último 25 de maio, foi decidido pela Assembleia Popular do acampamento Manoel Ribeiro a retirada das terras ocupadas desde agosto de 2020, sob a justificativa de evitar um novo massacre.


A União Reconstrução Comunista assinou em maio o “Chamamento conjunto ao apoio e à solidariedade à Liga dos Camponeses Pobres”, um documento assinado por diversas organizações, grupos e personalidades democráticas em defesa e apoio da luta dos camponeses contra o latifúndio e o Estado de Rondônia. Devemos exigir a libertação desses presos políticos diante de mais esse ataque do velho Estado aos movimentos de luta no campo.