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"Maradona não traiu o povo, fez dele notícia"



Ninguém carregava a bola mais perto do pé, como se o fizesse com a mão; Nem ninguém era tão sincero e, ao mesmo tempo, tão sensível, dentro e fora dela; Ninguém correu, em apenas dez segundos, quase 60 metros com a bola, “amarrado” às chuteiras para lançá-la em um gol que abalou o mundo, em 1986.


No campo do futebol mundial, onde foi rei pelos seus méritos, mas rejeitado pelas suas ideias, ninguém foi tão pouco compreendido como ele. Sua rebelião e, em seguida, seu vício em drogas foram os pretextos daqueles de terno e gravata para censurá-lo. No entanto, o verdadeiro motivo foi o seu verbo contundente contra os poderosos, contra as injustiças vividas por jogadores e torcedores.


Eles nunca iriam entender isso, eles não queriam. Deviam ter passado, primeiro, pelo quilômetro zero deste homem, em Villa Fiorito, um ponto esquecido na geografia de seu país, na área de Buenos Aires. “Não havia água, nem pão, nem carne”, disse ele mais de uma vez. Daquele campo, ainda criança, garantiu que sonhava que jogava pela seleção nacional. Saiu das entranhas daquele neoliberalismo, o mesmo que lhe deu os golpes que a vida lhe deu e diante do qual se armou de ideias.


Como todos os mortai