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"O que somos e o que queremos os comunistas"



Camaradas antifascistas de toda a Espanha!


Quero explicar, em primeiro lugar a finalidade da reunião de hoje. Viemos aqui, uma vez mais, porque queremos que você saiba, que todo o povo antifascista da Espanha saiba, quem somos, o que nós propomos e para onde caminhamos. Queremos também que sejam vocês, o povo, frente a situação pela qual atravessa a Espanha, é quem julgue, é quem determine sobre a justeza da linha política, da tática e da atividade de nosso Partido. Que seja o povo, não somente os comunistas, mas sim todo o povo antifascista, que decida. Mas, ao mesmo tempo, que queremos que sejais aquele que julgue os atos de nosso Partido, queremos também que sejais aquele que julgue os atos dos demais.


A guerra e a revolução são inseparáveis

Toda uma campanha sistemática e pérfida de ataques contra nosso Partido, encaminhada a fim de debilitar a Frente Popular e que constitui, portanto, um grave perigo para uma vitória rápida, nos obriga hoje a sair para a tribuna, uma vez mais, para definir nossa posição frente aos problemas da guerra e da revolução. Nosso partido trabalha sem descanso, fazendo todos os esforços e sacrifícios necessários para ganhar a guerra, porque ganhando esta – e eu não creio que seja necessário repetir muitas vezes –, ganhamos a revolução. Não se ganha a guerra, não há possibilidade para a revolução. Ambas as coisas são inseparáveis. São dois aspectos do mesmo fenômeno. Mas, repetimos, se não se ganha a guerra, não há porque pensar em revolução. Estamos já fartos de jogos de palavras. Queremos feitos, e vamos demonstrar quais são os nossos e como procedem os demais.


Nossa orientação revolucionária

E, como existem alguns que questionam a nossa história revolucionária, nos vemos obrigados a destacar nossa trajetória e nossa prática na revolução, para demonstrar como nosso partido vem seguindo desde sempre uma linha consequentemente revolucionária, ainda que a tática tenha que ter se adaptada – como tem que adaptar-se sempre, se se quer ser eficaz e traduzir-se em conquistas práticas – às realidades de cada situação dada. Sobre a trajetória de nosso partido sobre a guerra e a revolução, é necessário explica-la ainda que seja passo a passo, para que todo o povo veja a justeza de nossa política. Infelizmente, o que nós dizemos, será implementado em seis meses ou um ano, que é o tempo necessário para que as demais forças antifascistas compreendam. Mas hoje não é possível que isto possa continuar assim. Vamos demonstrar a razão de nossa política justa. Queremos que, se antes se demorava em reconhecer o que dizíamos em meses inteiros, agora se reconheça rapidamente, porque temos o inimigo nas trincheiras e no interior, porque há de se aniqula-lo, se é que de verdade queremos ganhar a guerra depois de tantas vítimas como tem custado esta ao nosso povo, povo heroico que serve de exemplo ao mundo inteiro.


O Partido Comunista, forjador da Frente Popular

Para demonstrar isto, para demonstrar como nosso Partido tem sabido sempre adaptar sua tática às mudanças operadas na situação, vou referir-me brevemente à situação criada em nosso país depois do movimento de outubro de 1934. Aquele movimento foi derrotado depois do grande sacrifício do proletariado da Espanha, do povo espanhol. E quando muitos acreditavam que coisa estava perdida para os antifascistas, para os trabalhadores da Espanha; e quando, como consequência da derrota, houve aquela repressão selvagem, poucos dias depois, quando ainda o sangue manchava as ruas da Espanha, especialmente nas Astúrias, levantou-se uma voz potente. Não recordais? A voz que soou naqueles momentos trágicos, a voz que em tais momentos se levantou, a voz do Partido Comunista. (Ovação) Dizíamos em um manifesto: “A coisa não está perdida para os trabalhadores.” Dizíamos isto. E, além disso, quem não se lembra das ruas da Espanha – não houve outro caso igual – naqueles momentos trágicos de grande repressão? As ruas da Espanha estava, repletas de panfletos, manifestos e de jornais clandestinos. De qual partido? De qual organização? Do Partido Comunista. (Ovação)


Nós dizíamos – e permitam-me que os recorde, para chegar a conclusões práticas para hoje –, através de toda aquela literatura ilegal, de todos os procedimentos possíveis, que tiveram confiança das massas, aquelas massas a quem muitos acreditavam estarem derrotadas. E aproveitamos um momento em que, como consequência de um trabalho tenaz, as massas iam se despertando e começavam a reagrupar-se e a compreender a necessidade de que os operários devem se juntar com todas as forças antifascistas, como já havíamos colocado naquele manifesto. Aproveitamos o momento em que o inimigo ia se debilitando como consequência do ressurgimento do movimento operário, naquele encontro célebre do Monumental Cinema, a julho de 1935, quando pela primeira vez se pôde falar ao povo de Madrid, que era falar a todo o povo da Espanha, para dizer que se tratava somente de uma derrota momentânea, que era necessário reagrupar as forças em um só bloco, não somente as de operários e camponeses, mas também de todos os antifascistas no geral.


E o Partido Comunista, naquele encontro, apresentou a questão nos seguintes termos: “Trabalhadores da Espanha e todos os antifascista – disse então nosso Partido: uma solução está para sair desta grave situação e esta é a da união de todos numa frente única, aglutinando todos os trabalhadores, e que todos estes unam-se também com todos os antifascistas, com os republicanos, com toda a pequena burguesia, com tudo o que seja antifascista na Espanha, porque está é a única maneira de fazer frente à situação e sair vitoriosos desta.” E lançamos a consigna da Frente Popular. E se nos contestou – porque não se compreendia a importância deste feito – que era uma manobra comunista, como agora se diz de outras coisas que nós propusemos.


