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George Floyd e a necessária luta dos afro-americanos



Um vídeo viralizado no ano passado mostra um homem negro estadunidense de bruços no chão enquanto um policial está ajoelhado sobre seu pescoço. Mesmo com as súplicas do homem imobilizado falando “Por favor” e “Não consigo respirar” enquanto tenta sobreviver a este ataque policial. Mesmo com os apelos, o policial passa mais de 8 minutos pressionando o pescoço desse homem até que fique imóvel e quieto. A cena desse assassinato a sangue frio, na dita “maior democracia do mundo” ganhou o noticiário de todo o mundo em 2020. Trata-se da morte de George Floyd, um pai afro-americano de 46 anos de Minneapolis, Estado de Minnesota, que teve sua vida arrancada em mais um dos incontáveis casos de violência policial racista nos Estados Unidos.


Diante de mais um ataque do Estado racista norte-americano, a população negra e de outras etnias do país gestou uma onda de revolta que resultou em uma onda de grandes insurreições populares em várias cidades estadunidenses. As massas se levantaram e incendiaram delegacias e prédios públicos demonstrando todo o seu ódio ao governo reacionário e racista. Mesmo com “toques de recolher” e prisões em massa, que chegaram a encarcerar mais de quatro mil pessoas no país por lutar contra o racismo, o povo progressista dos Estados Unidos demonstrou grande combatividade e tomou as ruas do país por semanas, chegando inclusive a cercar a Casa Branca, o grande símbolo do imperialismo ianque, obrigando o então presidente Donald Trump, que tentava reduzir os protestos a “vandalismo” de “grupos terroristas”, a ter que se esconder em um bunker em sua própria casa.


Como apontamos no ano passado no artigo “Saudemos a insurreição do povo negro nos Estados Unidos!”, quando desses protestos massivos, não é a primeira vez que massas estadunidenses se levantam contra os crimes raciais em seu país.


Diante da violência diária a qual estão submetidos, a crise econômica no coração do imperialismo mundial, que condenam os negros e negras ao desemprego, a criminalidade e a inanição, a revolta é e deverá ser constante. Na mesma semana que se desenvolvia o julgamento do caso George Floyd, na mesma cidade de Minneapolis, centenas de manifestantes protestaram durante dias por causa do assassinato do jovem negro Daunte Wright, durante uma abordagem policial.


A sociedade dos Estados Unidos foi erguida sobre a égide do racismo. Desde a escravidão que condenou os negros arrancados da África ao inferno das plantations no Sul, passando pelos linchamentos e ataques da Ku Klux Klan no início do século XX, pela repressão a luta dos negros por direitos civis básicos que culminou no assassinato de Martin Luther King e Malcolm X, na violência e na difusão de heroína nas comunidades negras para brecar o avanço do Partido dos Panteras Negras e a violência policial generalizada das últimas décadas, as massas trabalhadoras afro-americanas são obrigadas a travar uma heroica luta contra o sistema capitalista-racista ianque, que os condena a miséria e quando não, à morte.


Como apontava o camarada Fred Hampton, grande dirigente do Partido dos Panteras Negras, o racismo é um sobproduto do capitalismo. A escravidão, os subempregos, o encarceramento em massa, a violência contra mulheres negras, a repressão policial, os linchamentos, etc., são consequências da exploração e opressão domésticas da burguesia imperialista ianque. São necessárias para que sua dominação prossiga indefinidamente. E a saída está na luta de classes contra o imperialismo ianque.


Derek Chauvin, o porco assassino de George Floyd, que teve apoio aberto de supremacistas brancos e covardemente ficou calado em seu julgamento, foi condenado nesta semana por assassinato não intencional em segundo grau, assassinato em terceiro grau e homicídio culposo e deve ter pena de mais de 70 anos de prisão. O governo de Biden agora é pressionado a mostrar boa vontade e aprovar uma série de leis para que as forças policiais do país, historicamente caracterizadas pelo racismo, passe a “combate-lo”.


O “passo para a justiça” que foi dado pode ser efêmero. A justiça foi feita, mas não é o suficiente. Toda a movimentação do poder ianque caminha na lógica do “mudar para seguir tudo como está”. No mesmo dia em que o assassino de George Floyd foi condenado, uma adolescente negra de 15 anos, Makiyah Bryant, recebeu 4 tiros de policiais que foram chamados pela própria vítima, para denunciar uma tentativa de abuso, na cidade de Columbus, no Estado de Ohio.


Não se pode ter ilusões. Não se pode conceber uma sociedade capitalista sem o racismo, tampouco os Estados Unidos combatendo o que lhe é fundante. Como nos ensinou os Panteras Negras, a tarefa nos Estados Unidos trata-se de civilizar uma sociedade bárbara. E isso somente pode ser feito na construção do socialismo.



TEXTO BASEADO NO ARTIGO QUE SERÁ PUBLICADO NA SEGUNDA EDIÇÃO DO JORNAL RUMOS DA LUTA EM MAIO

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