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"Armas Nucleares, Imperialismo dos EUA e a Luta por uma Paz justa e duradoura"

  • Foto do escritor: NOVACULTURA.info
    NOVACULTURA.info
  • 8 de ago. de 2025
  • 10 min de leitura

Visão geral introdutória dos pontos do guia

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os povos do mundo vivem sob a ameaça de uma guerra nuclear e da possível aniquilação da maior parte da vida na Terra.

 

Os EUA, o único Estado que já utilizou armas nucleares em um ato de guerra, impulsionaram o desenvolvimento de armamentos nucleares cada vez mais poderosos e usaram sua condição de potência nuclear para expandir seu controle e influência sobre o mundo por meio da agressão imperialista. Quer tenham proliferado entre aliados dos EUA buscando participar dos espólios do imperialismo estadunidense, quer entre Estados que buscavam dissuadir os EUA e defender sua soberania, as armas nucleares existem no mundo porque os EUA lhes deram origem, e permanecerão enquanto o próprio imperialismo dos EUA existir. Um amplo e determinado movimento de massas deve lutar para pôr fim à agressão armada nuclear dos EUA como um passo necessário antes que a abolição total das armas nucleares possa ocorrer. Esse chamado está alinhado com o direito das nações e povos à autodefesa e à libertação do imperialismo.

 

Este guia responde a perguntas-chave relacionadas às armas nucleares, ao imperialismo dos EUA e à luta por uma paz justa e duradoura.

 

Qual é a história das armas nucleares?

Os EUA desenvolveram as primeiras armas nucleares por meio do secreto Projeto Manhattan e as lançaram sobre o povo de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945. Esse ato matou mais de 200 mil pessoas, destruiu completamente as cidades bombardeadas e deixou um legado devastador de câncer e outras doenças causadas por radiação para gerações de famílias. Além disso, a produção e os testes de armas nucleares pelos EUA envenenaram e deslocaram milhares de pessoas envolvidas ou que viviam próximas a minas de urânio, locais de despejo de resíduos e áreas de teste.

 

Ameaçada com intervenção pelos EUA após a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética testou sua primeira arma nuclear em 1949, encerrando o curto monopólio dos EUA sobre as armas mais letais do mundo. Os EUA responderam construindo bombas termonucleares de hidrogênio, testando a primeira em 1952. O Reino Unido testou sua primeira arma nuclear nesse mesmo ano, tendo conduzido seu próprio programa de pesquisa enquanto colaborava com os EUA no Projeto Manhattan. A França foi o quarto país a desenvolver armas nucleares, testando sua primeira em 1960. Cientistas da entidade sionista – “Israel” – estavam presentes no teste nuclear da França e colaboraram com seu programa por anos, levando ao que se acredita ser a primeira arma nuclear sionista em 1966, embora os sionistas nunca tenham declarado oficialmente seu arsenal.

 

Com três imperialistas ocidentais agora armados com armas nucleares, a União Soviética compartilhou tecnologia nuclear com a China, que testou sua primeira arma em 1964, expandindo assim o poder dissuasório frente ao arsenal liderado pelos EUA. No entanto, os EUA continuaram a expandir seu próprio estoque, o que incentivou outros a fazerem o mesmo, à sombra das guerras de agressão dos EUA que eclodiam pelo mundo. A proliferação se intensificou quando a Índia testou suas primeiras armas nucleares em 1974, após ter recebido tecnologia nuclear dos EUA e do Canadá nos anos 1950. Temendo sua rival regional, o Paquistão começou a desenvolver armas nucleares com base em pesquisas contrabandeadas da Europa, desenvolvendo sua primeira arma em 1986 e testando publicamente em 1998. O regime fascista do apartheid na África do Sul produziu armas nucleares nos anos 1980, tendo recebido pesquisas nucleares dos EUA desde os anos 1950, mas as desmantelou quando ficou evidente que o regime estava prestes a colapsar. A República Popular Democrática da Coreia (RPDC), após anos de ameaças diretas de invasão pelos EUA, que bombardearam quase todos os edifícios em seu território durante a Guerra da Coreia, conduziu seu primeiro teste público de armas nucleares em 2006.

