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A urgente e necessária defesa dos Correios contra a privatização no governo Bolsonaro



A ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), popularmente conhecida por Correios, é um dos mais valiosos patrimônios do povo brasileiro, criada para cumprir a obrigatoriedade do estado de garantir que os serviços postais fossem oferecidos em todo o território nacional, para todos os brasileiros. Presente em 5.556 municípios brasileiros (99,75%), os Correios entregaram em 2019, por dia, mais de 21,7 milhões de objetos postais, mais de 1,3 milhão de encomendas, mais de 18,5 milhão de mensagens e mais de 1,9 milhão de outros objetos. Para isso, o Correios conta com 99,5 mil empregados, a maioria carteiros (53,5 mil) e atendentes (19 mil) que heroicamente trabalham para realizar esses números, proporcionais ao tamanho do nosso país.


O Correios detém o monopólio postal, de lidar com cartas, cartões-postais e malotes de correspondência, para garantir que o direito de acessar esses serviços esteja acima do lucro e das necessidades de mercado. Fora os serviços monopolizados, o Correios também trabalha com encomendas (as do comércio virtual, por exemplo), marketing direto, logística, serviços de conveniência (como a emissão de CPF e DPVAT), financeiros (através do Banco Postal), serviços internacionais e logística para o governo (como a distribuição de insumos médicos para o SUS e de material didático e provas do ENEM para o MEC, por exemplo).


Para realizar esse trabalho essencial, os trabalhadores do Correios lutam contra uma série de dificuldades. Os sucessivos planos de demissão e a falta de contratação de novos funcionários, o corte de direitos trabalhistas e o rompimento de acordos firmados com os trabalhadores, o fechamento de agências próprias para privilegiar agências franqueadas privadas, o sub-financiamento por parte do estado e os rombos no orçamento causados pelos burocratas parasitas em aliança com os estrangeiros deterioram a empresa e sobrecarregam os funcionários, piorando a qualidade do serviço que a empresa oferece ao povo, seguindo o velho roteiro de degradar o serviço até o ponto em que seja impossível sua operação normal para depois entrega-lo de graça para interesse privado.


O salário médio dos carteiros e atendentes é R$1700, bem longe de ser um privilégio para o trabalhador ou um prejuízo para a empresa, considerado o tamanho e a importância do serviço. Cargos com privilégios e super-salários são restritos aos representantes da burguesia, em geral comissionados e indicados para cargos de gestão, esses sim os verdadeiros responsáveis pela corrupção, todos ansiosos para forrar seus bolsos, os bolsos dos seus parceiros estrangeiros e contribuir com o projeto de privatização da empresa. Os rombos revelados a partir de 2014 no fundo de pensão do Correios, o Postalis, por conta da especulação financeira, deram prejuízos de bilhões a empresa por anos seguidos e ameaçaram o direito de aposentadoria dos trabalhadores (que tiveram que cobrir parte do rombo do próprio bolso), isso para citar somente um exemplo. Os prejuízos registrados pelo Correios são resultado dos ataques das burguesias brasileiras e seus aliados imperialistas ao patrimônio público, não são derivados da natureza pública da empresa. Em geral, o Correios sempre foi lucrativo. No final de maio de 2021, o Postalis divulgou que vai investir R$800 milhões no exterior, e quem vai administrar isso é o banco BTG, fundado por Paulo Guedes, em parceria com a holding multinacional americana Franklin Templeton Investments, escancarando mais uma vez que o caráter do estado não se transforma com a mudança de presidente e que a drenagem dos recursos brasileiros avança dia a dia.


A ofensiva imperialista americana que pressiona para a privatização de empresas como o Correios por toda a América Latina ocorre desde o fim dos anos 80 através da política econômica neoliberal, de olho no imenso lucro que a descentralização dos serviços postais representaria, na expectativa de encontrar destino para o capital financeiro se reproduzir e garantir que o controle dos recursos mais importantes da região permaneçam sob o controle imperialista, permitindo que empresas estrangeiras abocanhassem as fatias mais lucrativas do mercado nacional, elevando os preços para garantir os lucros em dólar e abandonando regiões pouco lucrativas a própria sorte. Os exemplos do resultado dessas privatizações são muitos: as cidades de Brumadinho e Mariana podem falar sobre a Vale do Rio Doce, o preço e a qualidade dos serviços de telecomunicações podem falar sobre a Telebrás, o estado das linhas férreas pode falar sobre a RFFSA, o preço do botijão de gás pode falar sobre a Liquigás, o preço dos combustíveis pode falar sobre a ofensiva privatista sobre a Petrobras, e por aí vai... Não houve e nunca haverá privatização que melhore os preços e a qualidade dos serviços nem que tenha desenvolvido nossas forças produtivas ao nível dos países de capitalismo imperialista.


A manutenção da estrutura do Correios custa 6 bilhões de reais por ano, e apenas 324 das 11.542 são lucrativas de se operar, pela necessidade de estar presente em municípios pequenos e de difícil acesso e manter os valores dos serviços prestados acessíveis para a população. Mesmo assim, o Correios registra lucros bilionários todos os anos, fechando 2020 com R$1,53 bilhões de lucro líquido. Com a privatização, a maioria das 11.542 agências não-lucrativas vai fechar e deixar a população sem atendimento, ou passar pelo processo de adequação para as exigências da iniciativa privada, com milhares de bons empregos passando pelo processo de precarização, com contratos por aplicativo e por MEI, terceirizações e salários mais baixos. O preço dos serviços postais tende a subir para acompanhar o apetite da acumulação dos parasitas especuladores da bolsa, impactando no comércio, especialmente o comércio virtual que cresceu muito durante o último ano, na indústria e no consumo, aumentando os preços das mercadorias.