Stalin: "A Ucrânia se liberta!"



A Ucrânia, com suas riquezas, é há muito tempo objeto da exploração imperialista.

Antes da Revolução, os imperialistas ocidentais exploravam a Ucrânia, por assim dizer, sem levantar alarde, sem “operações militares”. Os imperialistas da França, Bélgica e Inglaterra, que haviam organizado na Ucrânia enormes empresas (de carvão, metal, etc.), das quais haviam adquirido a maioria das ações, espremiam o povo ucraniano de forma “legal”, sem produzir ruído.

O panorama mudou após a Revolução de Outubro. A Revolução de Outubro, ao romper os fios do imperialismo e ao declarar as terras e as empresas propriedade do povo ucraniano, tomou dos imperialistas a possibilidade da exploração “comum”, “silenciosa” desse povo. De tal forma que o imperialismo foi expulso da Ucrânia.

Mas o imperialismo não queria se dar por vencido, negava a todo custo se resignar à nova situação. Daí a “necessidade” de dominar a Ucrânia pela força, a “necessidade” de ocupa-la.


Os imperialistas austro-alemães foram os primeiros a empreender a ocupação na Ucrânia. A “Rada” e o “Hetmanado”, com sua “independência”, não passavam de engodos, véus que encobriam comodamente a ocupação e “sancionavam” por fora a exploração da Ucrânia pelos imperialistas austro-alemães.

Quem não conhece as infinitas humilhações e provações sofridas pela Ucrânia durante a ocupação austro-alemã, o aniquilamento das organizações operárias e camponesas, a completa desorganização da indústria e das ferrovias, as forcas e execuções? Todas cenas habituais durante a “independência” ucraniana sob a égide dos imperialistas da Áustria e Alemanha.

Mas a derrota do imperialismo austro-alemão e a vitória da Revolução Alemã modificaram radicalmente a situação na Ucrânia. Está aberto o caminho pelo qual a Ucrânia operária se libertará do jugo imperialista. A ruína e subjugação desse país está chegando ao fim. O fogo revolucionário que se espalha pela Ucrânia suprimirá os últimos resquícios do imperialismo e de seus apêndices “nacionais”. O “Governo Provisório Operário e Camponês da Ucrânia” [1], surgido nas ondas da Revolução, organizará uma nova vida com base no governo dos operários e camponeses ucranianos. O “manifesto” do Governo Soviético ucraniano, que devolve aos camponeses as terras que estavam com os latifundiários, aos operários as fábricas e a todos os trabalhadores e explorados a liberdade completa, este “manifesto” histórico correrá a Ucrânia como um trovão, para o espanto de seus inimigos, mas soará em um feliz repique de alegria e consolo para os filhos oprimidos da Ucrânia.

Contudo, a luta ainda não terminou, a vitória ainda não está assegurada.

A verdadeira luta na Ucrânia está apenas começando. Enquanto o imperialismo alemão vive seus últimos dias e o “Hetmanado” se contorce em suas últimas convulsões, o imperialismo anglo-francês concentra suas tropas e prepara um desembarque na Criméia, visando à ocupação da Ucrânia. Os imperialistas anglo-franceses agora querem suceder aos invasores alemães diante do lugar vago deixado por estes. Ao mesmo tempo, o “Diretório Ucraniano” [2], presidido pelo aventureiro Petliura [3], vem à tona, com o slogan da velha “independência” sob uma nova roupagem: um novo véu, mais cômodo do que aquele do “Hetmanado” para a nova ocupação anglo-francesa.

A verdadeira luta pela Ucrânia ainda está por ser feita!

Não duvidamos que o Governo Soviético ucraniano saberá repelir pelo seu caminho os novos visitantes indesejados, os escravizadores da França e Inglaterra.

Não duvidamos que o Governo Soviético ucraniano saberá denunciar o papel reacionário dos aventureiros do campo de Vinnichenko-Petliura que, voluntária ou involuntariamente, preparam a invasão dos escravizadores anglo-franceses.

Não duvidamos que o Governo Soviético ucraniano saberá reunir os operários e camponeses ucranianos ao seu redor e conduzi-los com honra à luta e à vitória.

Chamamos todos os filhos da Ucrânia Soviética a irem em auxílio ao Governo Soviético da Ucrânia e facilitar sua gloriosa luta contra os algozes da nação ucraniana.


A Ucrânia se liberta, apressem-se em ajudá-la!

Escrito por J.V. Stalin e publicado no “Zhizn Nalsionálnostei” (nº 4) e com algumas modificações no Pravda (nº 261) em 1 dezembro de 1918.

NOTAS

[1] O governo provisório dos trabalhadores e camponeses da Ucrânia, do qual faziam parte K. E. Voloshilov, A. Sergueiev (Artiom) e outros, foi formado por volta de 20 de novembro de 1918, com sede primeiro em Kursk e depois em Sujia. Em 29 de novembro de 1918, ele publicou um manifesto declarando deposto o Hetmanado (governo reacionário fantoche do imperialismo que vigorou na Ucrânia entre 29 de abril e 14 de dezembro de 1918) e instituído o poder soviético.

[2] O Diretório Ucraniano foi um governo nacionalista contra-revolucionário formado em Kiev no final de 1918 por nacionalistas-chauvinistas ucranianos liderados por Petliura e Vinnichenko, e que foi liquidado em fevereiro de 1919 pelos trabalhadores e camponeses insurgentes.

[3] Simon Petliura (1879-1926): militar e político ucraniano que ocupou a liderança do país a partir de fevereiro de 1919 para resistir ao avanço do Exército Vermelho. Após a derrota de seus exércitos, em 1920, ele fugiu para a Polônia e foi finalmente assassinato em Paris por um judeu ucraniano que vingou a morte de 15 membros de sua família, incluindo seus pais, que haviam sido assassinados durante um dos pogroms de Petliura.

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