 

Durante a Guerra Fria, os EUA construíram cerca de 70 mil ogivas nucleares — mais do que qualquer outro Estado. Também mantiveram armas nucleares em países como Coreia do Sul, Filipinas, Taiwan, Japão, Canadá e Grécia. Os testes de armas nucleares realizados por EUA, Reino Unido, França e Rússia ocorreram nos EUA, Ilhas Marshall, Polinésia Francesa, Kiribati, Atol Johnston, Austrália, Argélia, Cazaquistão, Ucrânia, Nova Zembla (Rússia) e outros locais. Esses testes devastaram comunidades indígenas e da classe trabalhadora, com inúmeros casos de câncer e doenças relacionadas à radiação, refletindo a mentalidade colonialista dos países imperialistas que desenvolveram armas nucleares dessa forma.

 

Apesar de muitos tratados multilaterais para conter o crescimento das armas nucleares — como o Tratado de Proibição Parcial de Testes (1963), o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP, 1968), o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (1996), os tratados de Redução de Armas Estratégicas (START) e o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (2021) — os EUA frequentemente não assinaram, burlaram ou simplesmente ignoraram esses acordos e continuaram sua agressão e ameaças provocativas de “prontidão nuclear” contra seus rivais. Também ameaçaram países rivais acusados (muitas vezes sem provas) de desenvolver armas nucleares, como Líbia, Iraque, Irã e outros.

 

Qual é a situação atual das armas nucleares?

Acredita-se que existam cerca de 4 mil armas nucleares ativas no mundo hoje, com o número total, incluindo estoques de reserva, ultrapassando 12 mil em 2025. Bélgica, Alemanha, Itália, Países Baixos e Turquia hospedam armas nucleares terrestres dos EUA. Coreia do Sul, Austrália, Japão, vários Estados da OTAN e outros países abrigam aeronaves ou submarinos nucleares dos EUA.

 

Segundo dados da Federação de Cientistas Americanos, os arsenais nucleares são aproximadamente: EUA: 5.177; Rússia: 5.459; China: 600; França: 290; Reino Unido: 225; Índia: 180; Paquistão: 170; “Israel”: 90; RPDC: 50.

 

Os gastos com armas nucleares chegaram a um total combinado de 1 trilhão de dólares em 2024. Só os EUA estão gastando 1,7 trilhão em um programa de “modernização nuclear” de 30 anos, que inclui o desenvolvimento de novas ogivas (em violação ao TNP), produção de novos núcleos de plutônio, substituição de bombardeiros, mísseis e submarinos, e construção de novas instalações para produção e manutenção de armas.

 

O que está em risco com a existência das armas nucleares?

O poder de uma única arma nuclear pode variar de um quiloton a mais de 50 mil quilotons. Isso coloca o poder combinado das armas nucleares do mundo em bilhões de quilotons — o suficiente para destruir o planeta Terra várias vezes.

 

Mesmo que nenhuma arma nuclear seja usada em guerra, sua existência causa danos a muitas comunidades ao longo de sua cadeia de produção. Mineiros de urânio sofrem com radiação e são frequentemente recrutados em comunidades rurais da classe trabalhadora ou camponesa com poucas opções de sustento. O lixo das minas e das instalações de enriquecimento afeta comunidades inteiras próximas em países como Congo, Níger, Namíbia, Cazaquistão, Austrália, Canadá, Rússia, China e EUA. A maior parte do urânio do mundo é extraída em terras indígenas.

 

Além disso, o simples fato de possuírem arsenais nucleares massivos dá aos Estados que os detêm enorme poder sobre outros Estados. A ameaça de serem alvo de ataques nucleares força Estados menos poderosos a aceitar acordos políticos e econômicos desiguais ou mesmo a sofrer invasões militares diretas. A dissuasão provocada pela União Soviética e outros Estados nucleares não pertencentes à OTAN impediu os EUA de usar novamente seu arsenal de forma ofensiva, por medo da chamada “destruição mútua assegurada”. No entanto, isso não os impediu de invadir inúmeros Estados não nucleares com a certeza de que não sofreriam retaliação nuclear.

