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"Os Estados Unidos, Síria e a cegueira de Ájax"


Ájax pensava que merecia mais que ninguém as armas de Aquiles. Mas o exército que assolava Troia determinou que Odisseu era o herdeiro por antonomásia do semideus. Cego de raiva e frustração, Ájax tomou a espada e desatou uma indescritível chacina entre os aqueus. Da mesma maneira, incitado pela cegueira, a desilusão e a pressa, a maquinaria bélica estadunidense e seus aliados deram outro respaldo ao terrorismo mundial e, aliás, plantaram mais espinhos no já tortuoso e acidentado caminho à paz na Síria.


Vários analistas destacaram o ataque com mísseis a uma base aérea síria, em 6 de abril passado, como um exemplo do desatino previsível, pois a estabilidade, a sobrevivência do governo democrático de Bashar al Assad e a guerra contra o terrorismo não aparecem na agenda das potências. Então, a resposta foi cantada: o lançamento de uma superbomba no Afeganistão e um novo passo agressivo da aviação israelense.


Parecerá incrível, mas nenhum destes “engenhos” da destruição caiu no território “inimigo”, mas na própria Casa Branca, deixando-a acabada, impotente perante a tentativa falhada de calar as críticas, camuflar a nulidade de suas operações militares contra o Estado Islâmico (EI), abafar as dúvidas dos falcões do establishment e dos aliados — sobretudo hebreus — além de tentar uma demonstração de força para “se manter” no top ten da porfia global.