"Um ano de fanfarronice anticorrupção de Marcos"
- NOVACULTURA.info

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Ferdinand Marcos Jr. não enganou o povo com a farsa e o espetáculo de sua suposta campanha anticorrupção, declarada desde julho de 2025. O povo sabe que suas palavras — “Tenham vergonha!” — são vazias, pois se voltam apenas contra seus rivais políticos, enquanto ele próprio, seus lacaios e aliados não prestam contas. Trata-se também de uma preparação de Marcos para as eleições de 2028, com o objetivo de afastar seus adversários, angariar mais aliados e acumular ainda mais dinheiro roubado e propinas para seus candidatos.
Não há como negar que Marcos é o rei da corrupção, o cérebro e o maior crocodilo da corrupção generalizada no governo. Ao mesmo tempo em que se apossa de nova riqueza roubada, ele também conseguiu recuperar totalmente mais de ₱300 bilhões em bens roubados de sua família, que haviam sido confiscados pelo Estado no passado.
O fluxo da corrupção
De 2022 a 2025, Marcos destinou ₱545 bilhões a projetos de controle de enchentes, que se tornaram o centro do escândalo de corrupção. Também foi revelado que ele retirava os fundos para esses projetos das “unprogrammed appropriations” (UA, verbas não programadas) do orçamento. Já em 2026, apesar de exposto pela corrupção, ele ainda destinou ₱274,9 bilhões a projetos semelhantes.
Marcos voltou a se apossar, em 2026, de ₱4,6 bilhões em fundos confidenciais e de inteligência. Manteve o “pork barrel” de ₱243,4 bilhões em UA. Também destinou ₱1 bilhão para suas viagens ao exterior, juntamente com sua família e seus lacaios.
Marcos também lucra com o sistema de “pork barrel” na forma de valores “alocáveis” destinados a cada distrito congressional. É o chamado “Baselined-Balanced-Managed (BBM) Parametric Formula” do DPWH (Departamento de Obras Públicas e Rodovias). Isso está embutido no Programa Nacional de Despesas do presidente, sob o orçamento do DPWH, que é sancionado pelo próprio presidente. Segundo investigação do Philippine Center for Investigative Journalism (PCIJ), o deputado Sandro Marcos, filho do presidente, foi quem recebeu o maior valor “alocável” (₱15,79 bilhões) entre 2023 e 2025. Em segundo lugar está seu tio, o deputado Martin Romualdez, que se apossou de ₱14,43 bilhões.
O ex-deputado do Ako Bicol Partylist, Elizalde Co, ex-presidente do Comitê de Apropriações da Câmara, também expôs outros esquemas de roubo dos Marcos. Entre eles está a ordem explícita de Marcos e de seus parentes para inserir verbas destinadas a propinas no orçamento nacional. Segundo ele, foi o próprio quem entregava malas de dinheiro aos Marcos e a Romualdez. Ele também revelou o envolvimento da esposa de Marcos, Liza Araneta-Marcos, no contrabando em larga escala de arroz, peixe e vegetais.
Para se blindar das acusações de corrupção e direcionar o rumo das investigações, Marcos formou a “Independent Commission for Infrastructure” (Comissão Independente para Infraestrutura). Ele também mobilizou congressistas para descartar rapidamente a denúncia de impeachment apresentada contra ele em janeiro.
A denúncia de traição à confiança pública se baseia em três pontos: 1) ser o mentor da corrupção sistemática dentro do governo (por meio da fórmula dos “alocáveis” ou BBM Parametric Formula), 2) o abuso dos fundos não programados, e 3) o envolvimento direto nas inserções arbitrárias e no sistema de propinas.
Até o momento, apenas algumas figuras menores estão sendo presas por casos de roubo e corrupção — todas, por sinal, rivais políticos dos Marcos. Marcos também tem hoje como alvo a “rainha da corrupção”, a vice-presidente Sara Duterte. Enquanto isso, Co, que fez muitas acusações contra os Marcos, foi deliberadamente deixado escapar pelo regime.
Também ficou exposto, no ano passado, o apoio a Marcos por parte de alguns grupos que se autodenominam progressistas, como o Akbayan Partylist. O grupo defende ativamente Marcos, protegendo-o da responsabilização e da cobrança do povo.
A raiva do povo transborda
Protestos sucessivos foram lançados por diversos setores para responsabilizar Marcos, a vice-presidente Duterte e todos os envolvidos na corrupção. O maior desses protestos foi o “Baha sa Luneta” (Enchente em Luneta), em 21 de setembro de 2025, com a participação de 100 mil pessoas, e o de 30 de novembro de 2025, com mais de 20 mil participantes. Ambos foram liderados pelo Kilusang Bayan Kontra Kurakot (Movimento Popular Contra a Corrupção).
Também foram organizadas ações militantes, como a realizada no escritório da St. Gerrard Construction em Pasig City — empresa de propriedade da família Discaya, uma das contratadas envolvidas na corrupção. Os protestos “Black Friday” se espalharam pela Grande Manila e outras províncias, chegando, em algumas ocasiões, a cercar os escritórios do DPWH e da ICI. Também foram realizados protestos para pressionar pelo impeachment de Marcos e Duterte.
Eclodiu também o movimento de “walkout” de jovens estudantes em universidades e campi de setembro a outubro de 2025. No total, estima-se que mais de 40 mil estudantes e jovens em todo o país participaram. Ao pé de Mendiola, mais de 5 mil jovens e estudantes marcharam em 17 de outubro de 2025, com o grito de “Marcos-Duterte, fora! Sistema podre, mudar!”
Já em 2026, o povo continua cobrando de todos os envolvidos na corrupção. Mais de 12 mil pessoas participaram do 40º aniversário do Levante Popular da EDSA, em 25 de fevereiro. Em 28 de junho, o movimento anticorrupção voltou a ganhar força, reunindo milhares de pessoas de diferentes fés e organizações democráticas em uma marcha pela verdade, responsabilização e justiça, no Monumento People Power da EDSA, liderada pelo White Ribbon Movement.
Do Ang Bayan









































































































































