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O aumento da violência do latifúndio e a necessária resistência camponesa



A crise social que se aprofunda em nosso país há muito talvez demonstre sua face mais brutal no campo brasileiro, no qual milhares de homens e mulheres são superexplorados (quando não escravizados), despejados e assassinados pelas forças legais e ilegais a mando do latifúndio, amontoando pilhas de corpos e de crimes em todos os rincões do nosso território.


Segundo os dados parciais do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino dirigido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), no primeiro semestre deste ano houve um aumento das as ocorrências de conflitos por terra, resgatados do trabalho escravo e assassinatos no campo brasileiro.


Segundo a parcial apresentada, na primeira metade de 2022 foram registradas 759 ocorrências de conflitos no campo no Brasil, envolvendo um total de 113.654 famílias, que correspondem a conflitos por terra (601), conflitos pela água (105), conflitos trabalhistas (41 casos de trabalho escravo e 1 caso de superexploração), conflitos em tempos de seca (10) e conflitos em área de garimpo (1).


Segundo a CPT, “De janeiro a junho de 2022, das 601 ocorrências de conflitos por terra, 554 foram referentes a violências contra as famílias e/ou contra as pessoas, 45 ocorrências de ocupações/retomadas e 2 a ocorrências de acampamentos. Em 2021 foram 549 ocorrências de violências contra as famílias e/ou contra as pessoas, 19 de ocupações/retomadas e 2 de acampamentos”.


E a região da Amazônia Legal, novo alvo preferencial dos latifundiários, como não poderia deixar de ser, contém por mais da metade do total de conflitos no campo registrados neste ano. A região que sofreu com os decretos liberais do governo Bolsonaro e a omissão do Exército, também registrou 33 assassinatos até aqui, sendo 25 somente no primeiro semestre. Do total de vítimas de assassinato, cinco são mulheres.


E os conflitos pela terra no Brasil seguem produzindo as mesmas vítimas: “um terço da porcentagem das violências sofridas no Eixo Terra, estão os indígenas, seguidos por quilombolas (com quase um quarto dessa porcentagem), sem-terras, posseiros e assentados. Entre os causadores desses conflitos, na dianteira das ações, está o Governo Federal (com mais de um quarto da porcentagem das violências cometidas), seguido por fazendeiros, empresários, grileiros e madeireiros”.


Contudo, mesmo a ofensiva reacionária no campo não foi capaz de frear a disposição de luta do povo camponês brasileiro. Os dados divulgados demonstram uma ampliação considerável no registro de ocupações e retomadas, com aumento de mais de 136%. Com a superação dos maiores problemas causados pelo período mais intenso da pandemia e diante do ataque dos senhores de terra brasileiros e do Estado, os povos do campo, das águas e das florestas começam a retomar a luta de resistência, o único caminho possível para avançarmos.




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