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Movimento operário sul-coreano segue em luta




Na Coreia do sul ocupada pelo imperialismo ianque, como já se vê em 2021, os capitalistas não seguiram um padrão diferente daquele observado ao longo do ano de 2020: aproveitam-se da redução da atividade econômica motivada pela crise sanitária mundial para remover direitos da classe operária e demais trabalhadores. Porém, os operários da Coreia do sul não permaneceram passivos e promoveram lutas de relevo.


Os ferroviários da companhia Korail Networks, subsidiária da empresa estatal KORAIL (Korea Railroad Corporation), já estão em greve há mais de dois meses, em defesa da aplicação integral do salário comercial e estabilidade no emprego, nos termos do acordo coletivo de trabalho em vigor com a companhia. Mesmo em meio à greve, os burocratas da empresa lograram demitir 206 operários, que foram substituídos por terceirizados temporários. O presidente da KCTU (Confederação Coreana de Sindicatos), So Gyong Yang, fez a seguinte declaração: “O fato de os operários da KORAIL Networks estarem lutando por meio de greves e greves de fome mostram que a política do governo de Moon Jae In para trabalhadores não-regulares é errada. Em apoio à luta dos operários da KORAIL Networks, a KCTU certamente mobilizará para a luta mais trabalhadores que têm sofrido com as tapeações de sua subsidiária. Vou desmascarar a mentira de que respeitam os trabalhadores.” Hyun Jong Ri, presidente do sindicato dos trabalhadores de transportes públicos, fez uma declaração semelhante: “Há uma razão clara pela qual mil trabalhadores estão em greve há dois meses [...] Do presidente Moon Jae In à subsidiária, não são cumpridas as suas promessas. [...] Por não ter sido cumprido o acordo coletivo de trabalho, e nem as palavras do presidente, os trabalhadores estão em uma luta severa.”


Em 3 de novembro de 2020, mobilizados pelo Sindicato dos Trabalhadores da IKEA (empresa holandesa que comercializa móveis), os operários entraram em greve, motivados principalmente pela luta contra a discriminação racial e nacional à quais têm sido sujeitos os operários sul-coreanos por parte dos capitalistas holandeses. O presidente do sindicato declarou, em uma conferência de imprensa realizada em Gwangmyeong (município sul-coreano onde se localiza a maior loja da IKEA do mundo), que “A IKEA ganhou uma boa imagem corporativa na Coreia por meio de anúncios, mas os trabalhadores da IKEA Korea têm sido discriminados”. Um inquérito conduzido pelo sindicato descobriu que, em outros países, os trabalhadores da IKEA recebem, em média, 15 dólares de salário-hora, ao passo que na Coreia do Sul, o valor pago equivale ao salário mínimo-hora. Em outros países, as unidades da IKEA praticam o pagamento de 150% de adicionais de fim-de-semana, ao passo que na Coreia do Sul tal benefício é inexistente.


Em dezembro de 2020, metalúrgicos da KIA Motors e General Motors (GM), mobilizados pelas respectivas sucursais do Sindicato dos Metalúrgicos da Coreia, realizaram uma série de ações industriais reivindicando aumentos salariais, melhores condições de trabalho e estabilidade no emprego. Após quinze rodadas de negociações entre o Sindicato dos Metalúrgicos e as direções das respectivas empresas, não houve alternativa para os trabalhadores que não fosse a intensificação das ações grevistas. A partir de 9 de dezembro de 2020, os operários da KIA Motors realizaram três dias de greve parcial, com os trabalhadores dos turnos do dia e da noite parando o trabalho, respectivamente, por quatro horas, nas plantas das cidades de Gwangmyeong, Hwasong e Gwangju.