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A luta por uma escola na periferia de São Paulo



No último 7 de setembro, data que marcou os 199 anos da Independência do Brasil, a campanha Brasil: pela Segunda e Definitiva Independência realizou um ato conjunto com os moradores da Vila Yolanda II, bairro no extremo Leste da capital paulistana, em torno da luta pela construção de uma escola em um terreno que fica entre as ruas Sonata ao Luar e Barão Teixeira de Camargo.


A iniciativa surgiu no ano de 2020, quando um grupo de moradoras, com o apoio de professores e professoras que atuam na região, organizou uma pesquisa para saber quais as melhorias que necessitam ser feitas na região. O resultado demonstrou que uma das principais demandas é a construção de uma escola de Ensino Fundamental I e II.


Os moradores indicam que a ausência de uma escola na vila gera grandes dificuldades às crianças e adolescentes, que precisam se deslocar a outros bairros, ou mesmo são obrigadas a estudar no município vizinho Ferraz de Vasconcellos; o acesso fica dificultado por diversos problemas que afetam as regiões periféricas da cidade, como a escassez de linhas de ônibus, que obrigam os estudantes a andar até 50 minutos, muitas das vezes sozinhos devido aos país saírem cedo e voltarem tarde dos seus empregos, além das questões de segurança conhecidas.


Como muitos bairros e vilas das grandes cidades do Brasil e do mundo, Vila Yolanda II também começou a ser construída, há quase 40 anos, por trabalhadores e trabalhadoras expulsos dos centros econômicos, reservados às classes ricas e médias. A luta começa em garantir um espaço para construir e na sequência resistir às ameaças de grileiros e governo.


Dona Lúcia, líder comunitária do bairro, em sua fala comentou dos problemas causados para a comunidade pela falta de uma escola, em uma região na qual as famílias tem, em média, 3 filhos. Ela ressaltou o abaixo assinado realizado para exigir da Prefeitura a resolução dessa demanda da população, que passou a se reunir mensalmente para discutir esse e outros problemas do bairro.


Os moradores neste ano receberam promessas do Prefeito Regional de Cidade Tiradentes, de que inclusive o atual prefeito Ricardo Nunes visitaria o local. Contudo, como não é raro, as falas das autoridades não passaram de demagogia. A administração municipal até aqui somente esteve presente para fazer uma vala de esgoto no terreno reivindicado para a escola, e além disso ameaçou multar os moradores do local em mais de 7 mil reais, como se os problemas da estrutura do saneamento básico fossem responsabilidade do povo, e não do governo.


Os moradores de Vila Yolanda II seguem se organizando para que a escola seja construída e estão exigindo uma audiência pública com a Prefeitura, para que a demanda seja discutida e soluções sejam apresentadas.


No ato foi feito um abraço simbólico ao terreno, com a participação dos moradores do bairro e os militantes da campanha. Nas falas, foram ressaltadas a necessidade da luta por um Brasil soberano e independente e que a luta dos moradores é urgente e necessária em uma cidade que trata a Educação dessa forma negligente.