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História das Três Internacionais

"Equador, violência até quando?"

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  • há 9 horas
  • 2 min de leitura

 

Em meio à violência habitual, uma inusitada onda de crimes impacta o país. Isso ocorre enquanto o governo promove decretos que implicam a participação militar, acompanhados de encenações midiáticas, e o país se aproxima de novos momentos eleitorais.

 

Na semana que termina, Quito amanheceu abalada por explosões, veículos incendiados e ameaças armadas. O atentado contra as instalações da Arcom, a tentativa de assalto no Amazonas Parc e o ataque frustrado ao quartel de La Delicia não são fatos isolados de criminalidade comum: fazem parte de um padrão perturbador que já vivenciamos em janeiro de 2024, com a tomada da emissora TC Televisión.

 

A repetição parece precisa demais para ser mera coincidência. Em ambos os períodos, a escalada do terror coincide com decisões políticas relevantes: naquela ocasião, a consulta popular sobre segurança e o papel das Forças Armadas; agora, o Decreto Executivo nº 424, que abre caminho para tropas estrangeiras sob a figura da “intervenção por convite”.

 

A violência surge como um conveniente pano de fundo para justificar medidas excepcionais e estimular o debate público. O mais grave não são apenas os danos materiais ou os seguranças afetados. O que realmente alarma é a persistente impunidade dos autores intelectuais.

 

No caso da TC Televisión, mais de dois anos depois, o suposto mentor continua foragido na Espanha, e vários condenados morreram sob custódia sem que a cadeia de comando tenha sido esclarecida. Hoje, os panfletos encontrados na Arcom apontam para funcionários e empresários do setor minerador, mas as investigações avançam com uma lentidão suspeita quando se trata daqueles que financiam e ordenam esses ataques sofisticados em plena capital.

 

Um país que deseja recuperar a paz não pode permitir que atentados funcionem como catalisadores “oportunos” de decisões de Estado.

 

É hora de exigir algo mais do que operações midiáticas e decretos espetaculares. É necessária inteligência séria, perseguição implacável aos financiadores e chefes das organizações criminosas, transparência nas investigações e, sobretudo, que a segurança deixe de ser um instrumento político para se tornar uma política de Estado com resultados concretos.

 

Os equatorianos estão cansados de acordar com explosões sempre que se aproxima um momento decisivo nas urnas ou nas agendas governamentais. A coincidência é um sintoma de que algo estrutural está falhando. E falhar nisso coloca em risco a própria democracia.

 

Do Rebelión

 

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