ILPS: "As maiores homenagens ao camarada Fidel Castro"


Nós na Liga Internacional da Luta dos Povos (ILPS) expressamos nossas mais sinceras condolências para a família Castro, ao povo cubano, ao Partido Comunista de Cuba e ao Governo de Cuba pelo falecimento do camarada Fidel Castro, grande líder revolucionário do povo cubano e fundador do Partido Comunista de Cuba.


Nós lhe prestamos as maiores homenagens por sua liderança na luta revolucionária de seu povo e por ter alcançado imensas vitórias na defesa da independência e soberania nacional, por ter avançado na causa do socialismo, contribuído para as lutas de libertação nacional e social ao redor do mundo e por ter inspirado os povos a perseverar na luta pelo socialismo e comunismo contra o imperialismo norte americano e toda e qualquer reação.


A grandeza da Revolução Cubana sob a liderança de Fidel Castro é imediatamente reconhecida ao considerarmos o fato de que Cuba é apenas um pequeno país a 90 milhas de distância dos Estados Unidos. Ainda assim o povo cubano teve sucesso em libertar-se do monstro imperialista; em frustrar suas agressões como a realizada no caso da Baía dos Porcos, em responder às ameaças de ataques nucleares, impedir inúmeros atos de sabotagens e tentativas de assassinato contra Fidel Castro e prevalecendo diante do mais longo embargo já sustentado pelo imperialismo norte americano contra um país.


A Revolução Cubana foi vitoriosa por conta da harmonia entre o indomável espírito revolucionário de Fidel Castro, seu domínio da tática e da estratégia, sua perseverança em relação às necessidades e demandas do povo cubano, bem como a determinação deste em lutar e ganhar quando desperto, organizado e mobilizado. Como estudante universitário de Direito, de uma família de fazendeiros, Fidel Castro tomou partido dos oprimidos e explorados, se opondo à brutal e corrupta ditadura de Batista e fundou uma organização socialista revolucionária e clandestina, chamada O Movimento.


O Movimento lançou um ataque ao quartel de Moncada em 26 de Julho de 1953. A ação falhou como operação militar, mas alcançou êxito em incendiar o espírito de resistência entre o povo e a juventude. Fidel Castro, junto de muitos outros que participaram do assalto ao quartel de Moncada foram presos. A clausura deu-lhe a oportunidade de ler trabalhos revolucionários, incluindo os de Marx, Lênin e Martí. Seu discurso no tribunal, ''A História me absolverá'', se tornou uma poderosa arma de agitação.


Castro foi solto da prisão em 1955 e deixou Cuba para se dirigir ao México. Ele reagrupou seu movimento e o re-nomeou como Movimento 26 de Julho, em homenagem ao assalto ao quartel de Moncada. Com seu camarada argentino, Ernesto ''Che'' Guevara e outros, navegou de volta para Cuba a bordo do Granma para organizar a guerra de guerrilhas contra o regime de Batista. Sob suas direções estratégicas, as pequenas guerrilhas cresceram até se tornarem grandiosas; de fracas se tornaram poderosas, capazes de deixar em pedaços as tropas de 5000 mil homens, espinha dorsal do exército de Batista, em Sierra Maestra.


Em ligação estreita com o movimento revolucionário de massas nas áreas urbanas, o Movimento 26 de Julho alcançou a vitória completa no dia 1 de janeiro de 1959. Fidel Castro proclamou a vitória e procedeu com a transformação de Cuba ao acabar com o regime de terror de Batista; realizando a reforma agrária e redistribuição de riquezas; acabando com o analfabetismo e expandindo a educação; criando um sistema de saúde universal e de máxima qualidade e provendo muitos outros serviços sociais. Ele nacionalizou empresas norte americanas, refinarias, terras e assim despertou a irá dos todo poderosos nos Estados Unidos da América.


O Serviço de Inteligência Norte Americano (CIA) lançou seu ataque à Baía dos Porcos em 1961. Esta ação fora completamente derrotada e o prestígio de Castro e da Revolução Cubana ressoou pelo mundo. Então veio a crise dos mísseis em 1962, que expôs a vulnerabilidade dos Estados Unidos ao poderio nuclear soviético em várias escalas durante a Guerra Fria. É estimado que o próprio Castro fora alvo de pelo menos 638 tentativas de assassinato, além das incontáveis tentativas de desestabilização do Governo de Cuba. Além de um implacável embargo econômico, comercial e financeiro.


Sob a liderança de Fidel Castro, o proletariado e o povo cubano têm se destacado como a mais formidável força de inspiração aos povos latino americanos para que lutem por sua independência nacional, democracia e socialismo contra o imperialismo norte americano. Eles não vacilaram em tomar a estrada da luta de resistência anti-imperialista mesmo durante o ''período especial'', onde ajustes difíceis tiveram de ser feitos diante da desintegração dos regimes revisionistas do leste europeu e da União Soviética.


Recentemente, eles têm cooperado com a Venezuela e outros países latino americanos na construção da ALBA de acordo com os princípios da justiça social e da ajuda econômica mútua em contraposição às políticas reacionárias do imperialismo, especialmente o neoliberalismo, a subversão e a intervenção militar. Eles são conhecidos por sua excepcional política e atos de internacionalismo, não apenas na América Latina, mas em âmbito mundial.


Jogaram um papel importante no movimento tricontinental de governos e pessoas anti-imperialistas inspirados pela Conferência de Bandung e pelo Movimento dos Não-Alinhados (Non-Aligned Movement). Sob a direção de Fidel Castro, Cuba teve papel fundamental na luta contra as forças imperialistas, coloniais e neocoloniais. Como fonte de exemplo inigualável, as tropas cubanas frustraram as tropas do apartheid sul africano e ajudaram a pavimentar o caminho para a independência nacional dos povos da África do Sul. Em diversos países os médicos, especialistas agrônomos e professores cubanos ajudaram em missões humanitárias.


Quando Fidel Castro ficou gravemente doente em julho de 2006, ele confiou suas obrigações presidenciais ao vice-presidente Raul Castro, seu camarada revolucionário e irmão de sangue. Assim que recuperou sua força física, escreveu cartas e artigos sobre impasses globais e continuou a influenciar na política cubana. Ao final da sessão do sétimo congresso do Partido Comunista de Cuba em 19 de abril de 2016, ele se referiu à sua idade avançada e declarou: ''A todos nós chegará nossa vez, mas ficarão as idéias dos comunistas cubanos como prova de que neste planeta, se você trabalha com fervor e dignidade, é possível produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos necessitam (...)".


Fidel Castro será sempre lembrado como um grande líder revolucionário que defendeu ferrenhamente sua terra. Como alguém que realizou o que foi possível e que continuou a lutar pela causa da libertação nacional e social, pelo socialismo e pelo objetivo final do comunismo, a despeito das condições funestas resultantes da traição do socialismo por parte dos revisionistas modernos; do colapso da União Soviética e a subsequente ofensiva ideológica, política, econômica e militar dos EUA e seus aliados imperialistas. Ele compreendeu que estamos agora em um período sem precedentes de aprofundamento da crise capitalista e guerras inter-imperialistas, que antecederão um novo surto de embates revolucionários em escala global.

Por professor José Maria Sison, presidente da Liga Internacional da Luta dos Povos (ILPS)

Traduzido por Guilherme Nogueira

NOVACULTURA.info

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