Mas os feitos, demonstraram que não era tal manobra, mas sim uma necessidade imperiosa para fazer frente a uma situação grava, em momentos em que a reação dominava a Espanha. E em momentos até mesmo mais trágicos, quando tal reação estava no poder, e ao elevar-se o nível do movimento operário espanhol, tivemos que concorrer às eleições, foi quando se compreendeu que o Partido Comunista tinha razão e que a Frente Popular era uma necessidade. Porque se tivéssemos ido concorrer desunidos nas eleições, como fomos nas de 1933, a coisa era bem clara para todos, e poderia também ter sido trágica a todos. O inimigo, a reação, o fascismo, haveria triunfado nas eleições e a estas horas, atirado na miséria o povo espanhol, assim como fora o povo alemão e italiano e todos os povos onde domina o fascismo!


E, como consequência da unidade, de ação destas formas, com um governo que favorecia a reação, que perseguia as forças da Frente Popular e favorecia aos nossos inimigos, apesar de tudo isso, como este grande povo heroico da Espanha, este grande povo de alto nível político, compreendendo qual era a situação, colocou-se a favor da Frente Popular e assim tivemos aquele grande triunfo como consequência do Bloco Antifascista, que tantos benefícios tem trazido ao proletariado e que tanta glória está dando ao povo espanhol.


E depois, os mesmos que antes não haviam compreendido a importância da Frente Popular para a luta contra o fascismo, disseram: “Bem, triunfamos sobre a reação. A missão da Frente Popular terminou. Agora a Frente Popular não tem nada que fazer na Espanha.” Mas nós, do Partido Comunista, dizíamos na imprensa, nos manifestos, nos encontros: “Camaradas do Partido Socialista, camaradas republicanos, anarquistas, todos antifascistas: Como é possível que cosidereis que já temos ganhado a batalha contra a reação somente com o triunfo eleitoral? Não compreendeis que, apesar deste triunfo, a reação é forte e somente na medida em que destruamos as bases materiais e sociais da reação é que poderemos ir nos livrando deste perigoso inimigo?” E com grandes dificuldades, trabalhando muito nesta direção, mantivemos a Frente Popular. Mas, apesar disto, o inimigo pôde lançar-se em assalto, a 18 de julho, com as armas que a mesma República havia posto em suas mãos, para implantar o fascismo na Espanha.


Por que foi possível a sublevação fascista?

“Por que isto foi possível? Porque tampouco se teve em conta o que dizia nosso partido: a necessidade de acabar com o perigo fascista, liquidando as bases materiais da reação. Destacamos esta necessidade dentro da Frente Popular e também no Governo. Quem não se recorda de nossos discursos daquela época no Parlamento, e sobretudo do célebre discurso da camarada Dolores?


Nós dizíamos: “O inimigo não está vencido. Por que? Porque ainda os latifundiários são donos da terra, os banqueiros ainda são donos dos bancos e manipulam grandes capitais contra os interesses do povo; porque ainda a Igreja é um poder econômico e político, com sua intervenção em todas as direções dos destinos do país.” E nós também dizíamos: “Esta república democrática, reconquistada pelo povo nas eleições, deve ter em conta a experiência da República de 1931, que por não haver arrancado totalmente as bases materiais e sociais da reação, pode oprimir novamente o povo e os antifascistas espanhóis.”

E naturalmente, como se acreditava que então era um extremismo do Partido Comunista a exigência de se liquidar os latifundiários, os banqueiros, os magnatas da Igreja e dos bancos, isto não foi feito, e eles, nossos inimigos, inimigos do povo, puderam, com o dinheiro destes bancos, com a intervenção e o dinheiro dos latifundiários e da Igreja, com tudo isso, combinado com os militares fascistas, prepararam o golpe de 18 de julho, que tanto sangue leva às custas do povo espanhol.


Os corvos da revolução

Por que é necessário recordar tudo isso? Porque agora, quando aqueles que antes o negavam, se veem obrigados agora a reconhecer a justeza das questões apresentadas por nosso Partido, vão se criando as condições e se vislumbram as perspectivas da vitória, já começam a se revoltar os corvos da revolução para tomar uma parte do processo para si, sem ter em conta os interesses do povo espanhol. Por que? Porque consideram que a coisa já está ganha. Não, camaradas. Há ainda um longo caminho a percorrer.


O inimigo é forte e poderoso, e somente na medida em que nós sejamos capazes de organizar nossas forças e nossos recursos, de fortalecer e disciplinar nosso Exército, estaremos em condições de ganhar a guerra. E os que, agora lutam contra o partido e nos acusam de fazer trabalho de “proselitismo”, pretendem apropriar-se de tudo o que povo espanhol está conquistando. Mas nós lhes dizemos: se vocês creem que tudo está ganho e agora tratam de liquidar o Partido Comunista, para ter as mãos livres, entendam bem: vocês vão falhar, porque contra o Partido Comunista não se pode enfrentar impunemente. Por que? Porque nem nós o consentiremos, nem o consentirá tampouco a grande massa de espanhóis, que sabe o que é que representa para seus interesses o Partido Comunista. (Aplausos.)


Lutamos por uma revolução popular

Por um lado, se quer apresentar o Partido Comunista como um partido que quer desvirtuar a revolução, como um partido que quer, sim, ganhar a guerra; mas que deixa a segundo plano a revolução, separando a guerra desta última, como se isso fosse possível. E isto o dizem porque apresentamos as reivindicações que correspondem ao caráter democrático da revolução, porque expusemos claramente o que é e o que representa a revolução de nosso país.


