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Uma investigação no Vale do Ribeira (SP)


Estive com o compromisso de ir novamente ao campo fazer uma investigação acerca das condições rurais ali existentes, como fiz no sertão e zona da mata alagoanos. Dessa vez, darei informes acerca da situação de parte das zonas rurais do estado de São Paulo, o estado maior e mais desenvolvido de nosso país, de tão grande importância para o avanço da luta popular-revolucionária. A região onde fiz os levantamentos, o Vale do Ribeira, é a mais pobre e mais atrasada do estado (há alguns anos, o Pontal do Paranapanema ocupava esse posto), com um forte peso de uma população camponesa e indígena. A região do Vale do Ribeira cobre quase 40 municípios tanto de São Paulo quanto do Paraná. Tratando de São Paulo, o documento "Vale do Ribeira - Um ensaio para o desenvolvimento das comunidades rurais" divide os municípios do Vale do Ribeira em cinco classes, em ordem crescente de desenvolvimento econômico-social, do 1 para o 5. Os municípios mais atrasados do Vale, da classificação 1, são Barra do Turvo, Apiaí, Barra do Chapéu, Iporanga, Itaóca, Itapirapuã Paulista e Ribeira. Na classificação 2, encontram-se os municípios Cananéia e Peruíbe. Na classificação 3, Eldorado, Tapiraí, Juquiá, Miracatu, Jacupiranga, Cajati, Iguape, Itariri e Pedro de Toledo. Na classificação 4, Registro (conhecido como "capital do Vale do Ribeira"), Sete Barras e Pariquera-Açu. Na classificação 5, São Lourenço da Serra. Quanto aos municípios da classe 1, nos quais me concentrei, vou expor alguns dados que o documento coloca.


77,47% dos produtores diretos do campo trabalham em regime familiar (ou seja, camponês); 9,54% dos produtores diretos são empregados permanentes; 12,14% dos produtores diretos são crianças ou adolescentes; 32,85% dos estabelecimentos agrícolas possuem energia elétrica; 31,06% dos estabelecimentos agrícolas possuem água encanada; 39,31% dos chefes de família não possuem instrução; 57,56% dos chefes de família possuem menos de quatro anos de instrução; 27,18% dos estabelecimentos agrícolas utilizam adubação ou corretivos do solo; a despesa por hectare é de R$220,00; a valor da produção agrícola por hectare é de apenas R$80,00; 75% dos estabelecimentos agrícolas utilizam agrotóxicos; a densidade de mecanização no arado é de 1 trator para cada 642 hectares; 9,51% dos estabelecimentos agrícolas possuem alguma área irrigada.