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Aldeia Maracanã resiste em meio aos ataques do Velho Estado no Rio de Janeiro



No bairro do Maracanã na cidade do Rio de Janeiro, na rua Mata Machado, nº 126, esteve localizado por muito tempo o chamado Museu do Índio. Embora pouco se fale sobre, na realidade, o próprio nome que leva este grande bairro do Rio de Janeiro se deve à nação indígena Maracanã, cujo berço estava no antigo Museu do Índio.


Desde 1978, porém, o prédio onde se localizava o antigo Museu do Índio foi abandonado, e sua sede atual se encontra no bairro do Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Em razão da grande especulação imobiliária vigente há muitos anos não só no Rio de Janeiro como em outras grandes cidades brasileiras, o terreno onde se localiza o prédio do antigo Museu do Índio tem sido alvo de interesses de grupos econômicos capitalistas, que buscam se aproveitar de sua localização favorável para a construção de shopping centers, estacionamentos, etc.


No ano de 2006, um grupo de indígenas de diversas etnias – conhecidos como “indígenas em contexto urbano” – ocupou a sede do antigo Museu do Índio e ergueu a Aldeia Maracanã, uma aldeia indígena em pleno centro do Rio de Janeiro e que reivindica o antepassado do povo Maracanã. Desde então, a Aldeia Maracanã tem se constituído como um centro de difusão e promoção das culturas originárias e de abrigo a outras populações. Diversos jovens indígenas cujas aldeias se localizam nos rincões brasileiros e se dirigem para o Rio de Janeiro para estudar recorrem à Aldeia Maracanã para conseguir abrigo e outras formas de manutenção. Eis aqui outro aspecto importante cumprido pelo espaço.


Atualmente, cerca de cinquenta indígenas residem no local.


Histórico de despejos e a atual ameaça de despejo


Em 2013, foi realizada contra a Aldeia Maracanã a primeira tentativa de despejo, que envolveu grande violência policial e cuja brutalidade teve repercussão nacional e mesmo internacional. Esta tentativa de despejo esteve relacionada ao olho gordo dos capitalistas cariocas e de outros estados nas perspectivas de enriquecimento em razão dos megaeventos que ocorreriam posteriormente, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, cujo processo se deu em meio a diversos escândalos de corrupção e pilhagem do patrimônio público. Despejando a aldeia, poderiam abocanhar o terreno. A tentativa foi levada a cabo pela administração do então prefeito Eduardo Paes, figura que liderou os diversos ataques aos setores populares da capital fluminense ao lado do atual presidiário e então governador Sérgio Cabral, para atender os interesses dos grandes monopólios e agora foi novamente eleito para o cargo sob os auspícios do oportunismo da esquerda, como se fosse diferente do reacionário Marcelo Crivella.


Mesmo a brutalidade policial não logrou desalojar a Aldeia. Nos anos seguintes, outras ações de reintegração de posse ocorreriam, mas sem lograrem êxito.


Recentemente, mais uma nova tentativa de reintegração de posse esteve em vigor, e estava marcada para a data de 01 de dezembro. A população da Aldeia Maracanã logo se mobilizou e chamou seus apoiadores para permanecerem em vigília para resistir contra qualquer tentativa de incursão por parte das forças policiais.


A Aldeia teve uma vitória parcial. O Tribunal Federal da 5ª Região retirou de pauta o julgamento do processo que trata da reintegração de posse da Aldeia Maracanã.


O caso André Lemos


A repressão do Estado brasileiro ficou evidente na recente condenação de André Lemos a um ano e quinze dias de prisão em regime semiaberto. Dramaturgo carioca, participou da resistência ao despejo da Aldeia Maracanã no ano de 2013, manifestando sua defesa aos direitos da população tradicional. Mesmo que, na ocasião, André Lemos tenha sido pisoteado e agredido por policiais, sua condenação se deu sob acusação de “desacato”, “resistência” e até mesmo agressão a policiais militares que estavam em número muitíssimo superior e fortemente armados. Em mais um dos incontáveis exemplos da ação da justiça burguesa brasileira contra os militantes populares, em seu julgamento, apesar das imagens gravadas demonstrarem que André foi imobilizado e agredido por diversos policiais, a condenação foi confirmada em um processo no qual as testemunhas de acusação eram os próprios policiais militares que atacaram André.