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Protestos massivos na Tunísia contra o governo



Como foi no caso do Egito, a Tunísia é mais um país do norte da África que não conseguiu se estabilizar após a Primavera Árabe. Esse conjunto de eventos ocorrido em 2011, em grande medida teleguiados e financiados pelas potências imperialistas ocidentais, ainda deixa marcas profundas nos países do mundo muçulmano - seja na África, seja no Oriente Médio. Na ocasião, governos de países que não eram completamente alinhados aos interesses norte-americanos foram depostos e as consequências se tornaram drásticas e duradoras devido às guerras civis, à pilhagem econômica e todo tipo de desestabilização e interferências estrangeiras.


Naquele contexto a Tunísia era assolada pela ditadura de Ben Ali e, na onda das manifestações das massas contra esse governo, o imperialismo estadunidense soube explorar as contradições que estavam postas e tomou as rédeas do processo. Desde então governantes serviçais, em maior ou menor grau dos países imperialistas, se revezaram no poder aprofundando o caráter semifeudal e semicolonial do país. A reorganização política e institucional pós Primavera Árabe, que evidentemente foi imposta pelas classes dominantes tunisianas, não atendeu em nada os interesses dos proletários e camponeses. Não é à toa que essas classes, as mais avançadas ideologicamente, não alimentam nenhuma ilusão em relação às brincadeiras eleitoreiras do velho estado. Isso fica claro na diminuição do interesse nas eleições por parte do povo tunisiano - desde 2011, a participação nos pleitos presidenciais caiu de 64% em 2014, para 42% em 2019.


As medidas neoliberais dos últimos anos mergulharam a Tunísia em uma crise sem precedentes, que por sua vez foi aprofundada devido à pandemia. Quase um terço dos jovens e boa parte da população não possui emprego, as oportunidades e perspectivas por um