"Irã, reivindicação de Karbala"
- NOVACULTURA.info

- 7 de abr.
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Diante da improvisação absoluta que vem sendo verificada dia após dia, já cumprido um mês do lançamento da Operação Fúria Épica. No ataque traiçoeiro da Liga Epstein contra a República Islâmica do Irã, fica claro que esse acúmulo de torpeza e imprevisões se converteu na pior das armas que devem enfrentar Netanyahu e Trump.
Não ter considerado um plano B, caso o assassinato do líder supremo da nação, o aiatolá Ali Khamenei, não provocasse a reação que se esperava do povo persa, que por iniciativa própria tentasse uma mudança de regime, significa que a Inteligência judaico-estadunidense que operava no interior do país estava intoxicada por sua própria má leitura.
Diante deste primeiro erro, tudo continuou em cadeia. Ignorar completamente a capacidade ofensiva da Guarda Revolucionária e do exército iraniano, da qual a cada momento dá demonstração, tendo demolido treze das vinte e três bases norte-americanas no Golfo Pérsico, dando ao mesmo tempo um golpe praticamente mortal à indústria petrolífera e gasífera dessas sete nações, cujas coroas começam a tremer nas atribuladas e correspondentes testas. Enquanto isso, nos afundamos em uma crise energética da qual até agora não se tem medida. Para dar exemplos, a Austrália está a horas de esgotar suas reservas de combustível; Filipinas, em estado desesperado, enquanto que na Índia as filas para comprar botijões de gás têm a desmesura de seus grandes festivais religiosos.
O fechamento também promete provocar danos à indústria dos fertilizantes, para cuja fabricação a ureia, um subproduto do gás e também do petróleo, é chave, assim como o hélio para chips e microprocessadores.
O terremoto que os drones e mísseis iranianos provocaram no Oriente Médio, depois de exterminar as praças financeiras estabelecidas nos paraísos artificiais de Doha e Abu Dhabi, provocou nestas últimas horas que o Iraque terminasse de expulsar todas as forças ocidentais de ocupação depois de 23 anos de presença contínua.
Praticamente desbaratada a renomada “Cúpula de Ferro” sionista, obriga aqueles que festejavam a morte de palestinos, gritando-o diante de seus televisores como um gol do Maccabi Tel Aviv Football Club, entre eles mais de 50 mil crianças, aspergidas cuidadosamente durante mais de dois anos e meio todos os dias com fósforo branco ou a melhor artilharia do mundo, hoje vivem arrastando-se nas entranhas de suas cidades, cagando-se literalmente, com fome, lutando até a morte por um lugar em algum porão malcheiroso, disputando uma garrafa de água, como um salva-vidas no Titanic. Sabendo que tudo isso é simplesmente o começo, que o pior está por vir. Porque mais além da certeza da missilística persa, desta vez não terão a piedade do mundo, que aquilo da vitimização pelo nazismo, da qual tanto proveito souberam tirar e da qual, por outra parte, tanto aprenderam, ficou submerso debaixo das centenas de milhões de toneladas de concreto em Gaza, em Beirute, nas aldeias da Cisjordânia ou do sul do Líbano. Nos bairros de Teerã e muitas outras cidades do Irã, a piedade universal sucumbiu junto às 180 meninas, assassinadas pela Liga Epstein, naquela escola remota de Shajare Tayebé, da cidade de Minab, paradoxalmente diante do estreito de Ormuz, na província de Hormozgán.
Cada dia, desde a Indonésia ao Brasil e à Patagônia argentina, registram-se incidentes com turistas do enclave sionista; são cada vez mais frequentes os cartazes onde se anuncia claramente que têm proibida a entrada a bares e outro tipo de comércios. Nas Maldivas diretamente foi-lhes proibida a entrada e as ruas da sofisticadíssima Milão, onde vivem aproximadamente 7 mil judeus, há meses periodicamente aparecem empapeladas com cartazes onde se lê em inglês: “Israel not welcome”.
Os incidentes antissemitas, que se replicam ao longo do mundo, chegaram uma vez mais para permanecer por um longo tempo. Como tantas vezes ao longo da história, o desprezo está se convertendo em uma arma, que por agora não os mata, mas sem dúvida fere gravemente e que os extraviados de sempre aproveitarão para confundir o judeu com o sionista, algo tão brutal como confundir um alemão com um nazista.