Eu quero recordar a todos estes pedantes quais são as reivindicações que caracterizam uma revolução popular. E quero faze-la com um texto de Lenin, para que não digam, como dizem, que nos voltamos de costas aos nossos grandes professores da estratégia e tática revolucionárias. “Revoluções populares – disse Lenin em “O Estado e a Revolução” – são aquelas em que a massa do povo, a imensa maioria do povo, atua de um modo ativo, com suas próprias reivindicações econômicas e políticas...”


A revolução nas fábricas

E eu pergunto: não é isto o que está se realizando na Espanha? É verdade que a prática da revolução se pode separar da necessidade de ganhar a guerra, ou mesmo do desenvolvimento desta? Quando se fala de que não se quer fazer a revolução, ao mesmo tempo que a guerra, eu pergunto: onde estão em nosso território os grandes latifundiários, os grandes capitalistas, os grandes banqueiros, onde estão aqueles que se levantaram contra a República, contra o povo? Ainda os grandes industriais sublevados contra o povo seguem sendo donos das fábricas? Não, desapareceram, e estas fábricas devem passar para as mãos do Estado, que estarão em mãos dos operários, controladas pelos sindicatos que, desgraçadamente, em muitas fábricas, o fazem muito mal. Isto não é fazer revolução? Estas não são as conquistas democráticas, revolucionárias?


Ou se disse por acaso que não somos revolucionários porque pedimos que as grandes fábricas sejam nacionalizadas e que a produção seja controlada por comitês eleitos democraticamente pelos operários? O que querem que sejam as fábricas? Se querem, por acaso, que sejam fábricas de um ramo determinado, de um grupo, de algumas pessoas, de uma organização em específico? As fábricas que foram expropriadas dos sublevados contra a República pertencem ao Estado, são do povo, de todo o povo e não de uma determinada organização ou de um algum grupo. Tudo o que venha de expropriações de fascistas, dos grandes industriais inimigos do povo, pertence a este último. O que não se pode consentir é que tais fábricas, como pretendem aqueles que tanto falam de “revolução”, caiam em mãos de um destes comitês que se constituem por aí para explorar os operários... (Aplausos.)


A revolução no campo

A revolução no campo. É possível que, no território em que controlamos, mesmo com uma lupa, algumas pessoas sejam capazes achar algum grande proprietário de terras? É verdade que as terras expropriadas dos sublevados contra a República não tem sido repartidas entre os camponeses e os operários agrícolas para que as trabalhem individual ou coletivamente, segundo seu próprio interesse e vontade? Querem mais revolução e mais democracia do que aquele que, depois de repartir entre os trabalhadores do campo as terras dos inimigos da República, se lhes dão os elementos necessários para trabalha-las coletiva ou individualmente, e ajudando-lhes, também, o Estado, com sementes, dinheiro para que possam fazer produzir a terra? O que se quer, ao parecer, é que para haver uma autêntica “revolução”, as terras devem passar também para as mãos de um grupo ou de uma organização para explorar os operários que antes eram explorados pelos caciques e latifundiários. (Muito bem!). Isto não é tal revolução: na “revolução” está o Partido Comunista. O Partido Comunista quer a autêntica revolução. A revolução onde o camponês desfruta da terra e a trabalha porque é sua. Uma terra que foi expropriada de grandes latifundiários e agora está a disposição do povo, porque tudo o que é expropriado passa a pertencer a este. Mas vieram alguns em nome de um comunismo libertário ou de um anarquismo entendido a sua maneira, a fazer o que lhes agrada que é a tal “revolução”... (Ovação, que impede ouvir o final do parágrafo.)


Nós queremos o mesmo que os camponeses e trabalhadores do campo: que sejam eles quem decidam como devem ser cultivadas as suas terras, se individual ou coletivamente, que seja, o povo trabalhador quem diga a última palavra nestas questões. E digo o povo, porque como sempre se fala de soberania popular, e é agora que se deve levar à prática esta soberania, numa realidade onde está faltando que o povo julgue os que fazem o bem e os que fazem o mal.


O Exército é hoje do povo

A revolução e a guerra. Se olharmos a composição do Exército ontem e a composição deste hoje, nos daremos conta da revolução que foi feita. Quem mandava no exército antigo, o exército dos grandes capitalistas e dos latifundiários? Quem mandava nele era uma casta privilegiada de pederastas degenerados, uma casta de monárquicos, de fascistas de todos os tipos, porque, naturalmente, aquele exército era o que defendia os interesses destas classes, dos capitalistas, banqueiros e latifundiários. Quem manda no exército hoje? Os comandantes militares daquele exército inimigo do povo e que existia para lutar contra este foram substituídos por comandantes oriundos verdadeiramente das entranhas do povo e temperados nas trincheiras da luta contra os inimigos dos trabalhadores. Quem manda neste exército? Infelizmente, ainda há que se depurar bastante. Também falaremos um pouco disto. Mas temos já a garantia de que as armas estão nas mãos da classe operária, do campesinato e de que uma grande parte destes comandantes são oriundos do povo, que não podem de modo algum enganá-lo.


São comandantes que tem aparecido em todas as frentes, e muito especialmente na de Madrid. Vocês conhecem, para citar somente alguns, Lister, Modesto, o “Camponês” e a tantos outros chefes militares que saíram do seio do povo. Há também muitos militares profissionais que compreenderam o que representa nossa luta e estão identificados com a causa do povo, como o general (o público se adianta, dando grandes vivas ao general Miaja)... Sim, o general Miaja, que encarna e simboliza toda uma série de militares que estão em sintonia com a causa do povo. (Grandes aplausos). E eu pergunto: Se houve essa mudança de forças neste sentido, de tal modo que o que antes era um exército de capitalistas e latifundiários é agora um exército do povo, que luta em defesa de seus interesses, eu creio que isso é fazer uma revolução. Agora bem, se a “revolução” é criar grupos armados a serviço de um ou outro interesse especial, para fazer sua “revolução” especial, como tem ocorrido em alguns povos da região de Levante e recentemente na Catalunha, isso não... (Ovação.)


