Sertão alagoano é palco de novos ataques contra o movimento camponês


Temos acompanhado com atenção e denunciado os ataques dos grandes senhores de terras e empresários contra os pobres do campo. Se os assassinatos, despejos, expulsões, cercamentos, ameaças, agressões, estupros, etc., já foram uma constante conta os camponeses e assalariados rurais em luta durante o ano de 2019, com a eleição do fantoche de Jair Bolsonaro, parece-nos que nem mesmo a grave crise sanitária, à qual se soma uma grave crise econômica, de desemprego e fome em massa, parece estar impedindo os poderosos de conduzir todo tipo de arbitrariedades nas áreas rurais.

Das terras gaúchas ao Pará, do Amazonas a Pernambuco, muitos destes ataques, de natureza verdadeiramente paramilitar, certamente tornam vazios os apelos da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que forças beligerantes estabeleçam cessar-fogo por razões humanitárias nesta época de pandemia da Covid-19. É certo que não há no Brasil, nas áreas rurais, forças beligerantes, em conflitos armados umas com as outras, se levarmos em conta que, de um lado, há paramilitares e pistoleiros, pagos e armados por fazendeiros, grandes empresários e políticos para cometerem todo tipo de crimes e grilarem terras, ao passo que de outro, há camponeses e assalariados rurais, indígenas, e quilombolas, “armados” com suas enxadas, semeadeiras, arados, em busca da posse da terra para a manutenção das respectivas subsistências e modos de vida. Trata-se de uma situação ainda mais grave, dada esta brutal desigualdade presente nos conflitos agrários de nosso país.

O sertão alagoano, região marcada pela miséria e o domínio latifundiário, miserabilidade ainda mais acentuada desde o Golpe de Estado de 2016, não esteve fora deste quadro de arbitrariedades. Aqui, o movimento camponês organizado também sofrera com a violência reacionária.

Na madrugada do último sábado (2 de maio), no município de Pão de Açúcar em Alagoas, pistoleiros invadiram o acampamento Fidel Castro, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), disparando durante uma hora contra o acampamento para amedrontar as famílias camponesas e constrange-las a deixarem as terras onde já vivem há treze anos, desde quando foi realizada a primeira ocupação do então latifúndio Pai Mateus. Os camponeses denunciam que, frequentemente, bate-paus rondam a área onde está estabelecido o acampamento, realizando ameaças e colocando em risco a vida até mesmo de idosos, mulheres e crianças.

Tais ataques contra os camponeses do MST em Pão de Açúcar são frequentes a ponto de, no mês de janeiro deste ano, as famílias terem sido vítimas de uma nova tentativa de despejo que não tivera como pretexto sequer a legalidade burguesa. Sem qualquer ordem judicial, policiais militares realizaram uma incursão (ilegal) contra o acampamento Fidel Castro, estabelecendo arbitrariamente um prazo para as famílias deixarem as terras. Mera tentativa de tapeação, pois após cinco meses, as famílias ainda permanecerem vivendo na área, cultivando suas lavouras e resistindo.

Os fazendeiros pilantras parecem não se dar conta que as humilhações sistemáticas, longe de destruírem o movimento popular rural brasileiro, apenas o compelirá para formas cada vez mais agressivas e combativas de resistência. Podemos esperar que, em breve, o latifúndio não terá apenas uma, mas muitas e mais pontiagudas pedras em seu sapato.

NOVACULTURA.info

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