A desconfiança do general Moore
Alguma vez, o general Jeremy Moore, comandante das forças terrestres britânicas na guerra das Malvinas (1982), a quem coube avançar desde a baía San Carlos até Puerto Argentino, pouco mais de 100 quilômetros, relatou que, diante das defesas estabelecidas pelo general argentino Benjamín Menéndez, decidiu avançar com extremo sigilo, já que a obviedade desses posicionamentos aparecia em todos os manuais das escolas militares de todo o mundo. Pelo que acreditou, estava entrando em uma emboscada, mas não, já conhecemos o fim desta história; lamentavelmente, o gênio militar de Menéndez só se resumia à tortura e aniquilação de seus compatriotas.
Algo similar se pressentiu na formulação inicial desta guerra, pelo que mais além da obviedade do ataque indiscriminado e brutal, não há outra opção: pelo que tanto sionistas como norte-americanos dispõem do suficiente músculo para esmagar cada um dos objetivos que se proponham, em superfície como já neste mês o fizeram em cerca de 12 mil oportunidades, mas o fato de que a artilharia missilística persa continua golpeando de maneira constante seus objetivos, cada vez mais profundo no território ocupado da Palestina, como nunca nos quase 80 anos desde iniciada a ocupação.
Pelo que cada dia que se prolonga esta guerra, o sabor de derrota se instala no paladar nas hostes de Trump e Netanyahu. Cansado de anunciar que já assassinaram 250 altos comandos do “regime” iraniano, a realidade continua incólume, porque em cada um dos mártires e dos que o sucedam, como no milhão de homens de suas forças armadas.
Porque Trump, seguramente, conheça muito do novo Big Arch do McDonald's, quanto pesa e que componentes tem, mas ignora absolutamente tudo acerca de Karbala, a batalha que se trava no ano 680, nas planícies do então inexistente Iraque, onde morreu Hussein ibn Ali, o neto do profeta Muhammad, que se negou a reconhecer a legitimidade do califado de Yazid I (sunitas). O martírio de Ali é o que não só deu identidade ao xiismo (Partido de Ali), mas também direção simbólica e espiritual, pelo que o martírio pode ser a maneira final do combate.
Pelo que se Trump pensa que a tomada da ilha de Jark é uma questão de disposição de homens, voltará a se equivocar uma vez mais porque cada um dos homens do aiatolá Mojtaba Hoseiní Jamenei, militares e não, literalmente lutarão até sua morte.
E não apenas eles, como está mostrando o renascido Hezbollah, que a um ano e meio de ter sido aniquilado seu líder Hassan Nasrallah, junto a toda a cúpula e centenas de combatentes, aniquiladas suas linhas de abastecimento, agora estão convertendo em um inferno o norte do enclave sionista, onde seus próprios drones e mísseis golpeiam hora após hora, ao mesmo tempo que os outrora incontíveis tanques Merkava, junto a suas tripulações, estão sendo assados em seu caminho ao rio Litani, que corre a uns 30 quilômetros da fronteira sionista, até onde as Forças de Defesa de Israel (FDI) pretendem levar a zona de amortecimento.
Enquanto nestas últimas horas somaram-se à guerra os houthis, que já alcançaram território ocupado pelos sionistas. A força rebelde iemenita tem o controle do estreito de Bab al-Mandeb, o qual já fechou em várias oportunidades nestes últimos dois anos. Este estreito é outra passagem chave para a economia mundial, por seu acesso ao mar Vermelho e daí a Suez, pelo que, ao fechá-lo, o colapso da economia global seria ainda mais rápido. A isso é preciso somar as milícias pró-iranianas do Iraque, que também começaram suas operações contra o território ocupado pelos sionistas.
É neste contexto que a continuidade de Trump no poder se torna a cada momento cada vez mais improvável, não apenas por seus erros táticos e políticos grotescos no marco da guerra, mas pela cada vez mais intensa maioria cidadã norte-americana que a essas políticas soma inflação, repressão e os mortos que, embora ainda se ocultem, começarão a chegar às centenas assim que pise nas proximidades de Ormuz. E demonstraram isso no domingo 29 de março, onde sob a consigna “No Kings”, saíram a protestar cerca de 9 milhões de norte-americanos, incentivados pelo discurso flamejante de Robert de Niro, que se converteu no vetor fundamental do antitrumpismo.
Ainda que a última batalha tenha sido travada pelo povo iraniano, que uma vez mais se debate pelo tudo e pelo nada, onde a reivindicação de Kerbala não é algo a desatender.
Por Guadi Calvo, no Línea Internacional







































































































