Lutamos pelo bem-estar do povo

Por isso, quando se fala na imprensa, nos encontros ou onde quer que seja, essas ninharias de que os comunistas querem separar a guerra da revolução, nós replicaremos que não podemos separar o inseparável. A revolução está sendo feita, a revolução democrática popular está se fazendo ao mesmo tempo em que se desenvolve a guerra, mas não podemos fazer tal revolução se não ganharmos a guerra. Por isso dizemos: o decisivo é ganhar a guerra, porque ganhando a guerra, ganharemos a revolução. (Ovação.) O que nós queremos é que todas as conquistas arrancadas pelo povo durante a guerra sejam para o povo e que estas se consolidem e ampliem. O que nós queremos é que haja uma verdadeira economia coordenada que satisfaça as necessidades da frente e da retaguarda. O que nós queremos – como dizia o camarada Uribe – é que, sobretudo, não passem fome nem o que lutam nas frentes nem os que trabalham na retaguarda. Deve-se dedicar a isto a máxima atenção. E porque queremos uma economia nestas condições e queremos também uma retaguarda que esteja em consonância com a atitude heroica de nossos combatentes nas frentes, é nos dito que não queremos a revolução, que queremos estrangula-la. Não, o que nós queremos estrangular, e estrangularemos, são os fascistas, os do campo inimigo, e aos que estão instalados no nosso. (Ovação.)


Os trotskistas, agentes do fascismo

E já que falamos dos inimigos instalados em nosso campo, será bom que, aos dez meses de guerra – guerra que tanto tem custado ao povo espanhol – examinemos minuciosamente quem são os que criam dificuldades, entravando a conquista rápida da vitória. Para isto, deve-se analisar o que há por trás das belas frases, alegadamente “revolucionárias”. É preciso destacar com clareza quem são os inimigos fundamentais, os que tratam de semear a discórdia entre as organizações que querem e necessitam unir-se rapidamente. Quem semeia esta discórdia para fazer romper a Frente Popular? Quem vai contra o governo da Frente Popular e contra todo o labor dos antifascistas? Existe, por um lado, os fascistas que não somente trabalham ou lutam contra nós desde as trincheiras, sendo que também sabem muito bem o que representa desorganizar a retaguarda, que pode representar a divisão do movimento operário, da Frente Popular e lutar contra o governo. Nosso inimigo principal é o fascismo, são os fascistas. Mas os fascistas tem seu agente trabalhando. Naturalmente, que se os agentes que trabalham com eles dissessem: “Somos fascistas e queremos trabalhar com vocês para criar dificuldades”, imediatamente seriam eliminados por nós. Por isso eles utilizam outro nome. Se colocam nomes distintos. Uns se chamam trotskistas. É o nome sob o qual trabalham muitos fascistas enrustidos, que falam de revolução para semear o desnorteamento. E eu digo: se isto todos o sabem e também sabe o governo, o que faz o governo que não os trata como a tais fascistas e os extermina sem consideração? (Enorme ovação.)


Nós denunciamos muitas vezes os trotskistas como um grupo contrarrevolucionário a serviço do fascismo. Havia organizações que acreditavam que os atacávamos sentimentalmente, por se tratarem de elementos expulsos de nossas fileiras. Os fatos estão nos dando razão.


Todos os operários devem conhecer o processo que vem se desenvolvendo na URSS contra os trotskistas. É Trotsky em pessoa que tem dirigido esta quadrilha de bandidos que descarrilham os trens da URSS, praticam a sabotagem nas grandes fábricas, e fazem todo o possível para descobrir segredos militares para entrega-los a Hitler e aos imperialistas do Japão. E quando isso foi descoberto no processo e os trotskistas declararam que o que faziam conjuntamente com Hitler, com os imperialistas do Japão, sob a direção de Trotsky, eu pergunto: não está totalmente claro que isso não é uma organização política ou social como uma determinada tendência, como os anarquistas, os socialistas ou os republicanos, mas sim um bando de espiões e provocadores a serviço do fascismo internacional? Há que varrer os provocadores trotskistas! Por isso eu dizia em meu discurso diante do Pleno do Comitê Central, recentemente realizado, que não somente na Espanha deve ser dissolvida essa organização, suspendida sua imprensa e liquidada como tal, mas sim que o trotskismo deve ser varrido de todos os países civilizados, se se quer de verdade liquidar esses animais que, incrustados no movimento operário, fazem tanto dano aos próprios operários que dizem defender. Deve-se acabar com esta situação.


Na Espanha, quem se não os trotskistas, tem sido inspirador do golpe criminoso de Catalunha? O jornal “A Batalha” do 1 de maio está repleto de incitações descaradas ao golpe. Entre outras coisas, se diz que “a política da Frente Popular está conduzindo a Espanha à sublevação militar de julho de 1936”. É o mesmo que disse Franco: que seu levante militar fora provocado pela formação da Frente Popular. Pois, ainda é impresso esse jornal na Catalunha. Fora suspenso e reapareceu, pois, era “visado pela censura”. Por que? Porque o governo não se decide a meter a mão nele, como é pedido por todos os antifascistas. (Ovação.)


