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"Pomar, Arroio e Drumond, heróis do povo brasileiro"

 

Pedro Pomar era um dos mais conhecidos dirigentes comunistas do nosso país, tendo militado quarenta e dois anos nas fileiras do Partido. Nasceu a 23-9-1913, na cidade de Óbidos, Estado do Pará. Sua mãe, sozinha, enfrentou enormes dificuldades para criar os filhos. Ao completar os estudos secundários, Pomar conseguiu ingressar na Faculdade de Medicina de Belém, onde cursou apenas os dois primeiros anos.

 

Em 1935, ingressou no Partido Comunista do Brasil, na clandestinidade, chegando a ocupar um cargo no Comitê Regional do Pará. Tomou parte ativa da campanha democrática e patriótica da Aliança Nacional Libertadora e apoiou com entusiasmo a insurreição de novembro de 1935. Vivendo na clandestinidade, devido as perseguições policiais que se seguiram à derrota da insurreição da ANL, dedica-se a tarefa de construção do Partido. Esteve várias vezes na prisão. Em 1940, quando recrudesceu a vaga repressiva aos comunistas, estimulada pela luta antifascista, Pomar foi detido uma vez mais, permanecendo no cárcere cerca de um ano.

 

Em agosto de 1941, juntamente com outros camaradas, empreendeu audaciosa fuga da prisão. Nessa época, o Comitê Central do Partido havia caído em mãos da reação, e as organizações estaduais encontravam-se, quase todas, praticamente destroçadas. A reconstrução do Partido era tarefa urgente e fundamental. Pomar, em companhia do camarada Amazonas, dirigiu-se para o Rio de Janeiro, realizando difícil e prolongada viagem através de regiões inóspitas. Chegando ao Rio, em fins de 1941, empenhou-se na reorganização partidária, tornando-se membro da Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP). Em 1943, foi um dos organizadores da Conferência da Mantiqueira, que reorganizou o Partido em escala nacional. Seu nome figurou entre os membros do Comitê Central e da Comissão Executiva eleitos. Com a conquista da legalidade do partido, em 1945, Pomar exerceu o cargo de diretor da Tribuna Popular, diário de massas do PC do Brasil. Mais tarde dirigiu também a Imprensa Popular, do Rio, e colaborou ativamente em Notícias de Hoje, de São Paulo, concorrendo ao pleito sob a legenda partidária aliada, tendo exercido o mandato por quatro anos. Nessa função foi intransigente defensor da orientação do Partido, cujo registro legal foi cassado em maio de 1947.

 

Como dirigente do Partido, Pomar trabalhou em vários Estados, ocupando diferentes cargos. Esteve no Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Representou o PC do Brasil em reuniões de organizações democráticas de âmbito mundial e também em diversos congressos de Partidos irmãos, tornando-se um nome muito conhecido internacionalmente. Nos fins da década de 50, tomou posição firme no combate ao oportunismo de direita que então grassava na direção do Partido, como Prestes à frente. Participou do histórico debate do V Congresso do PC do Brasil, em 1960, no qual se enfrentaram abertamente duas concepções opostas – a dos revisionistas e a dos marxista-leninistas. Pomar defendeu o caminho revolucionário, criticou e desmascarou Prestes e seus seguidores. Quando, um ano depois, os revisionistas que se haviam apoderado da direção do Partido deram novos passos para transformá-lo definitivamente num agrupamento social-democrata, Pomar foi dos primeiros a defender o antigo partido da classe operária e a trabalhar pela sua reorganização.

 

Em fevereiro de 1962, encontra-se entre os organizadores da Conferência Nacional Extraordinária que reestruturou o Partido Comunista do Brasil e é um dos signatários do seu Manifesto-Programa. Aí foi eleito membro do Comitê Central e da Comissão Executiva, sendo também indicado para o cargo de redator-chefe de A Classe Operária. Na VI Conferência Nacional do Partido, em 1966, tomou parte destacada na elaboração da tática geral do Partido, visando à luta contra a ditadura militar-fascista e o imperialismo norte-americano e em defesa das liberdades e da independência nacional. Após o assassinato dos três membros da Comissão Executiva, em fins de 1972, Pomar incumbiu-se da direção da Comissão Nacional de Organização. Revolucionário consequente, era odiado pelos militares fascistas que cassaram seus direitos políticos por dez anos e já o haviam condenado à revelia, na Justiça Militar, por três vezes, a penas que somam um total de oito anos.

 

Durante os quase quinze anos de reorganização do Partido, Pomar destacou-se como um batalhador incansável do fortalecimento do PC do Brasil, como adversário do revisionismo contemporâneo que tem à sua frente os renegados do Kremlin e como ardoroso partidário do internacionalismo proletário. Pessoa de elevada moral, sempre levou vida modesta e inteiramente dedicada ao Partido e à revolução. Homem de cultura, foi um estudioso da História do Brasil, esforçando-se por interpretar o passado do país à luz do marxismo-leninismo.

 

O assassinato de Pedro Pomar, destacado dirigente comunista, priva a classe operária e o povo brasileiro da colaboração eficiente e inteligente de um de seus melhores filhos.

 

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Ângelo Arroio, operário metalúrgico, filho de família proletária, nasceu em São Paulo, a 6/11/1928. Ingressou no Partido Comunista do Brasil em 1945. No ano seguinte, era eleito membro do Comitê Regional de São Paulo e 1º secretário do Comitê Distrital da Mooca, bairro de forte concentração industrial. Foi ativista do movimento sindical paulista, tornando-se um dos líderes do Sindicato dos Metalúrgicos na década de 50. Destacou-se sempre como firme defensor dos interesses da classe operária a qual servia de todo coração. Durante muitos anos lutou contra a influência nefasta dos pelegos nos Sindicatos, esforçando-se para essas organizações fossem dirigidas por elementos fieis à sua origem classista. Tomou parte, como ativista e dirigente, das grandes e combativas greves e das manifestações de rua do proletariado de São Paulo, em 1952/1953. Contribuiu decididamente para criar núcleos comunistas nas fábricas tendo em vista enraizar o Partido no seio da classe operária.

