"Tirar os desaparecidos das sombras! Responsabilizar o Estado Fascista!"
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Neste Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimento Forçados, também conhecido como o Dia dos Desaparecidos (30 de agosto de 2026), a Liga Internacional das Lutas dos Povos (ILPS) se coloca ao lado das famílias, dos defensores de direitos humanos e dos movimentos populares que lutam para encontrar aqueles que foram forçosamente desaparecidos. Hoje não é apenas uma comemoração — é a renovação de nossa resolução, luta e exigência compartilhadas por justiça. Homenageamos as famílias que buscam seus entes queridos e nos recusamos a permitir que os nomes e histórias dos desaparecidos sejam apagados.
Para as famílias dos desaparecidos, este dia não é apenas uma comemoração. É um dia de lembrança, luta e resolução renovada. Nos solidarizamos com as mães, pais, cônjuges, filhos, irmãos, amigos e camaradas que continuam a buscar seus entes queridos e se recusam a permitir que seus nomes e histórias sejam apagados.
O desaparecimento forçado não é simplesmente o sequestro de uma pessoa. É a tentativa deliberada de apagar um ser humano da sociedade — de ocultar seu paradeiro, negar sua existência, silenciar suas famílias e evadir responsabilidade.
Ao redor do mundo, o desaparecimento forçado continua a ser usado como arma de repressão política. Ativistas, defensores de direitos humanos, jornalistas, defensores ambientais e da terra, povos indígenas, organizadores comunitários, dissidentes políticos e civis comuns têm sido sequestrados e desaparecidos por desafiarem interesses poderosos e resistirem a políticas de Estado.
As vítimas vêm de diferentes países e lutas, mas o padrão é perturbadoramente familiar: vigilância, ameaças, difamação, rotulação política ou “red-tagging”, sequestro, detenção secreta, tortura e, por fim, a negação de informações sobre o destino e o paradeiro da vítima.
Um legado global de Repressão Estatal
O desaparecimento forçado não é um fenômeno confinado a um país ou período histórico específico. É uma ferramenta fascista de contrainsurgência que tem sido deliberadamente empregada por potências imperialistas e executada por seus Estados clientes e forças de segurança nas neocolônias para suprimir a oposição política e os movimentos sociais que ameaçam os interesses comerciais das oligarquias financeiras.
Ao longo do século XX, as doutrinas de contrainsurgência desenvolvidas no contexto das guerras coloniais — incluindo a experiência francesa na Argélia — contribuíram para o desenvolvimento e a disseminação de métodos que envolviam vigilância, operações de inteligência, detenção secreta, tortura e desaparecimento. Essas práticas foram posteriormente adaptadas e incorporadas a estruturas anticomunistas e de contrainsurgência empregadas por Estados em todo o mundo, inclusive por meio de treinamento militar e cooperação em segurança durante a Guerra Fria.
Na América Latina, ditaduras militares apoiadas pelos EUA na Argentina, Chile, Guatemala, El Salvador, Peru e outros países usaram o desaparecimento forçado para aterrorizar populações e destruir a oposição organizada. Milhares foram desaparecidos, enquanto as famílias eram deliberadamente privadas de informações sobre seus entes queridos. Na Argentina, as Mães e Avós da Praça de Maio transformaram sua busca por seus filhos e netos desaparecidos em um poderoso movimento por verdade e justiça. A Guatemala foi palco de uma das mais sangrentas campanhas de terrorismo de Estado na América Latina, resultando em mais de 45 mil pessoas forçosamente desaparecidas ao longo dos 36 anos de guerra, durante os quais foram empregados métodos brutais de tortura e execução; hoje, trinta anos após a assinatura dos acordos de paz, as famílias continuam a buscar justiça.
Na Ásia, o desaparecimento forçado também tem sido usado contra opositores políticos, ativistas, povos indígenas e comunidades que resistem a interesses estatais e corporativos. Na Indonésia, a violência política em massa da década de 1960 foi acompanhada por desaparecimentos e assassinatos generalizados. No Paquistão, os desaparecimentos forçados permanecem como um instrumento cruel de controle contra pessoas que exigem seu direito à autodeterminação, particularmente no Baluchistão e em outras áreas afetadas pela militarização e pelo conflito.
Na Turquia, no Marrocos, no Saara Ocidental e em outras partes do Oriente Médio e da África, dissidentes políticos, jornalistas, ativistas e membros de movimentos nacionais e étnicos têm enfrentado sequestro, detenção secreta e desaparecimento.
Na Palestina, o Estado sionista tem submetido palestinos à detenção arbitrária, à detenção secreta e ao desaparecimento em meio a décadas de ocupação e conflito armado. As famílias continuam a exigir informações sobre parentes cujo paradeiro e condição permanecem desconhecidos.
No Quênia, os sequestros e desaparecimentos de ativistas e críticos do governo em meio a amplos protestos contra as medidas de austeridade impostas pelo FMI e pelo Banco Mundial, os impostos extremos sobre necessidades básicas e a negligência do Estado geraram ampla preocupação e exigências de responsabilização.
Na Índia, operações violentas de contrainsurgência que empregam execuções extrajudiciais e desaparecimento forçado têm aterrorizado povos indígenas, defensores de direitos humanos, ativistas políticos e as comunidades em que vivem, em grande parte em áreas onde grandes corporações buscam acesso irrestrito à terra, à água e a recursos minerais e agrícolas.
Nas Filipinas, o desaparecimento forçado tem uma longa e dolorosa história — desde a ditadura de Ferdinand Marcos Sr. até administrações sucessivas que continuaram a empregar militarização, contrainsurgência e repressão política contra ativistas e comunidades.
Essas experiências demonstram que o desaparecimento forçado não é um ato isolado cometido por indivíduos desgarrados. Onde as instituições permitem que os perpetradores operem com impunidade, o desaparecimento se torna um método de governo e repressão.
Os desaparecimentos forçados exemplificam o fascismo — um mecanismo violento que as potências imperialistas e seus Estados clientes usam para manter o controle em meio a uma crise devastadora e à crescente resistência popular ao seu domínio. A luta contra os desaparecimentos forçados é inseparável da luta contra o imperialismo, o fascismo e todas as formas de exploração de classe. Convocamos urgentemente todos os povos a se unirem contra esses crimes, exigirem justiça e responsabilizarem os perpetradores. Somente por meio da resistência coletiva, da busca da verdade e da solidariedade poderemos acabar com os desaparecimentos forçados e construir um mundo fundado na dignidade, na justiça e na liberdade genuína.
Tirar os Desaparecidos da Sombra!
Tirar as mãos dos Defensores de Direitos!
Ativismo não é Terrorismo!
Resistir ao Imperialismo! Resistam ao Fascismo!
Resistir ao Terror de Estado!
Lutar contra o Fascismo!
Lutar pelos Direitos dos Povos!
Lembrar é Lutar!
Pela memória dos desaparecidos e pela luta dos oprimidos contra o regime capitalista opressor!
Vida longa à luta dos povos!
JUSTIÇA PARA TODAS AS VÍTIMAS DE DESAPARECIMENTO FORÇADO!
LEMBRAR É LUTAR!
Liga Internacional das Lutas dos Povos e Comissão da ILPS sobre os Direitos dos Povos




































































































