Todo o número do “A Batalha” é uma incitação à rebelião contra o governo da República, contra o governo da Generalidad, contra todos os antifascistas.


Limpeza implacável da retaguarda!

Não é uma verdadeira lástima, não é um crime que, enquanto todos estão trabalhando, dando tudo de si para ganhar a guerra, quando com tanto heroísmo se lutam nas frentes, quando tantas vidas são perdidas, tenhamos na retaguarda estes obstáculos, criados por estes homens a serviço do fascismo?


Se em dez meses de guerra não há uma política firme para pôr a retaguarda à altura em que se vão colocando algumas frentes, eu, estou seguro de que comigo pensarão todos os antifascistas; começo a pensar: ou este Governo põe ordem na retaguarda, ou se não o fizer, terá que fazê-lo outro governo da Frente Popular. (Enorme ovação.)


Desarmemos aos que apunhalam nas costas a guerra e a revolução!

Os incontroláveis. Todos falamos de que estes elementos representam para entorpecer nosso movimento na retaguarda. Eu digo: há de se prestar atenção à eloquente coincidência seguinte. Não faz muito tempo, em momentos de noite até o período da manhã com que muitos povos de Levante se sublevavam com armas em mãos contra a força pública, contra o governo legítimo, contra os antifascistas. Em momentos em que não somente havia esta luta em Guadalajara, mas também que se falava de um possível desembarco na zona de Levante, esses incontroláveis, esses fascistas – que se poderão chamar como queiram, mas que são simplesmente, fascistas – se levantaram em armas. Também hoje, quando havia uma situação verdadeiramente comprometida que somente o heroísmo dos bascos tem sido capaz de conter; quando há uma grande ofensiva em Euskadi; desencaedeada por tropas alemãs, italianas e tropas de Franco, surge uma sublevação na Catalunha, em Barcelona. Movimento que fora preparado política e organicamente pelo POUM (Partido Operário de Unificação Marxista) e os incontroláveis.


E eu digo: Até quando vão durar os incontroláveis na Espanha? Como é possível que nestes momentos se produzam tais sublevações? Com que armas estes elementos se levantam para lutar contra a força pública e contra a República? Se levantaram com fuzis, metralhadoras, com canhões, com carros blindados, com todos os equipamentos mais modernos que o próprio governo colocou nas mãos destes bandidos para que lutem nas frentes, e que no lugar de estarem nas frentes, estavam escondidos não sei aonde, esperando a hora e emprega-los contra a República. Nós não sabemos onde, mas há alguém que tem a obrigação de sabe-lo. Em primeiro lugar, o Governo. Em segundo lugar, o ministro do Interior. Ou o ministro do Interior desarma aos que querem apunhalar a revolução e a guerra pelas costas, ou deve deixar de ser ministro. (Enorme ovação.)


Não somos inimigos da CNT

Queremos – não nos cansaremos de repetir – ganhar a guerra é ganhar a revolução, e para isso são necessárias medidas enérgicas. Que ninguém ache que nós, os comunistas, somos inimigos da Confederação Nacional do Trabalho (CNT). Nós não somos inimigos da CNT. Nós, com toda cordialidade queremos a unidade e boas relações com esta. Queremos que a CNT e UGT (União Geral dos Trabalhadores) se entendam, mas queremos clareza.


Eu digo: no governo estão representados os partidos políticos, como há também uma representação da CNT. Eu sei também que companheiros da CNT, como o camarada Vázquez, assim como outros, tem feito muitos esforços para liquidar o movimento da Catalunha que tanto dano nos tem causado. Nós compreendemos estes esforços, mas ao mesmo tempo há de se levantar para condenar tais feitos.


Por uma parte eu digo: se todos os partidos políticos tem representantes no Governo, a CNT também os tem. E um dia se amotina a região de Levante, outro dia Catalunha, e até é muito possível que de novo se possam repetir estes feitos, que nos podem custar muito. Eu digo: ou as organizações se submetem ao que exigem as necessidades da guerra e da revolução, fazendo com que o governo da Frente Popular governe contando com as massas, ou ao contrário, negam seus próprios representantes no governo. Neste caso, a quem representariam no governo os ministros da CNT? Tudo isso já foi dito, e repito, porque devemos fixar posições, porque a situação da Espanha requer que todos façam os máximos esforços e os máximos sacrifícios.


Nada de “abraços de Vergara”, nem na frente e nem na retaguarda

E por isso digo que, com vistas à situação em que hoje vivemos, fazem falta mais ações e menos palavras. Nós queremos que haja uma limpeza a fundo e um desarme a fundo também de todos aqueles que conservam as armas nestas condições, só e exclusivamente, para se levantar contra os próprios antifascistas, contra a República. Há uma frase muito célebre, conhecida por todos. Foi dito em um manifesto de alguém – não sei quem – tratava de ir ao que se chama de “abraço de Vergara”. Muito bem. Eu não creio que exista alguém, nem Partidos, nem pessoas de destaque, que sejam capazes de pensar no “abraço de Vergara”. Sobretudo, nosso partido, de que podemos assegurar e ele é bem conhecido pelas massas, que não se dá um “abraço de Vergara” com ninguém. Nosso partido, desde que começou a guerra, tem dado a cada militante a consigna de que se deve lutar, na frente ou na retaguarda sem descanso, sem reparar em horas de trabalho ou sacrifícios. A ordem, a consigna de nosso Partido é que nenhum comunista pode retroceder enquanto dure a guerra, enquanto haja um palmo de terrenos que conquistar do fascismo espanhol ou do fascismo invasor. Todos os comunistas, desde a direção até o último afiliado, devem estar dispostos a dar até a última gota de sangue para ganhar a guerra e a revolução. E, portanto, temos a certeza de não vacilar, eu não acho que alguém tenha pensado em fazê-lo. Mas temos visto que, em relação com o levante da Catalunha, se quer remover a importância da questão. E eu digo: ou se desarma com rapidez os que se levantaram, impodo-lhes sanções exemplares, condenando os trotskistas e os incontroláveis à que merecem pelos danos que causaram, ou ao contrário, se se quer levar abaixo o assunto, eu digo aqui que isso sim é um “abraço de Vergara” com os inimigos da revolução. (Ovação.)


