"Bloqueio: um crime totalmente premeditado e indiscriminado"

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Obrigado, Senhor Presidente.
Senhor Presidente:
Minha delegação solicitou exercer seu direito de resposta, em virtude da regra 73 da Assembleia, diante das reiteradas ofensas à dignidade do povo cubano, das constantes mentiras e da doentia obsessão da delegação dos Estados Unidos com Cuba.
Notamos que algumas delegações se concentraram na questão dos direitos humanos, que não é o cerne do que se discute hoje neste plenário. Com essa narrativa, que é funcional aos interesses de Washington, desviam a atenção do crime que se comete hoje contra o povo cubano.
Além disso, é contraditório que haja preocupação com os direitos humanos e não se condene de maneira categórica o impacto do bloqueio e do castigo coletivo, que é a principal violação dos direitos humanos de todos os cubanos.
Ontem ouvimos o Representante Permanente dos Estados Unidos tentar usar este plenário para caluniar nosso povo e seus líderes.
Nenhum cubano digno permitirá jamais que se manche o impecável histórico de serviços dos líderes da Revolução cubana, que vocês não conseguiram derrotar.
Sabemos que, para um político wannabe como o senhor, Sr. Waltz, é difícil pensar em um governante que não seja corrupto. É o que o senhor vê todos os dias em seu próprio país. A corrupção faz parte intrínseca do sistema eleitoral dos Estados Unidos.
Vocês não enganam ninguém e, sobretudo, não enganam o nosso povo.
Com essas mentiras e suas campanhas de manipulação, sua intenção é fraturar a firme unidade dos cubanos e tentar colocar nosso povo contra seus líderes.
É mais uma cortina de fumaça para desviar a atenção da comunidade internacional e da opinião pública estadunidense do crime que seu governo comete contra Cuba.
Outra mentira descarada da delegação dos EUA é que o bloqueio não existe.
Ou o Sr. Waltz não acompanha os pronunciamentos das principais figuras de seu governo, que publicamente reconheceram o reforço do cerco contra Cuba e a intenção de fechar qualquer válvula de escape, ou é um hipócrita, o que também parece estar na moda no sistema político estadunidense.
O bloqueio é real e tem um impacto direto e cotidiano sobre todo o povo cubano.
É um fato comprovado e reconhecido por todos. Não é uma narrativa nossa. Assim o reconheceram esta Assembleia, a maioria de seus Estados-Membros e o Sistema das Nações Unidas.
Se não há bloqueio, ou cerco energético, Sr. Waltz, o senhor que se tornou um “elefantinho perguntador”, eu lhe pergunto: por que Cuba não pode importar combustíveis livremente, como qualquer outra nação? Ou por que se ameaça com tarifas e sanções secundárias e extraterritoriais quem ousar interagir comercialmente com o nosso país?
A resposta a essas perguntas é muito simples, mas a delegação dos EUA não a fornecerá, porque implicaria reconhecer a existência de uma política premeditada de asfixia e castigo coletivo contra todo um povo, bem como suas pretensões de dominação sobre Cuba.
Entendam de uma vez, senhores imperialistas: Cuba não é uma possessão colonial dos Estados Unidos, nem um inimigo vencido.
Os tempos em que vocês decidiam o destino de Cuba acabaram para sempre no luminoso janeiro de 1959, com a Revolução de Fidel Castro, que ainda hoje tanto os incomoda e que vocês se empenham em liquidar.
O governo dos Estados Unidos sabe perfeitamente que suas medidas contra o povo cubano violam de maneira flagrante o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas.
Sabe perfeitamente, também, o dano que produzem. É um crime totalmente premeditado e indiscriminado.
Em seu cinismo, a delegação dos Estados Unidos tenta culpar o governo cubano pelos efeitos que sua política provoca. É a máxima expressão da mesquinhez, ao tentar apresentar a vítima como algoz e a si mesmos como salvadores.
Outra pergunta que a delegação dos Estados Unidos não poderá responder é por que o bloqueio se mantém de pé, se não passa de uma justificativa dos cubanos.
Deixo aqui outras perguntas incômodas que, ao que parece, não querem ouvir.
Por que não eliminam o nosso suposto “pretexto”? Do que têm medo? Do exemplo de Cuba? Do nosso projeto de justiça social como alternativa ao seu capitalismo predatório e selvagem? Deixem Cuba viver em paz!
Ontem o Sr. Waltz falou aqui também sobre os direitos humanos em Cuba. Outra grosseira manipulação, própria de um mentiroso.
Os Estados Unidos não têm moral nem autoridade alguma para dar lições a ninguém. É mais um artifício para atacar Cuba.
As execuções extrajudiciais impunes no Mar do Caribe, a sistêmica brutalidade policial contra as minorias, a militarização de cidades e a feroz caça aos migrantes, os tiroteios em massa em centros educacionais, a desigualdade social galopante, a falta de acesso a serviços de saúde de qualidade e o preço proibitivo dos medicamentos são apenas alguns exemplos das graves violações dos direitos humanos desse falso paladino.
A verdade é que ao governo dos Estados Unidos não interessam minimamente os direitos humanos em Cuba nem a sorte que nosso povo venha a ter. Sua política em relação ao nosso país assim o demonstra.
Sua intenção real hoje é a mesma de sempre, desde o infame Memorando Mallory: gerar sofrimento e carências em nosso povo para provocar uma explosão social que leve a uma mudança fundamental da ordem constitucional livremente escolhida por nosso povo.
É isso que explica o bloqueio, a asfixia econômica, a agressão multimodal, o cerco energético e o castigo coletivo contra todo o povo cubano.
No entanto, vocês não conhecem a nossa estirpe e determinação. Cubanas e cubanos não temos nada mais sagrado do que a Pátria que nossos pais e mães conquistaram para nós e preservaram de pé.
Vocês perdem tempo e dinheiro dos contribuintes estadunidenses, que aos milhões tem ido parar na indústria do ódio contra Cuba, sobretudo no sul da Flórida.
Nosso povo já pagou, várias vezes, o preço mais alto por sua soberania e independência, e não deixará de continuar defendendo-as. Isso é o verdadeiramente incomum e extraordinário: a determinação de todo um povo de decidir seu próprio destino em sua própria terra.
Muito obrigado.
Réplica do Embaixador Ernesto Soberón Guzmán, representante permanente de Cuba junto à ONU, durante o debate da votação da resolução de Cuba contra o bloqueio em 28 de outubro de 2026











































































































































