top of page

___ VEÍCULO DE INFORMAÇÃO DA URC

NOVACULTURA.info

Marxismo-leninismo e lutas revolucionárias dos povos do mundo

FUNDO-LIVROS-Internacionais.png

Compre os quatro volumes da obra "História das Três Internacionais" de William Z. Foster com até 40% de desconto no pacote promocional

___ PROMOÇÃO

História das Três Internacionais

"Iêmen caminha para uma reedição de Karbala"

Foto do escritor: NOVACULTURA.info
NOVACULTURA.info
há 6 minutos
5 min de leitura

Semanas depois do início da ofensiva houthi no oeste do Iêmen, os sócios de Riad no Acordo de Defesa Conjunta de Meca, Paquistão e Turquia, continuam hesitando em honrar o que foi pactuado em sete de agosto.

 

A ofensiva da milícia Ansarullah (Seguidores de Alá), como também são conhecidos os rebeldes iemenitas, permitiu-lhes conquistar a margem oriental do mar Vermelho, seus principais portos e as ilhas ao norte de Bab al-Mandeb (Mayyun e Hanish), operação que não apenas lhes permite regular a seu bel-prazer o fluxo de embarcações pelo estreito que liga o mar Vermelho ao golfo de Áden.

 

O que lhes permitiu aproximar-se do sul saudita, onde estão localizadas as principais jazidas do reino. Os rebeldes atacaram em várias ocasiões o Aeroporto Internacional Rei Khalid, na capital, Riad, onde, segundo fontes locais, as sirenes soaram de forma constante nas últimas noites. Além disso, os houthis atingiram o aeroporto de Abha, próximo à fronteira iemenita. E também a sempre sensível e fundamental infraestrutura petrolífera, incluindo refinarias como as de Rabigh, Riad e Yanbu, essenciais para a produção de diesel, gasolina e combustível de aviação. Os portos sauditas no mar Vermelho também estão ameaçados, razão pela qual os preços do petróleo continuam em alta.

 

Por isso, Washington começou a mover seus peões na região, para salvar a pele dos Saud e evitar que Bab al-Mandeb se transforme definitivamente em uma arma tão letal quanto Ormuz, e que o fechamento coordenado de ambos os estreitos arrase a economia mundial. Antes que a crise gerada por ele próprio em 28 de fevereiro com o Irã lhe incendeie as urnas no próximo dia 3 de novembro, quando tiver de enfrentar as eleições de meio de mandato, com o galão de gasolina a mais de seis dólares, quando todos sabem que a paciência dos norte-americanos entra em crise quando o galão passa de 4,30. “É a economia, estúpido!”, disse alguém certa vez. Daí a urgência de fechar com o presidente Putin os acordos para que o abasteça de diesel, de maneira urgente. Acordo que sem dúvida será pago pela Ucrânia, para evitar que o resultado das eleições intermediárias, que até agora não parecem nada favoráveis ao tingido de carmesim, o deposite à sombra de um impeachment que acabe por decapitá-lo. Um perfeito exercício de realpolitik, para que aprendam os Zelenskys da vida.

 

Enquanto se espera que Islamabad finalmente envie tropas ao Iêmen, Riad e Washington passaram a pedir contribuições, e o primeiro a responder foi o último grande abençoado do Departamento de Estado, o antigo emir do Hayat Tahrir al Sham (HTS, Organização para a Libertação do Levante), Abu Mohamed al-Golani, agora Ahmed al-Shaara, presidente da Síria desde dezembro de 2024.

 

Tornou-se público que a Arábia Saudita solicitou a Damasco que os mesmos milicianos que, por mais de uma década, Riad, junto com Abu Dhabi e Doha, financiou, e que participaram da guerra contra o presidente Bashar al-Assad, finalmente derrubado em dezembro de 2024, participem da guerra.

 

Desde que chegou ao poder, o regime takfirista-sionista instalado em Damasco dedicou-se apenas a exterminar a possível oposição (alauítas, xiitas, sunitas moderados, drusos e outras minorias), enquanto nada fez, nem na prática nem na teoria, quanto à reivindicação dos territórios usurpados pelos sionistas no Golã em 1974, nem das áreas contíguas capturadas por militares e colonos judeus a partir da anarquia em que a Síria mergulhou durante os últimos dias no poder do presidente al-Assad.

 

Aproveitando a docilidade dos outrora temíveis mujahideens do Hayat Tahrir al Sham, capazes até há algum tempo de abrir seus inimigos ao meio para arrancar-lhes o coração e mastigá-lo diante das câmeras, agora estão dispostos a marchar para o Iêmen, para repetir aquelas façanhas em troca de dólares, que permitam a al-Shaara contornar a grave crise econômica em que está envolvido.