A Quinta Coluna está desprotegida: o que se deve fazer é aniquila-la

Agora vemos que a cada dia que passa, cada semana, um dia em lugar, outro dia em outro, se descobre uma nova Quinta Coluna. Mas será possível? Tão grande é a Quinta Coluna na Espanha que nunca se viu um rabo sequer? (Risos.) Trata-se não somente de descobrir a Quinta Coluna, mas também a esmagar definitivamente, para que não tenhamos a cada dia ou a cada semana tal problema e desde a retaguarda não se pode apunhalar à República e ao exército do povo. Como é possível acabar com isso? De uma só maneira. Não com uma política de tolerância com os elementos diretos ou indiretos da Quinta Coluna. Para acabar com esta, deve-se ter muita energia e pouquíssimas vacilações. Assim o pede o povo espanhol, aos dez meses de guerra. E nós dizemos: se o povo pede energia e que liquidem-se as vacilações para acabar de uma vez com a Quinta Coluna, ou há que dar-lhe ao povo a justiça que este exige, ou, repito novamente, quem procede com debilidade e as vezes com covardia, não merece estar no local desde que deve-se meter a mão na Quinta Coluna. (Forte ovação.)


Acabemos com os parasitas

Queremos ganhar a revolução. Eu creio que não é tão difícil encontrar o modo de chegar à seguinte conclusão: ao que não haja algo útil para a guerra na frente ou na retaguarda, deve-se lhe meter a mão se vacilação. Nós dissemos, e não creio que vão dizer que é porque não queremos a revolução, que o que não haja algo útil na frente ou na retaguarda, e que não trabalhe, que não coma. Basta de parasitas que comem o pão dos que lutam na frente e dos que produzem na retaguarda. Com um pouco mais de zelo e energia poderia resolver-se rapidamente o problema: primeiro, colocar num lugar seguro os vagabundos e fascistas e, em seguida, enviá-los para construir trincheiras e parapeitos para melhor proteger as vidas dos combatentes. (Muito bem! Aplausos.)


Comando único

Uma vez limpa a retaguarda de todos os inimigos do povo – fascistas, trotskistas, incontroláveis e toda essa sujeira social –, há que pensar nas frentes, para criar as condições que nos permitam ganhar a guerra. Ganhar a guerra e ganhá-la em breve. Sim, esta é nossa preocupação, nossa obsessão constante. Por isso temos pedido e pedimos incansavelmente que se estabeleça de uma vez um comando único.


Deve-se acabar com a ideia de que a frente de Aragón seja uma frente autônoma, com suas milícias soltas, em vez de estarem conectadas com o Exército regular da Espanha. Todas as frentes, a de Euskadi, a de Aragón, a de Madrid, devem depender do Estado Maior Central único, que planeje e dirija as operações em todo o país. Isto é fundamental, pois é exigido até mesmo pelo conhecimento mais superficial do que é a guerra. Se não há um comando que possa operar tendo em conta as situações do norte, do Sul ou de Aragón, não se poderão realizar operação com muito êxito. E nestes momentos em que a situação vai melhorando para nós, necessitamos com mais rapidez do que nunca para colocar em prática estas coisas que nos são indispensáveis.


Depuração de comandantes

Temos pedido e pedimos uma depuração metódica do Exército, para remover dos postos de comando todos os elementos inseguros e traidores do povo, e que se eleve sistematicamente aos comandos superiores e responsáveis, os chefes vindos das entranhas das massas populares e que estão demonstrando sua abnegação, seu heroísmo e sua capacidade na defesa da causa antifascista.


Reservas

Temos pedido e pedimos a formação e instrução metódica de reservas, para substituir os soldados que estão na frente e para ampliar e reforçar as frentes de batalha, conforme o exijam as necessidades da guerra. Quem não recorda que nossas recentes vitórias de Guadalajara poderiam ter tido uma extensão muito maior, rechaçando o inimigo mais profundamente, se tivéssemos as ditas reservas de que não estavam a nossa disposição?


Indústria de guerra

Necessitamos também, e há sido ressaltado já muitas vezes pelo Partido Comunista, incrementar a indústria de guerra, para conseguir o máximo rendimento. Reunir toda a indústria da guerra da Espanha sob uma só direção, como se fosse uma grande e única fábrica que produza para as necessidades das frentes, para onde o Estado Maior indicar que devem ir as munições ou as armas. Eu creio que se deva acabar com o fato de que ainda existam fábricas nas quais se produzam o que se quer, não somente não enviando para a frente, quando os recursos são necessários ali, mas também para servir a interesses particulares, que já vimos para onde conduzem. Porque estas metralhadoras, esses rifles e carros blindados que passavam pela Catalunha, vimos que não está faltando munições, e mesmo assim, nas frentes faltavam tais recursos para atacar. Queremos uma indústria de guerra bem organizada, nacionalizada, em condições de poder produzir as necessidades para a guerra. Todos esses pontos são os que nosso Exército vem apontando desde o começo da guerra. E se em parte já estão levando-os à prática, foi graças não somente a nossa tenacidade em destaca-los, mas também devido a nossa contribuição direta para executa-los. Por haver exigido a realização de tudo isso nós temos ganhado não poucas inimizades, especialmente por parte dos que, no lugar de apoiar-se na capacidade e vontade criadora do povo e dar a guerra toda a amplitude que exige para ser vencida rapidamente, se obstinam em que esta se desenvolve segundo um plano limitado, empírico e pessoal.


