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"Venezuela: a bolsa ou a vida?"

  • Foto do escritor: NOVACULTURA.info
    NOVACULTURA.info
  • há 58 minutos
  • 6 min de leitura

Donald Trump já deixou de ser presidente dos Estados Unidos ou um empresário megamilionário ou um medíocre jogador de golfe ou um apaixonado consumidor de sexo pago, para se converter na fábrica de rumores — verdadeiros ou mentirosos — mais fenomenal que alguém poderia ter sonhado.

 

De fato, autoproclamado o orwelliano Grande Irmão, dispõe das almas, vontades e bens de, por enquanto, apenas todos os países do Ocidente, convertidos em seus súditos por amor, conveniência ou terror.

 

Muitos analistas bem-pensantes acreditam estar descobrindo agora que, graças a ele, chegou o fim do Direito Internacional, após a famosa extração, sequestro ou captura do presidente constitucional da Venezuela, Nicolás Maduro, como se os Estados Unidos, pela primeira vez desde sua existência, tivessem abanado suas partes com todas as leis, normas, estatutos e códigos que regem a ordem internacional. Sendo a lista dessas faltas tão extensa, óbvia e humilhante que aborrece e indigna em partes iguais. Estima-se que tenham sido umas 70 nações as vítimas de seus preparativos imperiais. A enorme maioria delas, localizadas na América Latina, África ou Ásia.

 

Por isso agora não deixa de ser uma novidade que este Trump 2.0 ameace transformar o Canadá em um novo Estado da União, pelo simples fato de tê-lo ao alcance da fronteira, enquanto anuncia que a hierática Groenlândia será abduzida, por estritas razões de segurança nacional.

 

Embora o que parece uma piada tenha feito a OTAN entrar em pânico, pois, ao ocupar a ilha que pertence à Dinamarca, e sendo este país membro, a OTAN — a Organização do Tratado do Atlântico Norte — teria de marchar à guerra contra seu principal sócio, os Estados Unidos. Um fantasma percorre a Europa: o realismo mágico.

 

Alguns dos poucos analistas que não caíram vítimas desse pão da loucura suspeitam que as ameaças que pairam sobre as regiões do extremo norte americano encobrem um ataque iminente ao Irã, submetido há alguns dias a uma intensa campanha de protestos made in CIA ou Mossad, tanto faz… centradas particularmente no interior do país. Pelo que o reconhecimento diplomático extemporâneo de Israel à Somalilândia não estaria muito distante de tudo isso.

 

Voltando ao nosso objeto de análise extravagante, depois de ter ameaçado Cuba, Nicarágua, México e Colômbia com reiterar a “Operação Resolução Imediata”, com a qual se livraram do sucessor de Chávez, Donald Trump anunciou que, depois de uma conversa telefônica com o presidente colombiano Gustavo Petro, seria realizado em alguns dias um encontro entre ambos em Washington. O anúncio gerou uma pergunta: Petro voltará à Colômbia, sendo seu presidente ou ao menos vivo? Uma vez nas fauces de Trump, tudo é possível.

 

Estes são os níveis de desconfiança que desperta o infantilismo de Trump, que levaram a recente Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, que até poucos dias atrás era a grande favorita para entrar vitoriosa no Palácio de Miraflores, a cair em desgraça, após ser publicamente urinada por Trump; ela lhe ofereceu compartilhar seu prêmio. Porque ao que parece o ajusticiamento sofrido por Donald Trump por parte do Comitê Norueguês do prêmio teria sido a razão do afastamento da boa María Corina. Segundo fontes não confirmadas, também os cinco membros do Comitê estariam próximos de ser retirados de suas casas por comandos do Grupo Delta, para serem julgados junto com Maduro por atividades anti-ianques.

 

Enquanto tudo isso aconteceu a uma velocidade muito maior que a da luz, o mundo toma conhecimento de que Delcy Rodríguez, um dos quadros mais bem preparados da Revolução Bolivariana, após ter pactuado com Trump e ser nomeada nova vice-rainha do país caribenho, entre outras questões, comprometeu-se a acatar as novas disposições, como a de aceitar que as petroleiras norte-americanas se apropriem do petróleo de seu país, o que significa a maior reserva em nível mundial. Devendo além disso arcar com os gastos da invasão, em torno, por agora, de uns dois bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, como parte dos acordos, Caracas comprometeu-se a abastecer-se apenas com produtos norte-americanos, desde alimentos, medicamentos e insumos para a indústria petrolífera, além de um longo etecétera.