 

Preso várias vezes, teve comportamento exemplar ante o inimigo de classe. Desde que ingressou no Partido, estudava seriamente o marxismo-leninismo e procurava elevar o nível de sua consciência revolucionária. Em novembro de 1954, no IV Congresso do Partido, foi eleito membro do Comitê Central. Quando Kruschev e seus sequazes renegavam a revolução e o socialismo, Arroio não aceitou as teses revisionistas. Em especial, repudiava os ataques à Stálin. Opôs-se no V Congresso do Partido, em 1960, à orientação oportunista de Prestes, rejeitando o chamado caminho pacífico e afirmando que o povo brasileiro jamais se libertaria de seus opressores sem empreender a luta armada. Estava convencido de que a sua classe só alcançaria o socialismo através da revolução proletária, dirigida pelo seu partido de vanguarda. Entre 1960 e 1962 desenvolveu intensa atividade em São Paulo contra os revisionistas.

 

Em fevereiro de 1962 tomou parte da Conferência Nacional Extraordinária que reorganizou o Partido Comunista do Brasil. Foi um de seus organizadores, sendo eleito nela eleito membro do Comitê Central e da Comissão Executiva. Após a reorganização dedicou-se com entusiasmo à tarefa de reestruturação partidária. Desde 1964, quando o Partido indicou o campo como problema-chave da revolução no Brasil, Arroio foi enviado para trabalhar nas áreas rurais. Conviveu anos seguidos com as massas camponesas pobres de diferentes pontos do país. Não teve dificuldades para identificar-se com as pessoas simples do interior. Compreendia profundamente que as aspirações sentidas pelos camponeses somente poderiam tornar-se realidade através da luta revolucionária.

 

Trabalhando no campo, Arroio preocupava-se com o estudo da arte militar que julgava imprescindível à libertação do povo brasileiro. Estudara não apenas as experiências internacionais como também os movimentos populares armados que se tinham realizado no Brasil, procurando tirar preciosos ensinamentos. Quando o Exército atacou, em abril de 1972, os moradores do Araguaia – onde então se encontrava – apoiou valorosamente a resistência armada aos desmandos da ditadura. Ajudou a criar destacamentos guerrilheiros e liga-los estreitamente às massas pobres do campo. Foi um dos comandantes da luta heroica do sul do Pará que tão grandes ensinamentos trouxeram ao movimento revolucionário brasileiro.

 

A simplicidade, a modéstia, a firmeza e a cordialidade com os companheiros era nele a sua própria maneira de ser. Possuía as qualidades de um verdadeiro proletário revolucionário e do homem de Partido. Internacionalista decidido, admirador dos partidos marxista-leninistas, em particular do Partido do Trabalho da Albânia, defendia a necessidade do maior intercâmbio entre os partidos à fim de tornar sólida a unidade de pensamento e ação do movimento comunista mundial. Largamente estimado no Partido, também querido e respeitado pelos trabalhadores das cidades e do campo que o conheceram. Ao mesmo tempo atraía o ódio dos generais fascistas. Estas já haviam cassado seus direitos políticos por dez anos e a Justiça Militar o tinha condenado à revelia à onze anos de prisão. No dia 16 de dezembro o assassinaram barbaramente.

 

Arroio foi consequente e até o fim de sua vida pela liberdade, pela independência nacional e pelo socialismo.

 

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João Batista Franco Drumond nasceu em Minas Gerais e contava trinta e quatro anos de idade. Antigo militante da Ação Popular, iniciou sua atividade política no movimento estudantil. Foi presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Ciências Econômicas de Belo Horizonte e um dos principais organizadores do 27º e 28º Congressos da União Nacional dos Estudantes. No início da década de 1960, como líder estudantil ligou-se ao movimento camponês do sul de Minas ajudando a desenvolver a campanha em prol da reforma agrária. Perseguido pela repressão em seu Estado natal, transferiu-se para o Nordeste. Aí realizou intensa atividade contra a ditadura militar e em defesa dos interesses populares. Estudioso dos problemas sociais, voltou-se para o marxismo-leninismo que procurou assimilar e aplicar a realidade brasileira.

 

Ao tomar conhecimento da orientação revolucionária do Partido Comunista do Brasil Drumond passou a interessar-se por sua atuação, compreendeu a importância e o papel da organização de vanguarda do proletariado brasileiro. Desde então juntou-se aos elementos da Ação Popular que buscavam o caminho da unidade com o Partido. Antes mesmo da incorporação da Ação Popular ao PC do Brasil, Drumond (e todo organizado que dirigia) ingressou nas fileiras comunistas. Tornou-se ativo militante, ocupando o cargo de dirigente regional. Sob sua direção reforçou-se o trabalho do Partido no Estado em que se encontrava assim como sua ligação com as massas. Demonstrou plena identificação coma linha e as posições políticas e ideológicas do Partido. Em 1974, com a reorganização da direção partidária, Drumond foi promovido a membro do Comitê Central do PC do Brasil. Por sua atividade democrática, patriótica e revolucionária, teve seus direitos cassados por dez anos pela ditadura e fora condenado à revelia na Justiça Militar a quatorze anos de prisão. João Batista Drumond morreu jovem, mas consciente de que somente a revolução e o socialismo poderão assegurar o progresso, a liberdade, a independência nacional e a felicidade para o nosso povo.

 

Do jornal “A Classe Operária”, nº 112, de janeiro de 1977

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