"Legado de Fidel será eterno porque seu povo defende os ideais pelos quais ele lutou"



A vida e a obra do líder da Revolução Cubana, o comandante em chefe Fidel Castro Ruz, é um legado para o mundo e como tal ele é lembrado em diferentes tributos. O destino parece ter se empenhado em dar a ele um lugar especial na História. Para os Estados Unidos, ele foi, desde o triunfo da Revolução, o espinho permanentemente cortante.


Além das conhecidas conquistas da revolução, Cuba conseguiu avançar durante seis décadas por um feito particular: ter resistido ao cerco genocida e ao bloqueio dos governos dos EUA – democráticos ou republicanos – que tentaram por vários meios acabar com o trabalho iniciado e conduzido até sua morte por Fidel.


Neste 4º aniversário de seu desaparecimento físico, queremos mencionar um desafio que ele deixou para todos os revolucionários, não só para os cubanos. Foi em 17 de novembro de 2005, na Aula Magna da Universidade de Havana, por ocasião do 60º aniversário de sua entrada nesta universidade, que o comandante-chefe nos disse: "este país pode se autodestruir; esta Revolução pode ser destruída, aqueles que não podem destruí-la hoje são eles (os imperialistas e seus mercenários); nós, sim, nós podemos destruí-la, e a culpa seria nossa".


"As revoluções estão destinadas a ruir, ou são homens que podem derrubá-las? O homem pode ou não impedir, a sociedade pode ou não pode impedir que as revoluções sejam derrubadas?”, perguntou ele.


O próprio Fidel nos oferece os elementos para enfrentar este desafio. Primeiro, ele nos ensinou que "(...) há pelo menos um pedaço de terra, não o único, onde os yankees não governam e onde os yankees não governarão, e se um dia eles tentarem, terá que fazê-lo sobre nossas cinzas, sobre nossos ossos, sobre nosso sangue".


Ele insistiu na ética como a primeira premissa de um revolucionário; na batalha das ideias de independência e justiça social, de socialismo, como uma força de milhões; e no combate incansável a questões tão terrenas e prejudiciais como o roubo, o desperdício e a indisciplina, vícios que se tornaram grandes inimigos dos processos revolucionários.


Aquele 17 de novembro foi também o momento em que ele compartilhou uma de suas conclusões, a de que "(...) entre os muitos erros que todos nós cometemos, o erro mais importante foi acreditar que alguém sabia sobre o socialismo, ou que alguém sabia como o socialismo é construído. Parecia uma ciência conhecida". Ao mencionar a ex-URSS, Fidel pensava que a experiência do primeiro estado socialista deveria ter sido corrigida e nunca destruída.


Outro elemento, que em nossa opinião é fundamental para enfrentar o desafio, é agir, em nossa conduta diária, de acordo com o conceito de Fidel da Revolução Cubana, dentro da qual sempre nos formamos e nos enriquecemos. Em 1º de maio de 2001, ele escreveu o texto que é considerado seu testamento político, definição que sempre guiou a Revolução desde seus primórdios e que expressa, precisamente, o conjunto de elementos que a imortalizam e nos indicam qual caminho seguir. Esta definição inclui doze princípios, que constituem as armas, os instrumentos e até mesmo as vias para que nossa Revolução não possa ser interrompida.


“Revolução é sentido do momento histórico; é mudar tudo o que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plenas; é ser tratado e tratar os demais como seres humanos; é emancipar-nos por nós próprios e com nossos próprios esforços; é desafiar poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; é defender valores nos que se acredita ao preço de qualquer sacrifício; é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo; é não mentir jamais nem violar princípios éticos; é convicção profunda de que não existe força no mundo capaz de esmagar a força da verdade e das ideias. Revolução é unidade, é independência, é lutar por nossos sonhos de justiça para Cuba e para o mundo, que é a base de nosso patriotismo, nosso socialismo e do nosso internacionalismo.”


Neste momento, as perguntas feitas por Fidel continuam nos desafiando em circunstâncias muito complexas, com uma pandemia que reconfigurou a conduta mundial que, a propósito, Cuba enfrenta como poucos, graças às ideias e ações fidelistas que são a espinha dorsal do processo revolucionário cubano.


Enquanto isso, estamos empenhados, junto com a liderança do país, em dar continuidade a um estilo de trabalho que se expressa numa estratégia econômico-social para fortalecer a economia e o enfrentamento da crise gerada pela covid-19, ampliada pelas medidas de bloqueio tomadas pela administração Trump. Apostamos nas reservas mais profundas de nós mesmos – não esperamos milagres vindos do além-mar – e continuamos lutando contra a escassez material, golpes naturais ou doenças terríveis, tais como a atual pandemia.


Quando Fidel, nossa direção histórica, estava nos deixando fisicamente, nosso presidente Miguel Díaz Canel dizia: “assumo esta responsabilidade com a convicção de que todos nós, revolucionários cubanos, seremos fiéis ao legado do líder histórico Fidel Castro, e também ao exemplo, valor e ensinamentos de Raúl Castro, o atual líder do processo revolucionário”, prometeu em sua primeira declaração como Presidente de Cuba.


Ele enfatizou que os homens e mulheres que forjaram a Revolução "nos dão as chaves para uma nova fraternidade que nos transforma em companheiros e companheiras" e destacou, como outra conquista herdada, a unidade que se tornou invulnerável dentro de nosso partido, que não nasceu da fragmentação dos outros, mas daqueles que propunham alcançar um país melhor.


É por isso que, disse ele, "Raúl permanece na vanguarda da vanguarda política". Ele continua sendo nosso Primeiro Secretário, como referência para a causa revolucionária, ensinando e sempre pronto para enfrentar o imperialismo, como o primeiro, com seu fusil no momento do combate".


Sobre o trabalho revolucionário e político do general do Exército, o atual presidente destacou seu legado de resistência e a busca pelo aperfeiçoamento da nação. "Ele colocou o senso do dever acima da dor humana", disse em referência à perda física do comandante-chefe Fidel Castro em 25 de novembro de 2016.


“Não venho prometer nada que a Revolução já não tenha feito em todos esses anos. Venho entregar o compromisso de trabalhar e exigir o cumprimento do programa que propusemos como governo e como povo, dentro da linha do Socialismo e da Revolução”, disse Díaz-Canel em relação aos seus principais objetivos de trabalho.


“E quanto aos inimigos do processo revolucionário, ele disse: aqui não há espaço para uma transição que ignore ou destrua o trabalho da Revolução. Seguiremos adiante sem medo e sem recuar; sem renunciar à nossa soberania”.


"Para aqueles que, por ignorância ou má fé, duvidam de nosso compromisso, devemos dizer que a Revolução continua e continuará", esclareceu ele, pois "o mundo recebeu a mensagem errada de que a revolução acaba com seus guerrilheiros".


Este é o legado de Fidel!


por Antonio Mata Salas, Cônsul de Imprensa no Consulado Geral de Cuba, em São Paulo.


Do Brasil de Fato

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