A ajuda internacional

Hoje, nossa guerra não é somente uma luta interior em que afeta a sorte de nosso país. Nela se joga também o destino de toda a humanidade. As hordas estrangeiras que estão assolando nosso território não são somente as forças de invasão de nosso país; são também as forças negras da reação mundial que lutam por converter a Espanha em ponto de partida para se lançar em assalto contra toda a Europa e submete-la às garras do fascismo. Por isso tem para nós uma importância decisiva a ajuda internacional, a solidariedade efetiva que os povos progressistas possam prestar. E por falar nisso, temos que dizer que aqui também se quer especular e manobrar a favor e contra certas ajudas, com fins bastante obscuros e ignóbeis.


É certo que o povo da França ajuda e encoraja nossa luta. O povo da Inglaterra também ajuda e encoraja nossa causa. Uma coisa distinta são os governos destes países, que ajudam muito pouco, para não dizer que entorpecem a República espanhola. Não tem em conta do que representaria para eles, para os interesses da França ou da Inglaterra, a derrota na guerra na Espanha, que não iremos perder. Também temos a ajuda desinteressada do povo mexicano e em parte também do governo. Mas há interessados em querer descartar e exagerar esta ajuda, que nó agradecemos no mais profundo de nossas convicções, para dissipar a ajuda magnífica do povo soviético. Você não tem notado que existem pessoas interessadas em manobrar esta direção? Eu tenho lido, no “Adelante”, um jornal socialista, um militante independente que dizia: “Vocês o que fazem agora mister Eden, monsieur Blum e tovarich Stalin!” (Grandes aplauso e vivas a Stalin.)


Compreendeis toda a má intenção que encerra o fato de envolver Stalin e o grande povo soviético, amigo próximo do povo espanhol, com os representantes da burguesia imperialista da Inglaterra e da França? Temos em conta toda a ajuda que está se prestando ao povo espanhol, por pequena que seja, mas querer ignorar a ajuda do povo soviético, isso não é possível. E eu digo: quem a ignore ou queira ignora-la de uma maneira mal intencionada, que dê um passeio por qualquer frente e que veja a marca da fábrica de manteiga com que se alimentam nossos combatentes. (Grandes aplausos.) Deve-se ter mais seriedade para colocar tais questões. O povo sabe até onde chega a ajuda de cada qual. A agradecemos toda. Mas não se trata de ocultar a ajuda principal. Não somente a principal, mas sim a fundamental. Eu não sei o que seria do povo espanhol sem os alimentos que foram nos mandados pela União Soviética. (Aplausos.)


A unidade, acima de tudo

Nossa preocupação central é ganhar a guerra. E uma das condições essenciais para isto é a unidade. Unidade do proletariado, de toda a classe operária em só grande partido político; unidade dos sindicatos em uma grande central sindical única; unidade de todas as forças antifascistas em torno da Frente Popular; unidade da juventude, que irá edificar a nova Espanha; unidade de todo o povo espanhol para ganhar a guerra.


Queremos a unidade política do proletariado. O Partido Socialista e o Partido Comunista estão em boas relações e fazem avanços sérios nesta direção. Estes possuem seus comitês de ligação, constituídos para circular todas as questões de tipo interior e para debater muitos dos problemas relacionados com a guerra e a revolução em marcha. Mas isso não basta. É necessário que estas relações cordiais entre socialistas e comunistas se acelerem no sentido de que se possa chegar o mais rapidamente possível, porque assim o exige os trabalhadores e a própria situação, a um só partido da classe operária na Espanha. Que, sobre a base de um programa comum, os operários possam formar um partido único, o grande partido do proletariado. (Aplausos.)


A classe operária o quer, porque sabe que constituindo o partido único do proletariado o mais rápido possível, acelerar-se-á o triunfo da guerra, porque assim, tendo este partido bem unido, um só partido da classe operária, tem-se a condição primordial para assegurar todas as conquistas, para assim consolidá-las. Queremos que todos os socialistas e todos os comunistas trabalhem nesta direção nos comitês de ligação. Queremos fazer compreender que isto é uma necessidade urgente, porque isto ajudará a ganhar mais rapidamente a guerra. E o mesmo que queremos é que a CNT e a UGT se entendam, queremos, sobretudo, tornar viável o mais rapidamente possível que nesta inteligência entre a UGT e a CNT se criem as condições para uma só central sindical. E isto se pode garantir na medida em que se leve a cabo a depuração de afiliados. E o digo principalmente para a CNT, que é onde mais se tem infiltrado os inimigos da revolução. Eu estou seguro de que, com esta limpeza, as relações entre a UGT e a CNT irão beneficiar grandemente os trabalhadores.


Frente Popular

Por isso nós queremos a unidade política e sindical dos trabalhadores. E isto não contraria a Frente Popular. Não irá liquidar nossos aliados, mas sim o contrário. A garantia da força do proletariado é a garantia da revolução. Nós dizemos que este Partido único e esta unidade sindical não comprometerão a Frente Popular, mas sim a reforçam. Queremos com isto chegar à união de todo o povo antifascista de nosso solo. Queremos estar unidos com todos os espanhóis para ganhar a guerra e edificar, sobre o triunfo, uma Espanha livre, próspera e feliz. (Ovação.)