 

Por isso não cabe dúvida de que a outrora vice-presidente de Maduro, apesar de ter sido uma moça bastante malvista por Chávez Frías, caiu seduzida por aquele lendário apotegma de “o dinheiro ou a vida”, enquanto os dois bispos da vice-rainha, o general Diosdado Cabello, o homem forte do governo de Maduro, ministro do Interior, Justiça e Paz, e o general Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, parecem ao menos com seus discursos anti-imperialistas não ter se alinhado com a camarada Delcy. De quem existem fortes suspeitas de ter sido quem possibilitou a captura de Maduro e o assassinato de sua escolta, entre eles trinta e dois agentes cubanos.

 

Todos somos Gaza

 

Com esta nova ordenação internacional, cada país, cada cidade, cada bairro não está isento de converter-se em uma nova Gaza, se com isso se entende que qualquer associado a Washington possa bombardear a seu bel-prazer quem considere território hostil, à sua maneira de entender o mundo.

 

Se vier a se instalar de maneira definitiva o sistema que Trump tenta consagrar, se antes os arquivos de seu amigo Jeffrey Epstein, que transbordam de informação sobre os gostos etários de Trump na hora dos jogos sexuais, não forem retirados da Casa Branca ou o establishment norte-americano considerar que ele foi longe demais com tanta bravata, PENSAR se converterá em algo muito mais perigoso do que tem sido historicamente.

 

Ameaçada a possibilidade de qualquer postura que não se alinhe com ele com a inteireza com que o faz o preferido de seus efebos, Javier Milei, fica ao alcance de ser intervindo, sequestrado e julgado por narcotráfico, narcoterrorismo ou atividades anti-estadunidenses, pelo que de fato o sistema democrático no Ocidente acaba de ser detonado.

 

Embora, para além do perigoso do que foi descrito, o verdadeiramente certo seja que o mundo poderia estar se aproximando de um conflito muito mais grave se continuarem ações por parte dos Estados Unidos como a que ocorreu no dia sete passado, quando, sob a consigna de reafirmar militarmente sua “esfera de influência”, implantar no mar o que já fez no quintal de casa, arriscando-se ao estouro de uma guerra com a Rússia.

 

Os Estados Unidos acabam de abordar e apreender o petroleiro de bandeira russa Marinera, antes conhecido como Bella I, enquanto navegava em águas do Atlântico.

 

A embarcação estava sob observação por ser suspeita de ter estado vinculada a certas operações com o grupo libanês Hezbollah.

 

O Bella I, com bandeira da Guiana, havia feito a rota do Irã à Venezuela, tentando romper o bloqueio norte-americano. Pelo que, após seu fracasso, não apenas mudou de nome e conseguiu permissão temporária para navegar sob bandeira russa, como também tentou retornar a seu lugar de origem. Após sua captura, a chancelaria russa exigiu que seus cidadãos a bordo recebessem tratamento humano e fossem repatriados.

 

O incidente mostra claramente a indiferença dos Estados Unidos diante da possibilidade do estouro de uma conflagração com Moscou. Pois, para além das circunstâncias particulares do Marinera, mesmo para os padrões norte-americanos, apreender uma nave com bandeira russa — ainda mais quando os meios ocidentais divulgaram que a Rússia havia enviado navios de guerra e um submarino para escoltá-la — não deixa de ser um desafio à autoridade do presidente Vladimir Putin, que nunca deixou essas coisas passarem.

 

Por enquanto, sem fazer mais comentários, a Rússia observa muito atentamente os novos planos norte-americanos para restaurar sua hegemonia sobre o continente americano. Enquanto isso, a China espera que se retome o abastecimento do petróleo que recebia da Venezuela, embora, em seu pragmatismo, não lhe interesse de fato quem o envie, contanto que o pactuado seja cumprido.

 

Muitos acreditam que um superacordo entre Moscou, Pequim e Washington permita a cada um resolver suas pendências fronteiriças: Trump com a América Latina, Putin com a Ucrânia e Xi Jinping com Taiwan, o que apenas o tempo poderá confirmar ou não, enquanto que, por estas bandas, América Latina e Europa, a espécie já foi violentamente constatada, pelo que, a partir de agora, para todos vigora o dinheiro ou a vida, ou o todos somos Gaza, que é a mesma coisa.

 

Por Guadi Calvo, no Línea Internacional

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