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Sobre o "Formação Histórica do Brasil"


A obra “Formação Histórica do Brasil” é, sem sombra de dúvidas, a mais importante até agora produzida sobre a História e a Revolução brasileiras. É a leitura de cabeceira de todo proletário brasileiro consciente, de todos os revolucionários, democratas e patriotas que se interessam por conhecer a heroica trajetória da brava gente brasileira, para assim, e somente assim, identificar os decisivos métodos e caminhos necessários para a libertação de nosso povo da tirania do imperialismo norte-americano, dos grandes capitalistas e latifundiários, e garantir para as grandes massas trabalhadoras a construção de um novo país autossustentado, soberano, rico, próspero e independente.


Este clássico é resultado direto do curso de “Formação Histórica do Brasil” ministrado desde 1956 no ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros pelo grande historiador e histórico militante do antigo Partido Comunista Brasileiro, Nelson Werneck Sodré. O ISEB, durante muitos anos, reuniu diversos intelectuais democratas e patriotas – entre eles o próprio Sodré – que debatiam os rumos a serem tomados pelo Brasil e seu povo para a superação do atraso econômico e da dependência externa diante do imperialismo norte-americano e outros países capitalistas, tendo cumprido um importante papel na construção do pensamento nacionalista brasileiro. Não à toa, o ISEB foi completamente dissolvido no ano de 1964, após o Golpe de Estado militar-fascista que usurpou o poder do Estado e impôs o regime de exceção.


Apoiando-se no materialismo dialético e histórico, Sodré realiza um balanço da trajetória da sociedade brasileira desde os períodos anteriores ao colonialismo português, identificando a partir dos modos de produzir seus meios de subsistência as diversas transformações atravessadas pela sociedade brasileira desde então. A partir de relevantes acontecimentos vivenciado no cenário histórico brasileiro durante o século XIX, particularmente com a Independência de 1822, a Abolição em 1888 e a proclamação da República em 1889, Sodré identifica corretamente que a dominação do colonialismo e imperialismo estrangeiros – primeiramente português e, logo depois, inglês e norte-americano, respectivamente – engendrou sobre a sociedade brasileira a coexistência de sistemas de produção pré-capitalistas (principalmente feudais e semifeudais) com o capitalismo nascente e crescente. Logo no início do livro, faz-se uma polêmica com concepções equivocadas acerca da formação histórica brasileira, como aqueles que erroneamente identificam como “capitalista” a formação nacional, particularmente desde os períodos coloniais.


Sem sombra de dúvidas, o mais importante mérito deste grande clássico é o de identificar o caráter da formação social brasileira como semicolonial e semifeudal e, também, de apontar claramente quais são as forças retrógradas que se opõem ao progresso das forças produtivas nacionais e que, portanto, devem ser o alvo da Revolução Brasileira, como uma Revolução que nesta etapa atual assume um caráter democrático e nacional, não ainda socialista.


Não obstante os grandes méritos deste livro, há algumas ressalvas a serem feitas: parte considerável das concepções acerca da Revolução Brasileira contidas neste livro foram influenciadas pelo famigerado XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, e vieram a influenciar inclusive a Declaração de Março de 1958, quando o Partido Comunista do Brasil (posteriormente com o nome mudado para “Partido Comunista Brasileiro”) passa a adotar de maneira acrítica as formulações do XX Congresso. Portanto, há várias passagens do “Formação Histórica do Brasil” onde não se dá a devida atenção à necessidade da violência revolucionária contra o Estado reacionário de grandes capitalistas e latifundiários, superestima-se em alguma medida o papel que forças nacionalistas burguesas possam a ter no desenvolvimento e industrialização nacionais e não é dada a devida atenção à necessidade história de se construir o destacamento de vanguarda da classe operária como força dirigente da Revolução Brasileira, o Partido Comunista.

As ressalvas que fazemos, porém, não diminuem numa telha sequer os grandes méritos desta obra e de seu autor, Nelson Werneck Sodré, e recomendamo-la no mais alto tom a todos nossos leitores e simpatizantes.

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