Apenas algumas palavras aos que ainda falam que nosso Partido faz um trabalho de proselitismo, tratando de trazer o mal ao nosso partido, aos operários, aos camponeses, aos intelectuais. A classe operária na Espanha é muito desperta. Verdadeiramente infantil é colocar que nós crescemos como Partido Comunista, porque fazemos trabalho de proselitismo. O que nós fazemos é um bom trabalho, que tem compreendido as massas. A nossa política de unidade de Frente Popular é o motivo pelo qual as massas tem vindo ao nosso partido.


Por trás dos ataques contra o Partido Comunista se esconde a mão da contrarrevolução

Ultimamente, acirraram-se os ataques contra nosso partido e sua linha política justa de unidade, até converterem-se em verdadeiras campanhas sistemáticas. Fiquemos de olho nestas campanhas! A história de todo o movimento operário internacional nos ensina que por trás destes ataques fanáticos contra o Partido Comunista se esconde sempre a mão da contrarrevolução. Em julho de 1917, os ataques contra o Partido Bolchevique fizeram acontecer, na Rússia, o golpe de Estado de Kornilov, varrido em seguida pela revolução. Na Alemanha, os ataques contra o Partido Comunista facilitaram a Hitler o caminho ao poder. Na Espanha, a mão da contrarrevolução, encarnada nos trotskistas e demais provocadores agentes do fascismo, disfarçados de revolucionários dentro de nosso campo esconde também por trás destes ataques sistemáticos contra a Frente Popular, mas seus nefastos desejos não se realizarão, pois o povo espanhol, os trabalhadores que já descobriram a verdadeira face destes mercenários do fascismo, saberão barrá-los a tempo e de maneira implacável. Nesta situação tão difícil para a Espanha, querem batalhar contra o Partido Comunista os trotskistas e os inimigos da unidade e da vitória do povo espanhol. Já viram que nestes momentos teve lugar na Catalunha, e não está descartado que se possa preparar outro levante com mais força; um movimento anticomunista, que pode levar a perda da guerra. Mas nosso Partido disse as massas para que estas saibam como o inimigo trabalha a fim romper esta força monolítica, para fazer tudo o que for necessário com a finalidade de que perdamos a guerra. Nós dizemos: Operários de todas as tendências! Hoje, mais do que nunca, se necessita da unidade operária, a unidade de todos os antifascistas, a unidade de todo o povo espanhol. A todo aquele que sabote esta unidade, chame-se socialista, anarquista ou o quer que seja, deve-se colocá-lo como inimigo do povo, como um inimigo de nossa causa. Nós dizemos a todos os que, nestes momentos difíceis, lutam contra o Partido Comunista, forjador da Frente Popular e paladino da unidade de todos os trabalhadores, que tenham cuidado, que por trás dessas campanhas, esconde-se a mão da contrarrevolução.


Os ataques ao Partido Comunista se baterão contra o muro de granito do povo, que conhece nosso partido

Nós comparecemos hoje não somente diante dos operários de Valencia, mas também diante os operários, os antifascistas de toda a Espanha, para dizer que não é possível lutar contra o Partido Comunista, pelo que ele é, pelo que este significa para a guerra, por sua lealdade e por sua justa linha política. Os que tratem de lutar com atos nocivos – com os que trabalham de boa-fé, nós estamos dispostos a discutir fraternalmente todos os problemas da guerra, da revolução, com todos os demais partidos, o quanto tempo que for necessário –, os que tratem de lutar com atos nocivos contra o Partido Comunista, que se saiba que lutam contra os interesses da classe trabalhadora, contra os interesses do povo. Mas para aqueles que tentem, se quebrarão os dentes, e não pelo Partido Comunista somente, mas também pelas grandes massas da Espanha. O sabemos muito bem, porque conhecemos como pensam os operários na frente e como pensam os operários antifascistas, em sua grande maioria, na retaguarda. Portanto, Frente Única, Frente Popular, compreensão dos momentos em que vivemos. Todos os que venham com más intenções serão rechaçados, e estou seguro de que irão para o abismo.


Adiante, até a vitória!

Proletariado de Valência, proletariado da Espanha, adiante! São vocês os que devem dizer a última palavra. Eu pergunto a todos os que me escutaram nestes momentos, dentro e fora deste salão: Estais de acordo com a política do Partido Comunista da Espanha? (O público responde com um “sim” clamoroso).


Pois então, cerrem as fileiras de vosso Partido e marchemos, unidos a todos os antifascistas, a todo o povo da Espanha, pelo caminho que nos conduzirá à vitória. (Formidável ovação, que dura vários minutos)


Em 18 de julho de 2016, completaram-se 80 anos da famigerada Guerra Civil Espanhola, conflito este que se estendeu por todo o território espanhol e tivera como principais forças beligerantes os fascistas, encabeçados pelo General Francisco Franco e que recebiam suporte logístico da Itália e da Alemanha de Mussolini e de Hitler respectivamente, e, do outro lado, as forças republicanas, constituídas por elementos republicanos e democráticos que estavam dispostos a lutar contra a ameaça fascista, socialistas e comunistas, que eram apoiados pela União Soviética e pelas Brigadas Internacionais. A luta revolucionária levada a cabo pelos republicanos e pelos combates das Brigadas Internacionais contra o fascismo nos mostra que contra o imperialismo e seus lacaios só há um caminho para se alcançar a vitória, que é senão o da organização da classe operária, da luta armada e do internacionalismo proletário. A Revista Nova Cultura #09 apresentou a tradução do importante discurso “O que somos e o que queremos os comunistas”, realizado em maio de 1937 pelo Secretário-geral do Partido Comunista da Espanha, José Díaz.

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