Governo Bolsonaro entrega o Brasil para a guerra imperialista e a fascistização


O título do presente artigo não surpreende ninguém. No campo progressista, poucos são os que duvidam que o governo de Bolsonaro e os militares fascistas têm intensificado a entrega do Brasil para as guerras de agressão do imperialismo ianque, a supressão dos direitos do povo e a militarização do Estado reacionário brasileiro. Porém, há fatos mais recentes muito dignos de menção, que envolvem problemas mais amplos que afligem nosso povo.

Todos sabem que, em fevereiro de 2019, o Brasil foi reduzido à condição de Estado satélite ao unir forças com o tal “Grupo de Lima”, ao Estado fantoche colombiano e ao imperialismo ianque ao participar abertamente de uma ameaça de guerra contra a Venezuela, algo que recebeu repúdio contundente das vozes democráticas e patrióticas de nosso país.

Recentemente, o quadro foi repetido. O periódico Diário Las Americas, em um informe escrito por Edgar Otálvora, constatou que o exército reacionário brasileiro está, neste momento, levando a cabo a chamada “Operação Amazônia” na fronteira com a Venezuela, que consiste em ações orientada à “defesa externa no ambiente operacional amazônico”... mas, “defesa” contra quem? Estaríamos às vésperas de o Brasil ser invadido por tropas “comunistas” bolivarianas vindas a partir da Venezuela para justificar exercícios de defesa externa?

Na data de 12 de agosto, chegou em Belém do Pará um comboio do exército brasileiro que transportava componentes do sistema “Astros 2020”, dedicado ao lançamento de foguetes, vindo a partir do estado de Goiás. No comboio, estavam incluídos lançadores, veículos de controle de tiro e apoio logístico. A estrutura foi desembarcada nas Docas de Belém para ser transportada para Manaus por via fluvial. Ademais, estão sendo mobilizados efetivos de diversas outras regiões do país para o chamado “exercício militar”.

Os ingênuos poderiam falar que se trata de mais um exercício usual do exército brasileiro, que nada teria a ver com os intentos do governo Bolsonaro em afundar o Brasil em uma guerra de agressão contra a Venezuela em benefício do imperialismo ianque. Tais opiniões obscurecem outros fatos também recentes na arena política brasileira.

Em 22 de julho, o Ministério da Defesa do regime de Bolsonaro entregou ao Congresso Nacional novas minutas de documentos como a “Política Nacional de Defesa” (PND), a “Estratégia Nacional de Defesa” (END), e o “Livro Brando de Defesa Nacional” (LBDN), documentos basilares para a conformação militar do Estado reacionário brasileiro. Tais documentos sofreram alterações em comparação com versões passadas que, em substância, formalizam as seguintes mudanças na perspectiva de “defesa nacional”: 1) considera que a América do Sul não é mais uma região livre de conflitos; 2) estabelece a possibilidade de que o Brasil intervenha em conflitos regionais para salvaguardar a “integridade nacional”, contrariando a noção estabelecida pela Constituição reacionária de 1988 de não intervenção em assuntos de outros países e solução pacífica dos conflitos.

Muito embora o documento apresentado pelo Ministério de Defesa não cite nominalmente a Venezuela, não é mera coincidência que essas alterações estejam sendo apresentadas em um contexto mais geral de entrega do Brasil para o imperialismo ianque e de fascistização da sociedade brasileira. Como um dos mecanismos práticos de aplicação desta “nova” política, o projeto orçamentário apresentado pelo regime de Bolsonaro ao Congresso, para o ano de 2021, prevê aumentar em quase 6 bilhões de reais o orçamento do Estado reacionário destinado à defesa: um novo peão na guerra imperialista não pode atender aos amos estadunidenses com um equipamento tão defasado como o do exército brasileiro. Ademais, em um momento de crise como o nosso, a modernização é ainda mais necessária para que a reação brasileira conduza mais eficientemente a repressão do povo e dos movimentos de massas organizados. Este acréscimo orçamentário de quase 6 bilhões de reais representará lucros ainda maiores para os capitalistas da Taurus, Imbel, e outras empresas, para além dos capitalistas israelenses e estadunidenses que encherão ainda mais os bolsos para reprimir os brasileiros pobres.

O governo de Bolsonaro prevê tal acréscimo orçamentário para a pasta de Defesa até mesmo às custas de depenar ainda mais o padrão cultural do povo pobre. Ao mesmo tempo em que a proposta orçamentária do governo prevê este aumento, o Ministério da Educação de Bolsonaro quer cortar mais de 4 bilhões de reais de seu orçamento de 2021, deixando o Ministério de Defesa com mais recursos que o Ministério da Educação pela primeira vez na história do país, sem que haja qualquer ameaça de invasão externa, e em um momento no qual as escolas brasileiras sofrem de intensa evasão não apenas em razão de um ensino historicamente ruim, mas também em virtude da pandemia do coronavírus, que praticamente excluiu do acesso à educação os milhões e milhões de alunos pobres das áreas rurais e periferias que não têm acesso à estrutura necessária para estudar de forma remota. Se levamos em conta que a crise econômica nacional derrubou a arrecadação de impostos do Estado reacionário, estima-se que a educação brasileira perderá quase 30 bilhões de reais em seu orçamento. https://g1.globo.com/educacao/noticia/2020/06/04/pandemia-pode-tirar-das-redes-estaduais-de-ensino-quase-r-28-bilhoes-em-recursos-de-arrecadacao-aponta-levantamento.ghtml

Enquanto o regime odioso busca afundar nossos irmãos brasileiros na condição de analfabetos e semi-analfabetos, aumenta criminosamente o orçamento de Defesa para agredir o povo irmão venezuelano! É exatamente o que procuram: embrutecer o nosso povo, reduzi-lo à ignorância e obscurantismo mais brutais, para então atirá-lo como bucha de canhão em uma guerra no exterior que apenas servirá aos ricaços que estão enfiados em suas mansões na Flórida ou apartamentos de luxo em Manhattan.

Tais são alguns dos aspectos da fascistização da sociedade brasileira, entre a supressão dos direitos do povo e a militarização.

NOVACULTURA.info

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