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O que significa a eleição de Joe Biden nos Estados Unidos?



As eleições presidenciais norte-americanas, que ocorreram no último dia 3 de novembro, foram um verdadeiro espetáculo da decadência política e ideológica do regime imperialista vigente naquele país. Realizada em um contexto de agravamento de intensificação das contradições sociais e em meio a pandemia do coronavírus, a vitória de Joe Biden consolidou uma mudança política operada pelos círculos dominantes do país.


Sabemos que o governo de Donald Trump, apoiando-se nos sentimentos reacionários incrustados na consciência social de amplos setores da população, levou adiante um programa político de caráter extremamente reacionário, marcado pelo racismo e o aprofundamento dos ataques aos direitos democráticos da população.


Mobilizando a retórica imperialista do excepcionalismo ianque, Donald Trump também introduziu várias mudanças no âmbito da política externa do país, iniciando a guerra comercial contra a China e aprofundando a política de “guerra fria” contra o país asiático. É importante salientarmos que tal mudança é uma continuação da política iniciada pela dupla Obama-Hillary Clinton, que consistia justamente no fortalecimento das alianças militares e políticas com países do extremo oriente, bem como uma tentativa de engajamento com a China que favorecesse, no âmbito interno desse país, a intensificação e aprofundamento da política de “evolução pacífica”, disfarçada com slogans pomposos a respeito de “benefício mútuo” e “cooperação”.


Com Donald Trump a hostilidade do imperialismo norte-americano contra a China abriu mão completamente da hipocrisia que sempre caracterizou a política externa dos Estados Unidos junto a China, mostrando abertamente ao mundo o que realmente pensa o imperialismo norte-americano sobre ascensão econômica chinesa.


No interior dos Estados Unidos, as políticas reacionárias de Donald Trump agravaram ainda mais a situação das massas populares, em especial a situação da população negra, que no último período promoveu um verdadeiro levante contra a repressão policial que historicamente pesa sobre suas costas. O Partido Democrata, usando e abusando de sua conhecida demagogia eleitoral, ascenou para certos setores progressistas, apresentando a candidatura do reacionário Joe Biden como uma candidatura que de fato poria fim ao reacionarismo de Donald Trump e trazer de volta os “bons valores americanos”. Como sabemos, o discurso de Joe Biden contradiz bastante sua prática conhecidamente reacionária. Não precisamos enumerar aqui todos os crimes imperialistas que Biden ajudou a cometer ao redor do mundo, já que nos faltaria espaço.


Em nossa visão, a vitória de Joe Biden, longe de representar uma “vitória” ou “avanço” da luta das massas populares nos Estados Unidos, na verdade poderá aprofundar ainda mais as tendêncis agressivas do capital monopolista-imperialista norte-americano.


Donald Trump, com todo seu reacionarismo, introduzia um elemento de crise política permanente no coração do regime imperialista. Aos olhos do mundo, os Estados Unidos perderam cada vez mais credibilidade, e a tendência de sua decaída histórica se aprofundava como nunca antes visto na história. Com Joe Biden, as classes reacionárias norte-americanas tentarão recuperar o “tempo perdido”, recompondo as tradicionais alianças que o imperialismo ianque mantém ao redor do mundo. Longe do que muitos possam pensar, a tendência de mobilização do imperialismo ianque contra a China se intensificará e poderá ocorrer em bases muito mais favoráveis para o imperialismo, que usará até a exaustão a bandeira dos “direitos humanos” e da “democracia” para atacar o Partido Comunista da China, além de Cuba e Coreia Popular, assim como outros países com governos anti-imperialistas por todo o mundo.


É por essa razão que, ao contrário de muitos grupos e organizações de esquerda, no Brasil e em outros países, não saudamos a vitória de Joe Biden e não a consideramos um avanço em relação ao período de Donald Trump. As massas populares nos Estados Unidos e no mundo todo só conquistarão de fato uma verdadeira vitória caso se organizem de maneira independente em um verdadeiro partido revolucionário da classe operária que coloque em cheque o regime político liderado pelo Partido Democrata e pelo Partido Republicano, duas tendências do partido único do imperialismo.

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