 

Por que o imperialismo dos EUA é a causa raiz dos arsenais nucleares no mundo?

Os EUA introduziram as armas nucleares no mundo e as utilizaram em um dos maiores atos de terrorismo da história: os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. Após isso, os EUA iniciaram imediatamente pesquisas para formas ainda mais destrutivas de armas nucleares. Em vez de cooperar com a União Soviética em 1949 como parceiro igual para desmantelar mutuamente suas armas nucleares, os EUA dobraram sua produção com o objetivo declarado de superar seu rival e manter o monopólio nuclear mundial. Isso deu início à corrida armamentista nuclear, que poderia ter sido evitada se os EUA tivessem agido de forma diferente, ao invés de seguir a lógica imperialista de sua classe dominante sedenta por lucros.

 

Os EUA aplicam um padrão duplo no que se refere às armas nucleares. Por um lado, lideram a produção nuclear ao ajudar a armar seus aliados da OTAN e regimes abertamente fascistas e de apartheid, como “Israel” e a África do Sul (antes de 1994), além de espalhar seu arsenal nuclear pelo mundo. Colocam seus aliados sob o chamado “guarda-chuva nuclear”, prometendo defender esses Estados com armas nucleares — uma justificativa provocativa para manter sua influência por meio de ameaças terroristas.

 

Por outro lado, os EUA condenam seus rivais, como China, Rússia e RPDC, por manterem seus próprios arsenais, impondo-lhes sanções econômicas devastadoras e tentando rotulá-los como “Estados terroristas” — mesmo que esses países nunca tenham usado armas nucleares, ao contrário dos EUA.

 

As instituições multilaterais, supostamente destinadas a impedir a expansão das armas nucleares e garantir a produção segura de energia nuclear, falharam em conter o terrorismo nuclear dos EUA. O governo dos EUA mentiu ao dizer que o Iraque possuía armas nucleares, para justificar a invasão e ocupação do país com o objetivo de controlar suas reservas de petróleo em 2003. Pouco depois, os EUA passaram a ameaçar o Irã com invasão por causa de seu programa de energia nuclear civil. Mesmo com a cooperação do Irã com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), veio à tona que a AIEA havia quebrado seu mandato ao compartilhar informações secretas sobre o programa iraniano com “Israel”, que as usou para assassinar cientistas iranianos.

 

A revelação também confirmou que a AIEA sabia do arsenal nuclear sionista não declarado e permitiu que ele permanecesse em segredo, em violação ao direito internacional que a própria AIEA deveria fiscalizar. Isso culminou nos bombardeios de 2025 contra o Irã por parte do regime sionista e, em seguida, dos EUA, com o objetivo de destruir suas instalações nucleares. O Irã é signatário do TNP e não possui uma única arma nuclear. “Israel” não é signatário do TNP, e tanto ele quanto os EUA o violaram inúmeras vezes. Isso prova que o sistema multilateral de tratados e normas internacionais sobre armas nucleares está totalmente inclinado a favor do imperialismo estadunidense.

 

Por que a ILPS não usa a palavra de ordem “abolir todas as armas nucleares agora”?

Dada a lógica do imperialismo e a presença de armas nucleares nas mãos das potências imperialistas mais poderosas, é fora de cogitação que esses Estados desistam voluntariamente de seus arsenais, pois isso significaria abrir mão de sua posição de poder sobre a economia e os povos do mundo.

 

Assim, a palavra de ordem “abolir todas as armas nucleares agora” acaba por atingir os Estados nucleares menos poderosos, como a RPDC, cuja posse de armas nucleares a protege das provocações e ameaças do imperialismo estadunidense. Qualquer Estado com armas nucleares que seja alvo dos EUA não tem razão alguma para abandoná-las, considerando o histórico do imperialismo dos EUA desde 1945.

