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Revolta popular persiste no Haiti



Mais de 200 anos após o seu ardoroso processo de independência em relação à metrópole francesa em 1804, as massas haitianas seguem lutando sem cansar pela sua soberania e autodeterminação.


É notável que a situação no Haiti vem se agravando continuamente após o golpe militar de 2004 sofrido pelo então presidente Jean Bertrand Aristide. Fato pouco comentado, mas que inaugura a era de golpes desferidos pelo imperialismo em governos progressistas da América Latina no século XXI. Na ocasião Aristide afirmou que a França era devedora do Haiti, exigindo restituição e reparação pela colonização por parte do país imperialista - outrora colonialista. Essa e outras questões já bastaram para o presidente, um líder com amplo apoio das massas, ser retirado do poder.

Ainda nos anos 2000, no trilho desse processo golpista, o Haiti sofreu as mazelas da intervenção do exército Brasileiro durante o governo Lula em parceria com a Nações Unidas, que juntos aturam no país com o intuído de “pacificar” um território assolado por “guerrilheiros rebeldes”. Por vias de curiosidade o general fascista Augusto Heleno, atual chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), foi o primeiro comandante militar daquela empreitada macabra.


Avançando um pouco na linha do tempo em meio ao caos político, econômico, social e sem contar os desastres naturais como o terremoto de 2010, no ano de 2016 o presidente-fantoche do imperialismo Jovenel Moïse foi eleito e desde então vem realizando um governo extremamente antipopular e corrupto até o pescoço.


O ano de 2018 inaugurou um caminho de lutas que continuou sendo pavimentado nos anos seguintes. No ano mencionado acima a população saiu às ruas para protestar contra a corrupção estrutural de Moïse, uma massiva greve geral também foi articulada pelos trabalhadores. Em 2019, ano em que diversas lutas eclodiram na América Latina, lembremos dos casos de Equador e Chile, no Haiti não foi diferente. Nesse contexto a população farta das políticas neoliberais do presidente Moïse reivindicavam a renúncia do mandatário. Além disso os manifestantes pediram o julgamento e prisão dos políticos envolvidos no desvio de dinheiro do fundo Petrocaribe, parceria firmada com o governo Venezuelano em 2005 no período do então presidente Hugo Chavez, que fornece petróleo em condições especiais para países subdesenvolvidos da América Central e Caribe.


Como em todo ocidente em 2020 a situação no Haiti se aprofundou devido a pandemia. Em mais um ano de lutas contra o governo Moïse o povo se posicionou pela sua saída da presidência, contra a miséria e a insegurança. Sem parlamento ativo e com um presidente que governa por decretos, a crise institucional e política haitiana chegou a níveis estratosféricos. Em relação aos anos anteriores foi constatado que nos levantes de 2020 houve um grande aumento da repressão, naquela ocasião agentes da Polícia Nacional do Haiti (PNH) dispararam de dentro de um carro contra manifestantes que avançavam pacificamente por uma rua no centro de Porto Príncipe. As centenas de pessoas em marcha foram dispersadas com bombas de gás lacrimogêneo.


Finalmente chegando aos acontecimentos atuais, desde o mês de fevereiro, passando por março e abril, milhares de pessoas ocuparam as ruas contra o atual governo, isso vem acontecendo pois dessa vez Moïse teve a audácia de suspender por decreto as eleições. A medida golpista se baseia no fato de que o presidente considera que o seu mandato vai até fevereiro de 2022, já a população e a oposição, com base na constituição do país, defendem que o governo atual deveria encerrar as suas atividades em fevereiro do presente ano. Isso tudo graças ao episódio em que Moïse foi eleito em uma votação anulada por fraude e reeleito no ano posterior.


O Haiti atual, semicolônia mais pobre do Hemisfério Ocidental, é o resultado de décadas de corrupção, intervenção imperialista ou de terceiros disfarçados de ONGs ou “Missões Pacificadoras”, de uma pesada dívida externa, de soberania econômica e alimentar, desastres naturais, mas sobretudo políticas neoliberais impostas pelo presidente Moïse e sua camarilha de ladrões e inimigos do povo à mando de potências imperialistas como Estados Unidos e França.


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