 

Foi nesse contexto que o presidente sírio realizou uma visita oficial ao reino saudita na terça-feira, dia seis, na qual se reuniu com o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, e outros altos funcionários da coroa, que lhe solicitaram formalmente o envio de seus combatentes ao Iêmen, para fortalecer as tropas do governo pró-ocidental do Conselho de Liderança Presidencial (CLP), com sede em Áden.

 

Ao mesmo tempo, em declaração conjunta, Riad e Damasco informaram que o presidente norte-americano Donald Trump está de acordo com a medida. Sem dúvida, para Washington essa decisão pode ser o início não apenas do fim da escalada bélica que envolve o sul da península arábica como a uma cebola de múltiplas guerras. Da guerra civil de 2012, rabo de foguete da Primavera Árabe, seguiu-se em 2015 a guerra lançada por Riad e Abu Dhabi contra os setores xiitas apoiados pelos iranianos, encabeçados pelos houthis, cenário que, com altos e baixos, continuou até hoje.

 

Nas conversações entre bin Salman e al-Shaara participaram também funcionários norte-americanos, para organizar um desdobramento ordenado das forças sírias, evitando que o conflito extrapole o plano militar e se transforme em uma guerra sectária entre os xiitas da Ansarullah e os sunitas do Hayat Tahrir al Sham, o que de certa forma reeditaria a batalha travada no ano 680, nas proximidades da cidade de Karbala, no sul do Iraque, entre os seguidores do neto do Profeta, Huceine ibn Ali, e os exércitos do califado omíada, dando origem histórica a um cisma que dividiria o islã.

 

O acordo Damasco-Riade-Washington prevê cerca de 20 mil mujahidins, entre os quais se contam milhares de combatentes estrangeiros que chegaram à Síria durante a guerra (2011-2024), que agora formam a 84.ª Divisão, com base em Suwayda, no sul sírio.

 

Névoa e negociações sem rumo

 

Enquanto o fantasma de novembro se aproxima, os norte-americanos procuram pressionar o Irã para chegar a um acordo mais ou menos honroso, para encerrar a guerra e lhes permitir disfarçar a derrota, ao mesmo tempo que a frenética atividade bélica no Iêmen e no sul do reino saudita deixa em brasa os negócios energéticos.

 

Nesse contexto, na embaixada norte-americana em Mascate (Omã), no mês passado, funcionários do Departamento de Estado se reuniram com representantes houthis, tentando evitar que os rebeldes levem a escalada a um ponto que os obrigue a intervir. Por ora, Washington, sem atender aos apelos desesperados do príncipe herdeiro, que os vem fazendo desde a retomada da escalada, há mais de um mês, para que intervenha ativamente, presta assistência por baixo do pano com inteligência, fornecendo as coordenadas dos movimentos rebeldes, enquanto a Força Aérea norte-americana fornece reabastecimento de combustível aos aviões do reino, que mais uma vez estariam sendo pilotados por agentes sionistas.

 

Embora, para sair dessa situação, Washington terá de pressionar Riad a aceitar as demandas houthis, que incluem o levantamento do bloqueio marítimo e o fim da intervenção constante nas questões internas iemenitas.

 

Em algo que até agora parece apenas uma manobra para amolecer a estratégia dos houthis nesta nova fase da guerra, o primeiro-ministro paquistanês Shahbaz Sharif, em comunicado da última sexta-feira, dia 9, disse que seu país está disposto a honrar o Acordo de Meca e lutará lado a lado com seus sócios árabes.

 

Por sua vez, o governo iemenita reconhecido pelo Ocidente, com sede em Áden, anunciou que suas tropas, algumas brigadas compostas fundamentalmente por mercenários, teriam tomado as ilhas diante de Bab al-Mandeb, incluindo a cidade portuária de Mocha, o aeroporto de Dhubab e o acampamento militar de al-Omari. Informam também que os rebeldes teriam sido expulsos de zonas próximas à cidade de Taiz, no sudoeste do país, que nos primeiros dias de setembro havia sido cercada pelos rebeldes e onde os combates corpo a corpo teriam se intensificado.

 

Enquanto isso, o governo pró-ocidental do Conselho de Liderança Presidencial anunciou que realizou mais de mil ataques contra posições rebeldes, incluindo uma ofensiva contra Sanaa, ao passo que uma centena de aviões da coalizão liderada pela Arábia Saudita estão realizando operações contra alvos houthis. Teriam destruído depósitos de armas, explosivos e minas navais. Todas essas informações não puderam ser confirmadas, já que o Reino mantém uma estrita censura informativa, que inclui impedir que civis fotografem e divulguem imagens de danos provocados pelos rebeldes.

 

Enquanto se espera para as próximas horas a chegada dos terroristas wahabitas vindos da Síria para reeditar Karbala.

 

Por Guadi Calvo, no Línea Internacional

capa41 miniatura.jpg
PROMOÇÃO-MENSAL-agosto 2026.png
  • TikTok
  • Instagram
  • Facebook
  • Twitter
  • Telegram
  • Whatsapp
JORNAL-BANNER.png
bottom of page