 

Os EUA mantêm mais de 800 bases militares e cerca de 14 mil outras instalações militares no exterior, e possuem um orçamento militar maior do que os dez países seguintes combinados. Invadiram ou provocaram guerras em mais de 100 países para expandir os interesses de sua classe dominante. Apesar das sanções econômicas impostas à Rússia, China e RPDC, os EUA nunca os invadiram diretamente após esses países adquirirem armas nucleares — justamente pelo medo de serem atingidos em legítima defesa.

 

Um tratado universal de proibição ou mesmo um tratado universal de não proliferação seria usado apenas para impor o desarmamento aos Estados que os EUA querem atacar. Por isso, tais tratados não devem ser apoiados se não tiverem como foco central os próprios EUA — e a violação sistemática desses tratados pelos EUA deve ser amplamente denunciada.

 

Em vez disso, a ILPS defende o desarmamento nuclear dos EUA, para que a ameaça histórica que representam aos povos do mundo deixe de ser o principal fator da corrida armamentista nuclear. A Liga conclama os povos a construir alianças amplas e travar lutas militantes para pôr fim ao imperialismo dos EUA — o maior terrorista nuclear do mundo — como passo para acabar com o sistema imperialista como um todo e, assim, eliminar a lógica que dá origem à ameaça existencial que as armas nucleares representam para a humanidade.

 

O que se entende por autodefesa das nações e dos povos?

Sob o sistema global do imperialismo, surgem conflitos inevitáveis entre diferentes forças que não podem ser resolvidos enquanto o próprio imperialismo existir. Esses conflitos se manifestam: entre a classe trabalhadora e a burguesia monopolista nos países imperialistas; entre as nações colonizadas e semi-colonizadas e o imperialismo; entre nações que afirmam sua independência e os Estados imperialistas que buscam intervir; entre os próprios imperialistas.

 

Todos os povos oprimidos têm o direito de se libertar das garras do imperialismo e construir qualquer estrutura estatal que escolham para defender seu povo liberto e se desenvolver com base na autodeterminação. Dado que qualquer Estado que tente afirmar sua independência genuína se torna alvo de potências imperialistas que cobiçam seus recursos, mercados e território, a defesa de sua soberania torna-se uma frente essencial na luta contra o imperialismo.

 

Tais Estados são, portanto, aliados das classes exploradas e dos povos oprimidos que lutam por sua própria libertação nacional e social contra o imperialismo. A autodefesa desses Estados é, por princípio, de interesse do frente única anti-imperialista. Este princípio fundamenta a posição da ILPS sobre as armas nucleares e a luta contra o imperialismo dos EUA.

 

O que se entende por paz justa e duradoura?

A paz genuína não é meramente a ausência momentânea de conflito. Tampouco é a ausência de guerra aberta enquanto se mantém a exploração imperialista e o sofrimento das massas populares do mundo. A violência está presente em todas as fases do imperialismo.

 

A posição da ILPS sobre a paz é que ela deve ser duradoura e, portanto, as condições materiais que levam à guerra precisam ser extirpadas e transformadas fundamentalmente. A paz deve estar associada à justiça social, econômica e política, à equidade social e à solidariedade entre os povos. Isso inclui: o reconhecimento do direito à autodeterminação, à soberania econômica, incluindo a soberania alimentar e à autodefesa das nações e povos oprimidos contra a agressão e a violência reacionárias.

 

A paz justa e duradoura só será alcançada em um mundo sem imperialismo. O imperialismo é a raiz da existência das armas nucleares e da ausência de paz. Portanto, clamar pela abolição das armas nucleares antes da derrota do sistema imperialista não levará à paz genuína nem ao fim das armas nucleares.

 

Os povos do mundo devem se unir em uma ampla frente única internacional e anti-imperialista, travar todas as formas de luta contra o sistema imperialista — com o imperialismo dos EUA como alvo principal — e lutar por um futuro socialista brilhante para a humanidade e o planeta, de modo que a paz justa e duradoura possa de fato ser construída e sustentada.

 

LIGA INTERNACIONAL DA LUTA DOS POVOS (ILPS)

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