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A Catástrofe e a resistência heroica do povo palestino



No último 15 de abril durante a segunda sexta-feira do Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos, os palestinos mais uma vez foram atacados pelas forças armadas de Israel, na mesquita de al-Aqsa, na cidade de Al Quds (ou Jerusalém Oriental, como é chamada pelo Ocidente). Centenas de palestinos que estavam exercendo sua fé, foram atacados pelas forças de um dos maiores exércitos do mundo, equipados pelo imperialismo ianque e resistiram mais uma vez, diante da ofensiva sionista, como vem ocorrendo há décadas.


As cenas de homens, mulheres e crianças da Palestina resistindo com pedras e paus, ou mesmo a resistência armada da FPLP e do Hamas, são bastante comuns, mas chegam a nós, brasileiros, como se fossem parte de um conflito insolúvel entre dois povos que sempre brigaram e que não deixarão de brigar, como se fosse um conflito qualquer, igualando o invasor com o oprimido.


O que não se fala muito é que há mais de 70 anos atrás, no dia 15 de maio de 1948, se iniciou o que ficou conhecido como “Catástrofe” (Nakba) para o povo palestino, quando ocorreu a expulsão de mais de 700.000 palestinos de sua terra, mais de 400 aldeias destruídas, e quase 2 bilhões de terras expropriadas na região.


Um ano antes, a Assembleia Geral da ONU, com total apoio da campanha promovida pelo Imperialismo britânico e norte-americano havia decretado a Resolução que estabeleceria dois Estados na região histórica da Palestina; a partir disso o Estado de Israel (mais conhecido como Entidade Sionista para aqueles que não o reconhecem) foi imposto mediante a colonização do território palestino, e a limpeza étnica de seu povo.


Assim como foram os colonos de origem judaica antes da Segunda Guerra Mundial que buscam expandir a colonização do território palestino, desde 1948 a Entidade Sionista é um satélite das potências Imperialistas ocidentais, com os Estados Unidos à frente, um posto bastante estratégico, cumprindo o papel de estabelecimento de uma base militar no Oriente Médio fortemente armada para garantir a continuidade da política dos imperialistas na região e impedir as aspirações de libertação nacional e de soberania na região.


E mais de 70 anos e o expansionismo agressivo de Israel segue avançando sobre o território Palestino, contra os povos árabes em geral e em seus objetivos de estabelecimento de uma “Grande Israel”, visando dominar a região com um Estado com o maior gasto militar per capita do mundo, vide o acordo que o ex-presidente ianque assinou em 2016, com um montante de 38 bilhões de dólares em armamento por 10 anos para as forças armadas israelenses, um valor maior, por exemplo, do que foi gasto pelo imperialismo americano na guerra do Vietnã.

Por isso, mesmo com o apoio e o reconhecimento da maior parte dos governos e países do mundo, o Estado palestino segue sob ocupação e ataques da Entidade Sionista. Mesmo a ONU já reconhece os crimes em andamento. O relator especial da ONU para direitos humanos na Palestina ocupada, Michal Lynk, afirmou que as políticas discriminatórias de Israel nos territórios palestinos ocupados podem ser chamadas de apartheid.


Vários grupos internacionais, incluindo a Anistia Internacional, fizeram afirmações similares recentemente. Lynk fez a afirmação em relatório sobre “a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados desde 1967”, e concluiu que “as diferenças nas condições de vida e direitos de cidadania [entre palestinos e judeus] são gritantes, profundamente discriminatórias e mantidas por meio de opressão sistemática institucionalizada” para “manter a dominação de um único grupo étnico, racial e nacional sobre outro”.


Por isso é cada vez mais necessário que ampliemos a solidariedade ao povo palestino e sua heroica luta de resistência diante de uma força dessa dimensão patrocinada pelo imperialismo.


Devemos ter bem claro que toda a violação dos direitos humanos, os bombardeios, a demolição de casas palestinas, a anexação de novos territórios, não faz parte nem de um problema apenas de substituição de um governo por outro em Israel tampouco de uma corrupção de um ideal (o lar dos judeus) anteriormente “progressista”, mas é parte da própria natureza reacionária, agressiva e colonialista da Ideologia Sionista, sob a qual se ergue esse Estado e contra o qual a luta do povo Palestino se desenvolve. Assim necessitamos nos informar para esclarecer cada vez mais ao nosso povo que a luta do povo palestino por sua libertação nacional é justa e deve ser apoiada como parte maior da luta geral dos povos do mundo contra o imperialismo, da qual também fazemos parte. A luta na Cisjordânia e na Faixa de Gaza também é nossa.


ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO #13 DO JORNAL RUMOS DA LUTA