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Acerca do debate no Partido Comunista do Brasil (PCB) sobre a questão agrária


O V Congresso Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCB), realizado entre 28 de agosto a 6 de setembro de 1960, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, é - de certa maneira - um divisor de águas dentro do movimento comunista brasileiro que levaria à cisão dos comunistas dois anos depois. A batalha interna se dava em torno das concepções revisionistas da Declaração de Março de 1958, um documento que viria oficializar a adesão do PCB às posições oportunistas do dirigente soviético Nikita Kruschióv. As ideias centrais de defesa da revolução pacífica e via parlamentar para o socialismo, bem como a ilusão em considerar a burguesia como uma classe revolucionária tomaram conta do Comitê Central do Partido capitaneado por Prestes e que tinha em seu núcleo outros dirigentes como Jacob Gorender, Carlos Marighella, Mário Alves e Giocondo Dias. Outra questão que seria pontual no V Congresso e que vinha como linha política a ser adotada pelo Partido era a questão teórica sobre a revolução brasileira. Desde a Declaração de Março, o PCB abandonara a sua linha política aprovada no IV Congresso e que considerava central a defesa de uma Frente Democrática e Antiimperialista contra os resquícios feudais na nossa formação econômica e que impediam o desenvolvimento brasileiro.